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| Imagem: Google |
Os finais de semana, vez ou outra, favorecem muito o diálogo comigo mesma. É assim que sempre converso comigo, que me convenço das minhas dores, das minhas flores. Por onde traço meus amores e planto meu jardim, debruçando qualquer resquício de reaproveito ou do que tem mesmo é que ser devolvido de onde veio.
Ultrapasso-me dos limites e confesso: agrada-me essa subjetivação enquanto me varro sem complacências.
Faço de mim a casa - esta que me traz de volta pra mim. Pois preciso sempre voltar pra mim, depois de tanto me perder e me desperdiçar por aí.
É assim que consigo conhecer o tecido da minha alma com a mesma intensidade com que apalpo a minha pele. Dou-me um tempo depois das eclipses e esvazio o pensamento nesse descobrir um mundo, um (in)cômodo novo e abrir as janelas pro sol batizar a poeira já acumulada sobre os móveis, já tão imóvel e enraizada, à ponto de derrubar os telhados e, digo mais, sem ficção alguma nisso. Acredite você ou, desacredite eu.
│Samara Bassi│
