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31.8.18

Pequeno calendário

31.8.18
© samara bassi
Toda calêndula nos ajuda a caminhar. Nos permite apreciar detalhes com olhos mais de sol. 
Toda calêndula é tão caleidoscópica-lua-nova.  
Calênduloscópica-lunação e que, de telúrica que é, 
nos ensina nuances de coragem e enraizamentos para florir. 
E rir! 
Ir sem desprender-se, dividir sem se despedaçar. 
Toda calêndula é grande no seu pequeno porém, duradouro calendário. 
É que a sua persistência não é birra ou sequer teimosia. É só dom.
E sol!
Nada menos.

│Samara Bassi│


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8.4.17

'Bem'droega

8.4.17
© samara bassi

Dormiu na presença estranha dessas lembranças pueris, perdidas nas montanhas do seu berço de ontem. 
Desceu rápido tuas escadarias avulsas com vento nos pés e rodopiou tuas risadas leves e breves de um tempo grato e doce. Um tempo confeiteiro e peralta que me tráz avisos de boas vindas, de boa vida e de bons lugares... desses lugares tantos que só enraízam por dentro e acontecem sempre sem desvios. Por perto, há espaços que vingam qualquer chegada e coincidem na luz dos dias mais equinócicos. Das noites mais alinhadas com as estrelas mais avantajadas. 
Sabia perder o rumo por entre as ervas aparentemente daninhas, vestidas de bolinhas azedas e coloridas de Beldroegas. 


[beldroegas - dessas que nascem nos quintais mais felizes.]


Nas auras mais preenchidas de risos largos, de pé no chão e cor-de-todo-dia... que todo menino e menina conhece na palma da mão. Ou que já estouraram as cores no paladar mais próprio do não esquecimento.
Um tempo onírico de crenças que não tinham paredes, que não morriam na chuva, que não se fartavam de dores porque dores, não se criavam ali.


E eu, eu á te disse, menina,  que teu espaço é um vento azul que te visita as bordas do seu vestido nunca usado, só guardado na mala.
Das verdes esperas, o teu lar é um olho esperto que olha o dentro que ninguém entende.

— Lembra que ante-ontem, eu ainda havia dito que toda semente é uma lampejo pronto pra vingar?

Que tuas araras são as pipas livres de todos os pesos que sobravam nos calçados. Na sola dos pés descansados da corrida no capim, tuas flores surgiam afoitas todas assim, mordidas por debaixo da unha.
Já disse que essa tua terra é um espaço honroso desses tantos quintais que te moram e te demoram sem amarelar. Te acompanha teus campados férteis de ontem e amanhãs com risos que te cumprimentam o coração. E, dessas validades sem volta e sem revoltas, é que se estendem como lençóis vastos de tantas historias, os teus passos mais compridos de sonhos.
Acenda teus olhos de ontem e ache a saída!

— Tem pirilampos no pote, lembra?

Tem bolinhas rosas e vermelhas, amarelas e laranjas que já nasceram e também deixaram tuas raízes pelos corredores úmidos de chuva farta, de umidade de casa bem regada, de vida e de lembrança que germinam até hoje esse punhadinho de cor, de coração bem ventilado. De colorido minúsculo.

Esmagou nos dedos um sorriso pequenino tanto quanto o teu tamanho, e saiu em disparada com mais presenças amigas e irmãs. Sabia nunca estar só. Só, era o pó que deixava pra trás descendo o morro, atrás de todo instrumento solar.
Tua aura é lar. Meu lar de todos os tempos. É meu vento brando de bonitezas e bem dizeres que clareiam.


[me parece fábula doida essa menina, mas ela é mesmo um resquício de todo melhor que se pode guardar de si mesmo. Me ensina a não desgrudar o foco daquilo que mais faz feliz.]


E felicidade, meu bem, eu digo mais: é qualquer punhadinho de brilho que se pretende criar.
Um punhado de sol que se guarda nos bolsos, um calor estourando os miolos e a cor de terra das últimas vidas tão bem acalentadas... por todas as próximas.

Soube aprender ainda, e a ensinar também, que felicidade é festa que se faz (por) bem.

E que em qualquer dúvida, me mostrou ainda:

— Confetes de beldroega?
— Bem...droega, menina, BEMdroega!

É por bem que se (es)colhe a cor, viu?!


│Samara Bassi│


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25.10.16

Flores mediastinais

25.10.16
we heart it

Brotam as folhas de uma nova cor. As flores, já clareiam diferente as retinas úmidas de desamparo. Mas não mais. Não mais a dor atravessa fincada o avesso do peito. É chegada a hora de reflorir as estradas e os céus de um tom mais uniforme, mais vivo. 
Mais amoroso. Digo: mais por dentro! 
Os acontecimentos são esperas rasas de um dia que não terminou e alterna, sem desesperos agudos, entre um precipício pronto pro voo e um abrir de braços. De asas que nunca souberam ser o chão dos passos presos mas que dormem, tão férteis de si.

