Havia flores por todo lado. Por todo o caminho e além dos olhos.
Havia perfume nas mãos de um homem com riso familiar e feliz.
Havia ali, risos pueris de quem colhia ramalhetes açucarados para construir buquês para bonecas.
Um aroma de Deus sentava-se a mesa para apreciar a vida simples, semeada em terras férteis.
Flores pequeninas coroavam uma pequena flor.
Cores lavandais e trilhas amarelas repousavam nas mãos daquele homem, fazendo curva no vão de cada dedo seu.
Havia ali, aqui, não sei dizer... um "quê" de bem querer fazendo casa e varanda e no balanço, um riso futuro mas que eu (re)conhecia bem.
Um incenso de nuvem e paz por todos os lados, em todos os quartos. Havia uma luz que me guiava, de olhos abertos.
Aquele perfume continuava perto, me incensando pela vida inteira, sem saber ao certo, sua fonte e origem.
Havia um sol púrpura correndo no peito, por dentro da sala com perfume primaveril.
Pétalas minúsculas e um sol central em suas mãos.
Um arrebol de amanhã me contando no hoje alguma história que eu não entendia bem, mas havia. Eu via.
E sem saber, eu sabia.
Um arrebol de amanhã me contando no hoje alguma história que eu não entendia bem, mas havia. Eu via.
E sem saber, eu sabia.
[e me reconheci ali, quanto te (vi)vi a me azular a visão nos teus olhos de céu]
│ Samara Bassi │
