21.12.12

Para qualquer dia

21.12.12
Imagem: Google
Despeje os dias numa cama de flores e conte-os um por um, sem pressa. Sem sair batendo em pedras os outros dias que ficaram engasgados no gargalo da garrafa, do pote de margarina, seja lá qual tenha sido o lugar escolhido para guardá-los. Ou escondê-los. Abra as janelas e deixe a luz entrar, deixe bater aquele sol de sempre, de frente para a poeira agonizada e escondida,  agarrada por entre os vãos de cada cílio teu. Desabroche os teus delírios sem meias verdades. Arrume a casa e traga cores de lírios lilases pra ancorar a bem vinda, a bem aventurança de ter abrigo e janelas para as estrelas. Mesmo que você nunca as tenha notado. Nem nunca tenha anotado desejos praquelas histórias de jogar o dente de leite no telhado e amanhecer esperando novidades.

Que a tua alegria seja a braveza dos que sabem dar valor e sabem orientar, sem dilacerar nos dentes, imposições sem argumento algum.

Deixe as cores balançando no varal e olhe, olhe cada peça te acenando como convite sem despedidas pra você se deixar levar, ser ar, se deixar lavar.
Tome banho de chuva mais vezes e ande descalço pelo quintal que não precisa ser necessariamente o teu. Seja breve nas tuas colocações sem deixar de ser profundo nas tuas verdades.
Incentive a auto gentileza diante do espelho e descubra que nem sempre todo dia é sempre tão azul, nem tão cinza como te contaram. Nem da forma como te descontaram os pesos e cargas que nem eram tuas.
Não desconte em ninguém as tuas tempestades e as tuas frustrações. Transmute antes de tudo, as tuas águas, as tuas mágoas. Acalme o teu leito de rio.
Olhe com outros olhos. Olhe nos olhos outras pessoas que nunca sequer, te viram passar por elas, no mesmo lugar onde se esbarram todo santo dia, numa pressa sem tamanho. Não esbarre sempre no desencanto, não.
Desacelere os passos na mesma calçada e esqueça aquela conversa de que comer torradas queimadas esperando o amor chegar à porta provoca Câncer. Pode até ser. Mas o que desintegra por dentro é justamente passar todos os dias dessa tua vida sendo como elas - amargas.
Role na grama do teu jardim. E se não tiver, nem grama nem jardim, role mesmo assim. Desenrole as tranças dos teus cabelos como quem desembaraça caminhos pro pensamento ficar mais claro.
Desencoste-se dos ombros daqueles que não querem nem ao menos te oferecer o apoio pelo juntar das mãos.
Não se importe com pobrezas de alma. Ou importe-se! À ponto de não alimentá-las na tua própria... 


[...residência].


Que haja sementes férteis para serem regadas nesse teu chão, mesmo rachado de angústias e mesmo que as estrias fincadas no asfalto te engulam os olhos e qualquer riso desprendido; desapegue-se das feiuras que tua retina grava durante o caminho e mude. Mas mude além de mudar o caminho, mude os passos e a direção. Desacostume a rotina de ser sempre tão previsível. Nem seja infalível sempre. Não precisa. Não seja tão rústico. A vida agradece quando se acha graça na sua passagem. E mais, ela flui melhor.
Mude os móveis e comece pelos (in)cômodos mais escuros que te habita. Desabilite a palavra praquilo que não agrada ao paladar.
Seja presente para si mesmo que os outros, certamente serão tuas mais esperadas surpresas.
E não, não aceite os meus conselhos só porque aqui estão escritos.Ou só porque foram ditos, ou semeados com dedicação. É que aqui, é o meu chão.
Apenas descubra novos para acrescentar. Descubra os teus. 
Só nunca siga sozinho porque sozinho mal se sobrevive. Tão pouco se aprende a viver.
E ah, não seja farto de bonitezas só no Natal nem renove o (seu) mundo de esperanças somente no Ano Novo. 
Sentimentos de verdade não escolhem sempre a mesma data no calendário. Aliás, eles não escolhem!

│ Samara Bassi │


'Sorri - Djavan'
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