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25.12.15

Luas no chão

25.12.15
©2015 - samara bassi
A gente que atravessa os dias e as noites como fases da lua, sabe bem dos vergões que a vida deixa e que urtigam, não por punição, por ensinamento. Eu, atravesso-me e me reconheço descoberta sobre as minhas idas mais floridas. Delas, a essência cheira a incenso, a um buquê de ervas-de-cheiro e outras bençãos.  

Eis a dança que tropeço e rodopio sem calçar tabus: essa sequência de mim mesma e que não é visível mas perceptível como galhos de árvores erguidas ao céu. Querem tudo! A luz e da luz, o fruto. As transformações, os laudos que o coração deixou impressos, como roupagem de tantas vidas, como as texturas das cascas e também dos espinhos. 
A recomposição, o resgate de uma era inteira, sempre a partir de outra.

Minha natureza é cíclica, não redonda. Ela possui arestas, são pontiagudas, por vezes. Carregam a maciez de um tapete de musgos sob também os seus pés descalços, selvagens, acostumados a correr com lobos, a atravessar riachos, a se guiarem por seres da floresta.

É verdade, tantas vezes desvencilharam-nos de nós mesmas mas, guardamos os passos, a ciranda e brotamos fortes, enraizadas mais vívidas do que antes. Enchemos as nossas luas internas e as batizamos com nossas próprias alquimias anciãs.

Somos o sagrado e do sagrado, somos elementais. Curamos nossas águas internas, desaguamo-as sem mais mágoa, sem mais ilusão da dor. Elixirmos as ervas em nossas próprias clareiras d'alma. Reflorestamo-nos tantas e tantas vezes a partir das nossas raízes. Criadoras e criaturas inatas. Somos. Sou.
Lançamos nossas sementes com força e determinação. Florescemos, crescemos, nos juntamos em partes infinitas de tantas outras de nós. Nós representamos o mundo da nossa própria consagração de ser mulher. Guardamos num lugar comum, a receita do nosso saber místico e a comungamos com quem é da nossa tribo. 

Sou os meus pés descalços, minha alma nua, minha lua intrínseca repleta de muitos dizeres. A minha tinta e as minhas pedras contam a minha história. A minha memória é um livro herbário: semente da minha ancestralidade e o meu coração, sólo-fértil e bem regado. Meu corpo é rígido como árvores. E sábio, como os ciclos que as regem. Que as dizem os momentos, os complementos de cada estação interior.

Sou cada uma de nós. Somos. Somamos como uma floresta. Nossas sementes carregam o nosso poder de transformar o ao redor, sempre para o bem. Sempre para o ventre - nossa gestação criativa e terrenamente divina. Somos uma legião, os ramos e os rumos. A semente de nós mesmas, vestida de mulher.

│Samara Bassi│


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13.12.15

Fluxo

13.12.15
pinterest

Gosto demais dessa minha brevidade nas coisas e que poucos compreendem, 
de pASsAR brando e (de)morar leve nas coisas mais bonitas. 
Que eu me demore sem permanências, 
outra vez, 
também na volta.

│Samara Bassi│


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11.12.15

Ex(plí)cito

11.12.15
google
Seremos, 

faremos o ventre atropelar estrelas
e todo o resto dissipar por entre
as curvas desse olhar travesso,
desse jeito festeiro 
de me desarrumar 

[por dentro]

Por fora,
essa boca desnuda de todo o pudor,
de cor e suor,
desse verbo delirante,
aconchegante por entre os meios,
por entre os seios
esse ser teu centro,
ser teu dentro
e me (derr)amar a pele,
vertendo em rios todo o meu suor.

Entre!

Nessa lasciva boca me provando o sal,
esse não querer o mal
por entre os dedos
que nos transmitem (e)terno,
esse belo e
enlouquecido tom.

Sussurros em falsetes
decorrentes,
recorrentes,
sementes
de todo verbo
mal desavisado:
não se desmisture de mim
as tuas águas todas
e dos meus leitos
seja a chave que meu peito esconde
e me inunde de ti,
daquele jeito teu
em mim.

E perto,
sorrir tão certo
quanto
descoberto (v)ir.

Descubra-me na nossa perdição!

Cubra-me!
nesse teu inverno incandescente,
dessa querência destilada
toda a nossa essência indecente
de me verter água de cheiro
no teu se derramar inteiro

[do começo ao fim].

│Samara Bassi│
*interação ao poema de Marcio Rutes, aqui.


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20.11.15

Desodorante natural

20.11.15
© samara bassi
Gente linda desse quintal! Hoje trouxe uma receitinha super fácil e eficaz (pra mim foi) de desodorante natural e caseiro.
O bom disso é que ele usa ingredientes que todo mundo tem em casa e, mesmo que precise comprar, é tudo baratinho.

Primeiramente, vamos falar um cadinho dos desodorantes industrializados: os de farmácia. Pra começar eu já considero o termo 'desodorante' não condizente com o produto. Explico: Desodorante significa retirar o odor, minimizar. Os de farmácia fazem isso? de certa forma sim mas... o buraco é bem mais embaixo. Eles não neutralizam o odor, na verdade, eles IMPEDEM o odor, mas não por causa e sim por consequência de uma ação mais prejudicial e que a longo prazo, pode trazer complicações. 

