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| Imagem: Richard Hamilton Smith |
Já é setembro e me lembro hoje que assim como as flores de ontem, a menina dos canteiros amarelos já o esperava.
Sim, setembro. Mas a chuva mansa e que de mansidão a recebe, é um dedilhar de carinhos no vidro da janela, algo mais que um convite pra fazer laço e um abraço, dar uma volta pelo centro da cidade e regar os pensamentos. Desmanchar a palidez dos olhares secos de sol.
Do aconchego bem vindo em qualquer estação e dos sabores aguados de beijos, passos e de chão, são floridos os caminhos por onde calçam seus pés e as pedras desviam para o seu caminhar.
E setembro é mais e tem no canto dos que voam, fundo de rio onde a serenidade faz acrobacia no ar. Tem no juntar das mãos com os ponteiros e vidas atrás , um tanto de outros setembros tão poucos e tão iguais que viraram sementes...Mas a chuva de hoje germina!
Há terra fértil por todos os lados e colheita em todas as mãos que se estendam em qualquer direção.
Há hoje, aqui, (do lado de dentro) mais que setembro.
E se te lembro, há saudades de ontem querendo brotar no embalo dos abraços de sempre. E um riso, quase imperceptível. Pitadas de sutileza.
Eu disse que setembro viria. E veio.
│Samara Bassi│
