29.6.13

Para o meu menino

29.6.13
Um absurdo sempre escorre pelo vão do dia, menino, quando há turbulências na porta de casa.
Mas escute com o mesmo silêncio bonito da sua infância, todas as vezes que te gritaram pedras pontiagudas e te feriram, sem você nem suspeitar. Não se importe mais. Não suporte cargas demais de outras vidas na palma das tuas mãos pequenas e tão hábeis de colorir com giz, o asfalto trincado e cobrir de flores a terra dos jardins.
Há flores secas no beiral da tua janela e não houve tempo de substituí-las. Tampouco de apreciá-las. Mas entenda que é assim mesmo que os canteiros vão murchando aos poucos: enquanto a gente nem se desvencilha do ontem, nem do anteontem.
Apenas regue um pé de verso no dia a dia, acarinhe uma muda de fé no teu canteiro. E (en)cante, sempre que quiser chorar, menino. Sempre e sem saber por quê.

│ Samara Bassi │

Estrela by Gilberto Gil on Grooveshark
Copyright - Quintal de Om © 2012 - 2019. All Rights Reserved to Samara Bassi.