Generalizando, a maioria das marcas utilizam em suas fórmulas um componente que se chama Cloridrato de Alumínio (conhecido como sais de alumínio). Esse vilãozinho aí, simplesmente OBSTRUI os poros. Dessa forma, interfere no processo natural e fisiológico da nossa pele de 'respirar' e consequentemente, eliminar toxinas, impurezas, bem como manter a homeostase (equilíbrio físico-químico, térmico, vitais etc), por exemplo, através da transpiração. Esse impedimento pode ocasionar sim, problemas pequenos a começar com irritações cutâneas, coceira, ardor até o aparecimento de nódulos.

Além disso, há também a presença de parabenos que são substâncias com função de estabilizar e conservar o produto e que se assemelham às características hormonais e podem sim, a longo prazo, desenvolver câncer de mama. Já que tanto o cloridrato de alumínio quanto o parabeno são absorvidos pela pele e depositam-se ao redor das axilas, agindo diretamente nos receptores ali presentes, alterando sua fisiologia.

Vamos ao que interessa? À receita!

Essa receita que eu uso vai:
~ Amido de milho: Une os ingredientes de maneira uniforme, dando a 'liga' e também mantem a pele sequinha, sem ressecá-la;
~ Bicarbonato de Sódio: Não obstrui os poros e não impede a transpiração. Apenas neutraliza o odor;
~ Óleo de Amêndoas: (mas você pode usar qualquer óleo vegetal como azeite, semente de uva, de côco, de girassol etc). O óleo vegetal mantém a pele macia, não irrita e não sai com a água/suor, mantendo a durabilidade do produto na pele;
~ Essências de Sândalo e Jasmim: (use um óleo essencial de sua preferência, por exemplo de eucalipto que possui propriedades antibacterianas).

1- Coloque a mesma quantidade de amido de milho e de bicarbonato de sódio;
2- Acrescente o óleo vegetal até obter uma mistura homogênea e também a consistência desejada, de preferência que não escorra. Se quiser mais fluídica, mais óleo. 
3- Acrescente os óleos essenciais, se quiser.
OBS: Uma vez eu substitui as essências de Sândalo e Jasmim por essas de Baunilha, de uso alimentar mesmo e ficou super delicioso também. Funcionou direitinho, que é o que interessa.
~ Sempre antes de usar, misture um pouco, pois os sólidos assentam no fundo do recipiente.

Além de todos esses benefícios, podemos dizer que o nosso desodorante natural é também Vegano. Olha só que belezura!

Faça a sua experiência e depois nos conte os resultados.

│Samara Bassi│

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9.11.15

Capim-limão

9.11.15
© samara bassi

A minha saudade é passarinho,
é um crescido guardador de meninos,
é asa fechada formando abraço e um pedaço de ontem.
Rua arborizada de sabiás laranjeiras,
tua semente pronta de sol e riso.
Teus olhos de ninho, é a minha maior de todas.
Um lume breve de sim,
em mim,
flor de capim-limão,
de amarelo-recordação,
tua mão de (pa)lavra no meu coração,
sempre me abrindo espaços de permanecer.
Ser breve,
brevidade leve,
levada ser,
por um dente-de-leão.

│Samara Bassi│

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10.10.15

O meu quintal é o meu templo

10.10.15
'Tudo se decompõe para, depois, formar ou reformar algo. E assim foi, desde a (re)criação de tudo o que conhecemos. Poucos entendem. A grande maioria se perde na plenitude de suas mentes egoístas. Esquecem de pensar com a alma. Mal sabem que quem voa é a alma, 
e não um corpo dotado de asas. Um pássaro é assim, 
só voa porque é liberto.' 

© samara bassi
Há de se saber e sempre foi assim de que 'o nosso templo pode ser e estar em qualquer lugar' e, dentre tantos outros lugares, dentro ou fora de mim, o meu quintal é o maior deles. Nele está o meu melhor e me faz ser melhor. É dele que vem a minha construção, a renovação e muito aprendizado, sobre humildade, inclusive. Nele existe a troca, a moradia, a simbiose energética. Ele comporta ainda, muito mais que a minha observação diária, mas as pequenices que também são importantemente grandiosas. E extraordinárias. É nele que encontro-me fora de mim, mas nem tanto, pois quando me conecto a ele é a mim mesma que estou centrada. No meu templo existe o respeito e sim, a gratidão por tudo o que ele me devolve.

Mas, entenda:  não falo de nada absurdamente rico ou luxuoso, muito pelo contrário. Falo é de coisas valiosas pro coração da gente e, entre riqueza e valores, há de se notar uma ponte extremamente comprida e instável. Antagônica, até. Falo das rusticidades que se mostram tão delicadas para olhos hábeis de sensibilidade e mediastinos abertos, livres por um sopro de ar bem morado no perfume das laranjeiras e das flores de jabuticaba. Mas confesso que as de lavanda são as minhas preferidas.

Talvez ele seja o meu lugar no mundo. O meu coração está ali, em cada canto, em cada flor, em cada planta. Em cada passarinho que nasce, em cada passarinho que canta. A minha mente está nos olhares que ela capta — dos assustados e arredios aos que se chegam querendo uma parte do que me compõe.

E eu doo, não dou. Ofereço ainda, é um punhadinho de sementes para quem quiser também germinar, principalmente, por dentro. É esse o solo-fértil-coração que se percebe cultivado tanto em minhas palavras.

