And don't you know that is just you?
You have found her now go and get her"
- The Beatles -
É na sala de estar que rastejam teus prantos (di)vertidos em frente a tv. Nunca soube direito dessa tua preferência por comédias românticas, quiça, dramas mal elaborados mas que sempre rendem alguma maresia a olhos mais vedados. E essa brisa sem pressa se instalando feito fumaça nas cortinas?
Diluo todos os meus goles de vento nesse teu cheiro almiscarado de transcender meus olhos e olfato a qualquer hora disponível. Só sei jogar esse meu corpo pequeno e breve de desalinhos para que chegues e inverta toda a direção do meu suor. A esta hora, toda a cidade é um vulto adormecido como quem transita perambulando por entre os bares e lares que nunca pisou. E há tantos olhos que ainda rastreiam os sonhos visíveis enquanto me cruzo nas pernas, encruzilhadas dos dias seguintes mas, para mim, ainda é ontem. E há um punhado de gotas de vinho que ainda não alagaram meu paladar, não. Não respire assim com esse relento de trazer pra perto toda a distância que só existe por entre uma mão e outra que, todo o resto, descomplica no vão da tua respiração entrecortada, na tua ânsia afogada e repentina sob o manto dos meus cabelos.
Teus lençóis são armadilhas das quais não me (arre)p(r)endo.
E esse cheiro impossível, desajustado como entorpecente anuviado e desiludindo os sabores das nossas distâncias já se faz tão mais presente e impregnado nesse mínimo espaço instalado entre o teu peito e o meu - mediastinos afoitos num tamborilar impresso e desmedido, desmentindo. Despido de toda a dor que ficou lá trás... insiste!
Teu coração deságua um rio imenso de verdades no leito dos olhos, desses que eu conheço bem. Suspira e respira com os pulmões à flor de toda a pele, o aroma destilado de cinzas como quem brinca de ter queimado as flores e as joga no vento pra qualquer canto levar. Me leva garoto, sempre nesse embalo maroto, balaio de gato em torno do meu pescoço, hein?
Sabe como ninguém me des(a)prender um riso fácil e ainda desconfiado, todo afoito enquanto transita no breve espaço dos meus olhos, os teus caminhos tolos, os teus caminhos todos - caminhos que sei de cor. Queima em brasa as tuas manias de desligar a mente, sem desmentir que sente lareira esfumaçada.
Ah! mas esse (teu) perfume é único em mim e as paredes ainda se vestem de ar. Incenso o meu bom senso à cada 15 minutos pra não me pender como faz você, como sempre fez nessa mistura vinda e passada por baixo da porta como quem colore ladainhas psicodélicas e embriagadas na taça de Lucy, num canto da sala In The Sky, delirando em sonhos de prisma With Diamonds. Sabemos nos (p)render sem amarras no dilúvio dos nossos momentos, enquanto meus olhos repousam nos teus...
[Si. I tuoi occhi sono i miei piccoli diamanti]
... qualquer mantra eterno no ar, misturado a Beatles e Patchouli.
│ Samara Bassi │
Pra hoje:
