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| mundo psicodélico |
Não, não leve sempre e apenas por esse lado: o da filosofia. Mas o da fisiologia, também. E quem sabe essa fisiologia metamorfósica, também não seja uma filosofia vã?! A vida e todas as suas transformações ainda me remetem a um tratado filosófico, muitas vezes de origem duvidosa, onde ninguém está certo e ninguém está errado. Todos somos e carregamos também, nossas teorias-nada-a-ver.
É sempre o que digo:
— onde está Deus, na verdade? Eu falo Deus, mas me refiro a qualquer outro nome que isso tenha. Manifestação, fé, crença, filosofia, qualquer nome.
Não podemos nos podar com tolices egocêntricas acreditando que a nossa verdade é a 'única salvação' porque se pensarmos assim, já estaremos perdidos!
Cada um, tem o seu direito de crença, seja ela o 'absurdo' que for para olhos alheios e até para ele mesmo. Não importa. O bonito de se ver é a manifestação democrática também nas opiniões, nas crenças, na fé. E principalmente a crença na natureza e/ou no Universo, se assim for. Não é preciso ter religião para acreditar em algo. Até o não acreditar é acreditar. É uma escolha, uma crença depositada vamos dizer assim, na 'criatura'.
Mas, se somos criaturas e somos também criadores., o que somos, afinal? Será que precisamos ser algo isolado de todo o resto para ocuparmos (mais) um lugar além de nós mesmos? Não, né?! Sem dúvida que somos e estamos interligados a tudo nesse planeta e não é bobagem dizer que fora dele, também.
O universo inteiro é um grande 'ovo mexido'.
Tudo na vida se transforma, desde a biologia e toda a fisiologia até mesmo um conceito mais espiritualizado como visões, paradigmas e habilidades que vamos aprimorando e até abandonando para a melhoria de outros. A própria natureza tem seus artifícios pra se manter intacta, ainda que arranhada, pra se manter viva, ainda que esteja na sua maior hostilidade.
Tão verdadeiro é o trecho de uma música interpretada por Marisa Monte: ♫'chuva também é água do mar lavada no céu'♫.
[será que eu desenho? rs]
Tudo que nos compõe veio de algum lugar e irá pra algum lugar, independente da proximidade em que a transformação aconteça, ou não. As distâncias, na verdade, não são empecilhos pra nada que queira se transformar em proximidade, em si mesmo e também no outro. Somos o outro e o outro também está em nós. Num ar que ele expirou, no alimento que consumimos e que somos consumidos, posteriormente. De quê se alimenta um recém-nascido senão de uma magnifica alquimia que o corpo de sua mãe elaborou, desintegrou e construiu?
Somos desde um grão de areia a uma nuvem sem destino.
Somos energia, água, ar, fogo, terra. Somos matéria-prima e dela somos 'irmãos'. Somos tudo que o mundo preenche e também o vácuo. É muita prepotência acharmos que o universo inteiro só se renderia aos nossos caprichos e que, sermos os únicos a ocupa-lo de forma 'vip' seria mesmo muito desperdício de espaço.
❝A energia que toca a pele de cada um é exatamente a mesma que move cada verme que consumirá um ser após sua morte para, com isso, reverter aquilo que se pensa “morto” em energia novamente. Enfim, tudo é reaproveitado, até a baforada de gás carbônico que expelimos após o ato da respiração. Somos reciclados para proporcionar energia a tantas outras formas existentes neste mundo.
Se eu acredito em reencarnação? É claro que sim. Acabei de descrever justamente isso no parágrafo acima. Sempre que a natureza retoma sua propriedade sobre cada um de nós, ela tece seus protocolos e reenvia nossa energia para as matas, para os rios, para o solo.❞ │Marcio Rutes│
Eu adorei essa parte em que o Marcio atribui a essa 'metamorfose', o sentido de reencarnação. Não havia pensado por esse lado, utilizando esse tipo de conceito.
E quer saber, tal verdade também está certa! Ocupamos um corpo e num dado estágio, ocupamos outro. Ou, o quê se tornarão todas as reações químicas existentes e ebulitivas a todo instante, senão a de transformar?
Veja bem: ocupamos um corpo generalizado chamado planeta e também somos ocupados ou, onde moram nossas bactérias, micro-organismos patogênicos ou não, senão num universo só deles, chamado corpo, humano ou outro tipo de ser? Oferecemos estadia, permanente ou não, dependendo do hóspede.
O nosso próprio corpo se renova e se reconstrói a partir da sua autofagia. Da reabsorção celular e da decomposição de elementos, também de outros, para formar os seus.
Podemos dizer que somos tanto diamantes quanto grafites. Somos, diante dessa hipótese, um emaranhado de cadeias carbônicas que se rearranjam e se condensam, dando forma, cor, textura, propriedades a tudo que se torna vivo e tudo que também não mais é. Mas que pulsa de uma outra maneira e permanece, ainda.
E dessa teia magnífica, onde todo o macrocosmo é entalhado no microcosmo: elétrons, prótons e neutros que constituem os átomos, que agrupados constituem moléculas, que por sua vez as substâncias/matéria, que constituem as células, que por sua vez geram tecidos. Esses tecidos com funções semelhantes constituem os órgãos, os órgãos formam os sistemas, os sistemas o corpo humano/qualquer indivíduo - famílias - comunidades - populações - bairros - cidades - Estados- países - continentes - planeta - sistemas solares e entre outros.... e porque não, o próprio vácuo do universo?
Tudo se interliga por uma semelhança, por sintonia, por programação. Veja um exemplo que te acompanha dia e noite e que nem se dá conta do quão inteligente é o universo do seu próprio corpo: a apoptose celular, que é justamente essa morte celular programada, quando algo não vai bem e é preciso então, ‘morrer pra germinar noutro lugar’, renovar-se. Tudo flui por propagação. Essa é também a grande ecologia da alma.
Tudo está minuciosamente tecido, mesmo que os pontos sejam diferentes.
No final, somos mesmo é uma gigantesca colcha de retalhos. Se é que existe um final, já que a todo instante tantos outros estão se juntando a nós e de nós estão se afastando, morrendo, transformando-se.
Porque inanimados, ou não, seremos sempre recicláveis. Assim como o copo plástico que já fomos um dia.
❝Nada se perde, nada se cria. Tudo se transforma ❞ ― Lavoisier.
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