Lá, também aprendi que mantras são mesmo os murmurinhos que escapam pelos serzinhos de bicos e penas.
Que os besouros, com seus corpos avantajados, sempre nos provam de que podem ir além. Formigas se ajudam, Um broto que estoura faz sem saber, a sua saudação ao sol, à vida, ao recomeço.
E por falar em recomeços, tem também aquele  do findar sem medos, sem lamentos e com sabedoria: o da terra de compostagem, dos ciclos, das transformações.
Das lagartas às borboletas.
Da natureza à nossa própria.

© samara bassi

O meu quintal é também trabalho, pois é no garimpo atento do olhos e das mãos que coleciono a matéria-prima para as minhas criações, as minhas inspirações. Dele vem quase todos os recursos para a confecção das minhas peças. Assim como de outros caminhos, sempre que me permito percorrê-los.

Ele, é também, quem me abriga e me recebe, num dia de sol, de chuva a contemplar-lhe.
Passo horas sentindo seus aromas, suas cores vibrantes, o corre-corre dos passarinhos. O meu quintal induz o meu estado meditativo, fortalece a minha filosofia e conecta-me a minha espiritualidade. É ele o útero da minha criatividade. Gesta-a e alimenta.

Manoel de Barros sempre esteve certo quando disse que "o meu quintal é maior do que o mundo". O meu, onde cultivo todas as minhas preces de bem-querer. Adubo-as com o coração. 

É um lugar que acredita em mim e onde me transformo, todos os dias, para melhor.
Desejo que eu também melhore quem estiver comigo.

│Samara Bassi│

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4.10.15

Sobre te dar paz

4.10.15
weheartit

Há tempos que debrucei as minhas manhãs todas congeladas no teu colo, só pra te ver sorrir. E eu, eu sempre sorrio junto. Me deságuo. Eu sempre fui rio, muito mais do que mar. Eu sempre fui montanha e silêncio. Sou feita de ventos que batem às minhas maçãs do rosto e me provam o gosto pleno de ser feliz do meu jeito, do nosso feitio de fazer qualquer coisa. É esse-de-dentro que nos comove e nos move sem perguntar. Que sempre nos leva além de nós mesmo. Nos traz, na verdade. Atravessa nossos corpos num ímpeto de bem dizer palavras que nunca nasceram mais livres do que nós.  

É que me acostumei a te olhar sem neuras diante das complicâncias, a te beijar sem paúras quando se apresenta o beijo com tempero de lágrimas, a te querer todo domingo de manhã. A me desempreguiçar as vontades ociosas sob a linha puxada do teu cobertor. 
Meu peito é um travesseiro farto e te aconchega desperto, ainda, daquela noite mal dormida, amanhecida no tapete. 

A sede não está na pele que trinca de rachaduras maltratadas, mas nas digitais quase sempre não reconhecidas da sua própria identidade.

As pessoas desacostumaram a cobrir de gestos bonitos os caminhos do corpo, esqueceram de manter bem ventiladas as arestas d'alma e por isso, reclamam tanto por não se sentirem vastas na própria paz, quem dirá na do outro.

É, e hoje é domingo! E sempre cantam que 'domingo é pra te dar paz'.  Mas, a paz eu mesma cultivei e te ofertei num buquê, não de flores, mas de espinhos que é pra não se esquecer que o bonito pode estar em qualquer coisa que também fere, ou pretende. A paz, na verdade, está no teu olhar pra dentro, no centro, no meio. Está breve, no canto das tuas mãos.

A minha paz está na paz que eu te dou. Te doo. Está até na paz que me dói, que me rói, às vezes, de tanta inércia interior.

Sobre a paz que te darei, ainda, tenho muitas folhas em branco pra rabiscar hipóteses e teorias pra gente desfazer, também. Inventamos a nossa própria guerra, ainda, no meio da nossa paz. Te tenho uma lista longa de crenças pra desmitificar enquanto te ouço 'cricrilizar'  e, entre um som e outro, enrolar os pelos do teu peito na ponta dos dedos.

É dessa paz que nos conhece tão bem, que te falo. É dessa paz sem pretensão que te dou e que na verdade, é a mim mesma que alcanço — nossa paz vestida de amor, em qualquer tom de branco, ou não. 
Eu, como já disse, prefiro o seu tom de azul. A nossa paz, o nosso azul-castanho.
Já não era de se estranhar!
'Eu te sei!'

│Samara Bassi│

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27.8.15

Etére'asa

27.8.15
weheartit


Todo mundo carrega um voo dentro de si, um pedaço de asa e mais cedo ou mais tarde, toda bagagem é um resquício de ave que nunca soube ser chão. 
Você também, em algum lugar, por algum tempo. Em tempo nenhum. E não importa o endereço, o minuano, a casa de hoje. O vento sempre empurra, ensina, provoca. Insinua o que, para olhos de metáfora, a indiferença é um contexto à parte. 

As minhas pálpebras se formaram rasas e como asas sempre abertas, não se acostumaram a dormir.
É por isso que eu vou voo na minha brevidade de sempre, sem tempo, sem hora. E volto, mais prenha daquilo que me permitiu ao leve. 
Eu sempre levei comigo esse jeito de saber certo, o meu lado mais errado do mundo. O meu avesso e o de não me prender. O meu lugar é o de não pertencer, ainda que me faça caber de alumbramentos. Nas etereacidades todas é que me demoro, lá, num morro de não ser casa.
Não morro se não for asa, nem se não for chão.

Lá, a minha alma entardecia num par de asas impadecíveis. Abertas, me cediam o voo. 
Sempre.

Me acompanha um sopro não medicinal, além das janelas, dessas daqui. Um golpe de ar vestido de sina. A minha urgência de vento é mediastinal. Golpes de ar são sempre medicinais. Te engolem por dentro, ventilam o espaço entre o meu peito e o teu.
E eu, eu me acostumei assim, porosa pra me permitir ao voo. Sei lá, eu ter nascido no 'mês dos ventos', talvez explique essa minha sina de asa. Talvez explique ainda, tanta coisa que não é de mim e ainda assim, possa me pertencer. Talvez, não explique é nada do que você queira saber. Ou suponha. E esteja aqui mesmo para suplicar o não explicar coisa alguma.

Têm tantas teorias debruçadas nas histórias de ontens que somente nos deixam um interrogar tonteado e arisco ao redor do umbigo. 

Parece estranho e contraditório mas, às vezes, deito-me de bruços que é para aliviar o peso das asas.
Não, elas não me pesam sempre, só quando a chuva é de dentro e os acenos, conseguem o feitio constante dos temporais, dos vendavais. Dos varais isentos, não dos que não cativaram suas asas, mas dos que não voaram e sem saber, dormiram teus olhos num horizonte volátil. Intacto, quase sempre.

É! E tem também, choro que vem da gente, mas não é da gente. 


[a gente pensa que não].


É a tristeza e a tristeza, é um tipo de mar!


Talvez, ela até seja mesmo é do mar, e não dessas coisas todas que a gente carrega, leva e trás sem desapegar. Acostumamos com pegadas em qualquer caminho, caminhos alheio as ondas. Assim, há mesmo de se comportar tantas águas, em tantos olhos que de profundidade acostumada, eu pouco me afogo.

É sempre como uma espera de um barco à vela que precisa ventar. Ir.  É uma espera cor de maresia, e dói, transcende em verde-água, mas abreviadas sejam as longas esperas, não as eternas. As eternas, possuem  a mágica estranha de arterializar aquelas que, por descuido ou desesperança, se despedaçaram pelo caminho. Perderam o viço.

A eternidade vivaliza os encontros. Os desencontros mudam de cor, de rotas, de ventos.

Eu, aberta-asa, moro num desses golpes, mais do que nas brisas. Me permito à demora das instabilidades. À moradia das impaciências. Me permito às Monções.
Mediastinos que se vestem assim, de correntezas sazonais, têm sempre um cheiro de vinda no ar. Essa etereacidade de boas vindas também ameniza, qualquer asa pesada, qualquer vestígio de dor.
Qualquer pálpebra livre, até fechada de não querer sonhar.

Estou agora, meu bem, prenha de eternidades.

│Samara Bassi│

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25.8.15

Pétangueira

25.8.15
© samara bassi

Uma coroa de flor imanta o meu caminho. 
Sigo debruçada na tua passagem só pra dedilhar o bem-me-quer que me ofertou. Sei que é no teu rastro que desintegro todo mal dos versos que não plantei, das sementes que nunca guardei. Eis então de florescer meus amanhãs e do teu cheiro, benzer meus dias que só por ti vingaram na raíz do coração. No meu arejar rarefeito, meus pulmões sabem o feitio de te sacodir num golpe de ar. É que te namorar tão vasta assim, é mais que impulso pra te alcançar sabor e como quem colhe amor, namoreia tua sombra ainda tão pequenamente frondosa. Sabes de mim e guarda meu olhar perdido no teu lado do quintal. Confesso que planto meus pés ao teu só pra não caminhar sozinha. E onde me deito, teu buquê me abençoa todo dia. Pitangueira, meu pé na beira do teu caminho de migalhas de pão, alameda a tua margem de renda no zumbir das abelhas. É muda de amor que não muda nunca. É alimento de vento.
Só preciso que saibas 
que o meu sorriso se acostumou 
a morar, 
a demorar 
na postura da tua flô.

│Samara Bassi│

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A união do yoga

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Unir. Esse é o sentido, o intuito, o passo.
Do sânscrito, Yoga vai além da sua tradução: União.
Mas estabelecer um equilíbrio e saúde em todas as densidades de energia: física, mental, emocional, espiritual. É o contato com a sua essência, seja ela qual for e com tudo aquilo que te rodeia.

É a espera, a paciência, o saber de não apressar o que só pode ser conseguido de dentro pra fora. É a liberdade do estar centrado, independente do lugar, do ouvir-se sem julgamentos, é o auto-respeito. Não é religião, é unidade de ser e estar. É o religar-se a si mesmo.

É uma pena que se tenha uma associação muito pobre e modista do que seja Yoga. É triste que seja ainda relacionada com uma ginástica (apenas) física, com academias e números contorcionistas, com corpos sarados e desfiles de roupas com cores vibrantes coladas ao corpo. O corpo é um complemento.

Yoga é muito além do tapete. Acontece por dentro, sem necessariamente precisar mexer um músculo.
Não é coreografia mas carrega em si, a dança do universo por ser 'ritualística'.

Autoestudo, observação, ação e reação interior.

É a concentração. O fazer uso de todos os instrumentos para que a prática seja a mais adequada possível. Não se faz Yoga sem estar consciente de cada respiração, de cada fluxo de energia, de cada sensação. É a humildade em respeitar os próprios limites, principalmente do corpo. Aprendizado além de qualquer livro. Autoconhecimento, discernimento, disciplina. É um caminho pessoal, imparcial a manuais de instruções.

Yoga é estágio, degrau para nos sentirmos mais humanos junto à nossa própria natureza e menos deuses, como se anda fazendo tanto por aí.

~ Namaste! 
│Samara Bassi│

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22.8.15

O parto do verso

22.8.15
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Sangrei a palavra num beco de dedos como quem pari e expele a placenta do verso, um universo do caos. Caótico estilhaço do ser que me finca nas têmporas as tuas grades prisioneiras e de caligrafia vadia, verborragiei. Então, que me despi sem pressa das vogais comportadas em consoantes desatadas na palma das mãos, calejadas de lapidar o verso. Desvirtualizei o parto até que me apartasse de ti, as nossas línguas endiabradas, compreendidas em qualquer idioma.

Tola é a página respingada de nada, nas entrelinhas das minhas pernas, o reflexo-ventre desacordado como caneta que repousa na borda lasciva do tinteiro, esvazia-se, sem dor alguma. Meu demônio é anjo e exorciza-me de todos os santos que não me saibam ler. Que não me saibam traduzir em dialeto comum.
Que não me gestem na escrita, toda composição umbilical.

Ereto e certo tom foi dado, como quem embrulha um-pardo-céu-de-ontens e debruça as costas para lhe devorar a carne. A minha palavra pulsa e geme, aos ouvidos breves das suas. Faz alarde monossilábico. Indicionável!

Porque a fome é analfabeta. 

Escorre e corre o texto na ponta da língua esse gozo letrado e metaforicamente enraizado, no ato, qualquer laço inverso de se fazer dizível, visível. Guardado de signos. Indizivelmente indivisível do resto sangrado nas cartas, qualquer vestígio de verso lido por uma cigana, nas (entre)linhas da minha mão, são estrias no papel.


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18.8.15

De azul entardecido

18.8.15
© samara bassi

Veste de vento teus gravetos longos de tempo sobre a minha cabeça. Passei a tarde toda ouvindo tuas histórias desembrulhadas de flor. Desconfiei que o relógio é um cantinho esquecido numa esquina qualquer e isquêmica do coração e então, te ancorei no olhar todas as tuas idas. Não, não me infartei de ausências. A presença de algo rasgando a cidade sempre distraiu o meu olhar.
Não sou de debruçar meus cílios em qualquer lugar e minha retina só guarda o que me tocar mais fundo. Ah, guardei um punhado de mundo por dentro dos sapatos e fui, à passos largos e cheios de pó. Fui só, como é de costume eu ir àquele lugar. Lá, meu refúgio é um lago de poça d'água. Não havia água, não havia lagos. As poças eram mesmo de olhos tristes. Olhos de quem tanto se faz dizer por tão pouca palavra. Frases, ali, estendidas no chão.

Um banco, um bando de pombos famintos de amor na praça, já é o bastante para compor sua canção mais livre de preconceitos. Se debatem por farelos e avessos a solidão, homens e suas sombras me contam que lágrimas são migalhas de pão de quem não voltou pra casa e, qualquer asa é uma afronta aos que se mantém presos nesse concreto em ebulição. Não são mendigos de sonhos, mas de realidade.

Meu peito não se encheu de ar por um mísero segundo.
Há em meu mediastino uma pausa de eterno que nenhum vento preencheu. Há o tempo de não se ir com ele. A sua morada é aqui, por dentro, entardecido de azul e sol — um arrebol de histórias plantadas diante do meu olhar.


[que não se esqueçam das regas, porque, toda história tende a florir].


│Samara Bassi│

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15.8.15

cOMo se fosse trinta

15.8.15
© samara bassi

Muitos passos até aqui e cOMo se fosse trinta, seria a semelhança. Amadureci em muitos aspectos e em outros, apenas continuo verdejando um olhar mais cru, mais nu e até um pouco marrento. Um gosto que, talvez, amarre o seu paladar. Om se fosse trinta, seria a minha nova idade, a minha identidade, a minha maturidade vestida de muitos significados e sim, porque não, com a mesma força? não há novidades em caminhos que já conheço bem mais do que antes, mas sempre calçados em novos aprendizados e revestidos de metamorfoses,  num melhor olhar. Porque cada segundo é uma ida, uma vinda, um ciclo. Que exista sempre uma nova história, pra recontar a mesma, um outro lugar, pra ser nosso sempre. Um mesmo alguém e(m) muitos caminhos. Um voo que reinaugure todas as asas e celebre outras moradas. Para cada pouso, a sua época.

O meu corpo é uma casa sem beiradas e guarda muitos aspectos. A minha mente, atravessa dias e noites e se reconhece pelo caminho, num som qualquer, num mantra desavisado, na tua voz. É meu melhor vento que ouço e tem sempre muito a me dizer, com pouco. Como poucos.  É que me simplifico nisso e isso, me basta!
Meu mediastino pulsa e hoje, pouco chora. Não dissimula o verso plantado com raízes fortes num lodo que hoje, nada mais é do que adubo para o meu jardim interno.
Minha esperança é bem criada e presume belezas por mais de um milhão de anos, assim, imersos nessa boniteza que nos mantém livres, ao alcance das transformações mais que bem vindas e sagradas. E, mesmo que seja utopia, insisto em fazer do meu canto, hoje, um cartão postal vibrando na invocação daquilo que for sempre bom pra mim e meus lábios, em desejarem sempre colorir outros mais, tão fartos também de bem dizeres.

E, como se fosse Om, a minha nov'idade me trás aprendizados que eu não teria sabido lá atrás e pessoas que eu não teria conhecido, junto às suas experiências tão fantásticas e até, fantasmagóricas. Hoje, minhas escolhas são mais firmes e mais felizes. Sobressaem aos azedumes do dia a dia e acontecem simplesmente como quem floresce pra crescer sempre, por dentro, como se fosse um Om — um chamamento interior e que se redescobre, sim senhor, muito mais forte do que antes e um cadinho mais doce, também.

— Servidos... de bem viver?
 ~ ॐ ~

│Samara Bassi│

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25.7.15

Vastidão

25.7.15
© samara bassi

Meus olhos fartos são quintais,
vastos,
largos,
férteis
das tuas paisagens.

│Samara Bassi│

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18.7.15

Chakra-flor

18.7.15
Chakras: do sânscrito: roda, disco, plexo, centro.  São centros energéticos e sutis localizados em nosso corpo. São muitos, de todos os tamanhos, porém, temos os principais, que são 7, dos quais se falam muito sobre. São os mais comuns e os mais importantes, pois estão localizados em pontos estratégicos. São como "funis" por onde ocorrem as trocas de energia entre o homem e o ambiente em que o rodeia.


Esta figura do 'sol' ou mesmo de uma 'flor', representa, claro que, simbolicamente o homem, sendo que cada pétala desta figura está fazendo referência a um Chakra.

Cada pétala representa um chakra e cada símbolo que você vê desenhado em cada pétala, significa um Mantra, que são entonações vocais/musicais e que vibram também energia. Pois o som é pura energia. Cada mantra tem também a sua relação mais afinada com um determinado chakra e que, quando é emitido, potencializa a vibração energética de seu chakra correspondente.

Os mantras-sementes (bija-mantras) despertam e ativam progressivamente cada chakra habilitando-os a realizarem suas funções corretamente, tanto materiais como espirituais. Você pode exercitar isso ao vocalizar os mantras concentrando na região específica de cada chakra, na ordem sequencial ou cada um separadamente,  repetidas vezes.

Começando de baixo para cima, temos o:

- Chakra Básico: do sânscrito: "Muladhara" e que significa "Base e fundamento"; "Suporte".
Está localizado na base da coluna e tem relação com as glândulas supra-renais.
O seu mantra correspondente é o "LAM".

- Chakra Sacro: do sânscrito: "Swadhistana" e significa: "Morada do Prazer":
Localizado na região do baixo ventre (pela sua própria localização no corpo, esse chacra seria melhor denominado como "gênito-urinário"); ligado às gônadas (homem: testículos; mulher: ovários);
O seu mantra correspondente é o "VAM"

OBS: Devido à sua intensa atuação energética na área genital, o chacra sacro normalmente é suprimido por várias doutrinas espiritualistas ocidentais, muito presas a condicionamentos antigos sobre sexualidade. Muitas delas colocam o chacra esplênico (localizado no baço) em seu lugar. O motivo disso é simplesmente o tabu em relação à questão sexual.

- Chakra Umbilical: do sânscrito: "Manipura" que significa "Cidade das jóias".
Está localizado cerca de dois centímetros acima do umbigo (controla toda a região do plexo solar); ligado `a glândula pâncreas.
Seu mantra correspondente é "RAM".

- Chakra Cardíaco: do sânscrito: "Anahata" que significa "Invicto"; "Inviolado".
Localizado no coração; ligado à glândula timo.
Seu mantra: "YAM".

- Chacra Laríngeo: do sânscrito: "Vishudda" e significa "O purificador".
Localizado na garganta; ligado à glândula tireóide (e paratireóides);
Seu mantra é: "HAM"

- Chacra Frontal: do sânscrito: "Ajnã, que significa "Centro de comando", comum chamado de "terceiro olho".
Localizado no centro da testa; ligado a glândula hipófise (pituitária);
Seu Mantra: "OM".

- Chakra Coronário: do sânscrito: "Sahashara": "O lótus das mil pétalas".
Localizado no topo da cabeça; ligado à glândula pineal (epífise);
Seu mantra: "Brahmarandra" ou o "OM".


Sendo o mantra mais importante, é considerado o corpo sonoro do Absoluto. O Om (ॐ ) é o som do universo e a semente que 'fecunda' todos os outros mantras. Relacionado ao chakra coronário, é o mais importante centro energético do corpo.
* a associação com a flor de lótus é justamente pela sua característica de se desenvolver desde o lodo e florir para a luz. O lodo representaria o chakra básico, a matéria. E a flor, o coronário. A ativação do coronário favorece uma sabedoria infinita e um contato espiritual ampliado.

A ativação dos chakras é realizada de forma unidirecional, do Básico para o Coronário, em um movimento em cadeia e interligado.

Por isso a minha associação da frase com a imagem: somos um cosmo, um macro (sol), o todo que é comporto de microcosmos (milhões de sóis).

É preciso a boa saúde de tudo que nos compõem, para o todo ser saudável.
Portanto, reCICLE a sua energia ou, melhor dizendo, 'rechakre-se'.

~ Om Shanti ~

│Samara Bassi│

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15.7.15

Dois anos do SiM

15.7.15
colorimos
Hoje, foi um daqueles dias em que deitei minhas ansiedades diárias, dormi no seu colo e depois, revivi todo o caminho que trilhamos até aqui. Pensei em todas as chances que a gente se deu, em todas as voltas que nos aconteceram... em todas as rotas que nos carregaram com suas mochilas nas costas. Pensei e nas mesmas perguntas, a minha resposta é sempre a mesma. A minha resposta é você!
Você me veio de surpresa e sem saber, surpreendeu-me os sentidos. Com sua sensibilidade nata, carregava sonhos nas mãos como doces confeitados de um encanto só.
Sem pressa de acontecer, veio me morando numa interno sem ter fim, numa brecha de calor, onde vento era um rodopiar alado. Sabia, como até hoje sabe, me fazer sorrir. Me fazer feliz sem artifícios que não aqueles que nos caem tão bem. Você faz todo dia o meu bem querer encontrar mais de um milhão de motivos pra querer morar aquele olhar de céu que me derruba e me toma, sem questionar. E há tempos que o seu olhar se fez de meu telhado e também me abre janelas pra apreciar o que existe por fora, do melhor de nós... Juntos. SeMpre.
Você é meu beijo, meu desejo mais urgente, mais diário, é meu diário onde nossas diferenças nos complementam e nos transbordam de sincronia. É o meu caminho mais aguardado. Você é o meu futuro de presente, é o que se sente sem palavras quando se fala de amor. Você é a minha cara, a minha sina, meu namorado e depois, meu bem, será aquele com quem me (c)asarei... pra namorar todo dia, com ou sem os pés no chão, mas assim: no nosso 'devido fora de lugar'.

│Samara Bassi│

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29.6.15

Canção de ser livre, para o meu pai

29.6.15
Tenho aqui para mim que 
para sua imensidão de pássaro, 
os seus olhos de floresta 
não bastam. 
É preciso um rascunho de sorriso 
enraizado no meu dia, 
brilhando na tua tez.
São todas as miudezas vivas 
que me trazem sábias, 
teu andar de sabiá, 
onde os olhos assobiam meninices que 
te dão saudades de contar.
Teus dedos ampararam 
todos os meus caminhos 
e teus passos coincidem, 
afoitos, 
por um sopro de ar.
Teu azul é o meu mundo inteiro 
vestido na tua história
e o meu aceno é uma pipa,
cor-de-amor, 
te impulsionando 
alegrias pra viver.
Meu abraço é uma canção que invento 
quando não sei dizer mais nada e, 
quando são virtudes que aprenderam a amar 
sem diplomas embolorados,
me debruço vasta nesse que é 
o ofício de ser livre 
como asa e como casa, 
telhado e janela 
além de mim.
Como eu e você, uma coisa só.
Um só coração, livre
e insistente
de nós.

*segunda, 29 de junho de 2015, às 01:01 am

│Samara Bassi│

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15.6.15

Ressonância

15.6.15
danielle winter

toda arte é artéria, que ria
arterial, arte imaterial
arte e mistério
um rio no cio
artéria sem matéria
miséria sem arte
artéria impropéria
arte interna

toda veia, todo veio é lacuna de essência
 preenchimento arterial, essencial
todo suspiro é matéria iluminada,
é prãna e claridade
sutilidade imperial
astral do verso
 etéreo suspenso no cosmos
todo mantra é verso entoado no divino, no centro do menino
é coração que canta sem falar
que suspira o centro do seu ser
expira a eloquência dos homens sem discernir chão

suspira o centro
e suspeita o peito

faz eleito sua essência
faz do meio seu mediastino
teu caminho enrubescido de néctar
teu maior tesouro
teu ouro é mental
é espiritual
teu tesouro é um baú que bate e pulsa
tuas vidas passadas

e mediante o destino
é o mediastino que desiste da essência
transcende suor
e se aplica na veia do menino
que de outras vidas
escolheu todas pra te amar

ofertou amor num caneco de madeira
uma bebida dos deuses por teus pequeninos dedos
tuas mãos ofertam um espaço pra viver
pra se caber no vão de tantas outras vidas
um punhado de mais coração, na tua saída disfarçada de vento

semeia centeio
centelha acesa do ventre
quente caldo num caneco de madeira
esteira celeste
pra repousar um corpo inerte
cansado pelo ato
adormecido pelo gozo
e vivo pelo regozijo

encantou seu corpo na beirada da estrada
num deitar sem adormecer
teus elos com o amanhã

estepe por entre ciprestes
descascados na palma de uma mão
suarão gotas entre vitrais
vidros quebrados
estalados no calcanhar

todas as palavras destrinchadas, numa espiral de tempo
calçou teus sonhos numa peneira furada
saiu semeando o que ficava na maleta

espinhos do tempo
um lamento
guiso triste de serpente
que mente ao desatino
em espiral atrás do vento
torna sorrimento para narizes ouriçados

destrinchou teu corpo numa cama de espinhos, foi caminho que te chamou pra recolher migalhas como quartzos brilhantes, como teus olhos saltitantes
foi um punhado de loucura, sua aura de menino, de homem adormecido

se procuram por odores
amores de outro tempo
caçadores de saudades
amantes loquazes
ou simples mortais descobrindo vida eterna

o eterno é um tal de tempo que se veste de terno
não dissimula as veste e se faz nu diante de si mesmo
do seu espaço acanhado do teu rosto
acontece sem fazer alarme
sem fazer alarde e arde
como parte da estrada

na lapela um cravo branco
nas mãos um estalo de grafite
combina certo com quartzo cintilante
e nos olhos
o beijo que ela semeou em minha boca

nos olhos dele um tom de azul, um blues no tom exato pra minha voz entoar o som

essa estrada acaba nela mesma
vai a esmo
saracoteia e berra alto
quer teu salto
não do sapato
mas aquele em que tuas pernas te levam ao longe

ressoa no peito, tua mansidão etérea e vibrante
e finda, sábio-coração.

│Marcio Rutes│
│Samara Bassi│

Conheça mais sobre a obra de Marcio Rutes em Crônicas de Areia.

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8.6.15

Prece da não-violência

8.6.15
joan perrim-falquet
Me ensina a rever meu lado, o lado do outro, a assumir sem pedras nas mãos, a defender sem dor, a semear amor ainda que me pareça erva daninha outras verdades. E nem sempre são. Nunca são. É que cada um tem o seu terreno particular e nele semeia o que o solo pode frutificar. 
Me ensina a buscar limites nas margens do olhar alheio e não deixar de enxergar todas as vezes e razões que fazem com que eu me afronte sem respeito.
Que eu não invente o mundo de ninguém, mas que eu ordene o meu próprio! Que eu estabeleça meu próprio verbo e saiba calar, mas não para emudecer o meu mundo, mas para ouvi-lo mais e melhor.
Que eu escolha os pares de sapatos não pela embalagem, mas pelo conforto ao andar dos passos.
Que eu me acostume a cobrir meu coração de bem dizer, que eu me contente em primeiro forrar a minha cama de luz e cultivar minha vida com ideias que me fazem sentido. 
Me ensina a não professar o que não me toca o coração e que eu não obriguem a abrirem as portas de quem só escolheu olhar pelas janelas e se sabe ser feliz por isso. Que eu saiba ser feliz, também.
Que eu saiba o meu lugar e caiba, dentro do seu mundo interno sem ferir com pedras as flores de outros quintais.
Porque não há chave que me copia o código d'alma nem telhado que me desabriga quando as minhas verdades se propõem a ser muitas outras, em outras histórias, em qualquer espécie de qualquer natureza, com a mesma força e com o amor de sempre.

~ Om Shanti, Shanti, Shantihi Om ~

│Samara Bassi│



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4.6.15

Meditação de cura

4.6.15
~ guiada por Samara Bassi
livro: saúde perfeita - Deepak Chopra




Hoje, trago para vocês essa meditação poderosa de cura. Retirada do livro 'Saúde Perfeita' de Deepak Chopra — um médico indiano, formado em Nova Deli, também professor e escritor de ayurveda, espiritualidade e do binômio mente-corpo.

Feita com sinceridade e entrega, essa 'medicação' comporta uma intenção infinita de cura, promove o aumento da temperatura corporal, estabelece o fluxo livre da circulação sanguínea pelo corpo físico e do prãna pelos corpos energéticos, nutrindo-os de maneira contínua.

Experimente e venha comigo, fiz com muito carinho.

Sente-se quieto e com os olhos fechados por alguns instantes. Concentre-se em seu coração e agradeça por tudo aquilo por que é grato. Agora mentalize a vontade de extravasar qualquer sofrimento, arrependimento ou hostilidade que possa estar carregando em seu coração ou sua mente.

Por um momento, repita silenciosamente a frase: "Que seja feito." Direcione-a para a sua idéia de consciência universal, seja ela Buda, Ganesha ou o que for. Repita como um mantra: "Que seja feito."

Mentalize o desejo de aquietar seu diálogo interno - e permita que sua atenção percorra seu corpo. Se identificar uma região tensa, mentalize que deseja relaxá-la. Em seguida, concentre-se na respiração. De início, simplesmente observe-se respirando, depois mentalize o desejo de diminuir o ritmo da respiração.

Mova-se conscientemente até o coração. Perceba seu batimento, o som e a sensação. Mentalize para que o ritmo do coração desacelere. Agora, foque a atenção em suas mãos. Sinta a pulsação e o calor que chegam do coração. Mentalize aumentar o fluxo de sangue e a temperatura das mãos.

Leve sua atenção aos olhos. Sinta o pulsar do coração em seus olhos e seu rosto. Permita então que sua atenção se mova livremente pelo corpo. Sinta o calor, o latejar e as pulsações do batimento cardíaco onde quiser. Se encontrar uma parte do corpo que precise de cura, direcione o calor até ela. Se não tem consciência de uma área assim em seu corpo, volte-se para o coração. Leve o calor palpitante de seus batimentos até qualquer ponto que deseje nutrir e curar.


Consciente e mentalizando a área de cura em seu corpo, repita por alguns minutos essas duas palavras como um mantra: "cura e transformação".


Passados alguns instantes, abra os olhos para encerrar a meditação de cura. —Deepak Chopra

~Om Shanti ~

│Samara Bassi│

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