Então te pergunto;

— O quê há por dentro do teu peito? sopros de ar?!
— Que seja o que for, mas que alimente todo o teu impulso vital.

Eu, eu tenho um vento que não dói sem porquês e não asfixia, sem argumentos. Uma aura de sanscriticidade que me compõe há milênios: vento, vento... Vayú. Um sopro de ventania deslizando por cada broto arterial. Há ainda, uma vida vasta e larga que flui, e flui, sem congestões.
É que tenho no peito um mundo maior que me cabe e me sabe, sem qualquer um entender. Me tenho e, ainda que doa ter a mim mesma, há vezes em que me tenho mais. Me retenho. Me respiro, sem brechas.

Acredito que mediastinos que não se permitem apressar às maturações, abraçam mais vezes a luz de todos os dias. Acontecem, silenciosamente.

Mediastino tão meu esses galha'braços sem limites por tudo aquilo que me mantém intacta e mutante, sem corromper as partes mais frágeis. E de fragilidades breves de mim, ainda sei que vivo parindo faltas de ar mas também, sem dilacerar as pequenas flores mediastinais.
Sim, há em você flores mediastinais, também. Coloridas. São mensagens cultivadas de forma sagrada. Tua alma que sabe e conhece a real espécie de cada uma.
Há tantas flores. E a gente que não se prende por nada, aprende a não apressar os ciclos, a não mais mudar sem sair mudada. A não ser indiferente às implosões que rastreiam no peito e no corpo da gente, pólen de bênçãos.

Há esse pulmão ainda sufocante, mas inerte como pássaro em gaiolas e sóbrio, querendo expandir.
Há sim, ainda, muitas dores filhotes, muitas cicatrizes anciãs.
Mas talvez  ninguém saiba que de tanto derrubar árvores e folhas, e flores e o mundo todo por dentro... forra-se a cama ao chão de uma quentura transformadora. Rompem-se as sementes cobertas.

Elas sempre se erguem. Mas entenda: elas sempre foram nós mesmas.
 Há muitos que não sabem. Os façamos saber!
Ensinemos que todas as sementes são farturas intactas de uma individualidade sem esquecimentos. De uma verdade sem desbotamentos. De todas as estradas que nos levam pra uma sincronicidade delirante. E você nem vê. Eu também não vi tantas e tantas, num caminho qualquer.

E quantos de nós sentamos nas beiradas, nas margens afoitos, por contorcer as próprias idas?!
Não respiramos calmos, nosso próprio perfume.

Foi quando mais me ceguei por fora que descobri a mim mesma, com um olhar mais sábio, diferenciado. Mas eu, eu sempre fui a mesma. E não sabia quem.
Por dentro, meu olhar é mais nítido. Um tanto confuso e transformador. Me alcança e me toca. Me faz ninho.
Meu peito expande e sabe sentir um vento secreto, que tanto me diz e me ensina caminhos de pegar carona num voo sem bagagens. Das mais leves, somente as mais livres.
Visto-me e só sei me vestir assim:  de um sopro de ar mediastinal e urgente.

É que já te disse: urgentes são todas as vielas que arterializam o mais bonito universo de cada um — um mediastino florido, ainda que murcho e dormente, mas voraz de frutificar o possível, tão natural e crescente.
Tão cheio de si.

│Samara Bassi│


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9.11.15

Capim-limão

9.11.15
© samara bassi

A minha saudade é passarinho,
é um crescido guardador de meninos,
é asa fechada formando abraço e um pedaço de ontem.
Rua arborizada de sabiás laranjeiras,
tua semente pronta de sol e riso.
Teus olhos de ninho, é a minha maior de todas.
Um lume breve de sim,
em mim,
flor de capim-limão,
de amarelo-recordação,
tua mão de (pa)lavra no meu coração,
sempre me abrindo espaços de permanecer.
Ser breve,
brevidade leve,
levada ser,
por um dente-de-leão.

│Samara Bassi│

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15.6.15

Ressonância

15.6.15
danielle winter

toda arte é artéria, que ria
arterial, arte imaterial
arte e mistério
um rio no cio
artéria sem matéria
miséria sem arte
artéria impropéria
arte interna

toda veia, todo veio é lacuna de essência
 preenchimento arterial, essencial
todo suspiro é matéria iluminada,
é prãna e claridade
sutilidade imperial
astral do verso
 etéreo suspenso no cosmos
todo mantra é verso entoado no divino, no centro do menino
é coração que canta sem falar
que suspira o centro do seu ser
expira a eloquência dos homens sem discernir chão

suspira o centro
e suspeita o peito

faz eleito sua essência
faz do meio seu mediastino
teu caminho enrubescido de néctar
teu maior tesouro
teu ouro é mental
é espiritual
teu tesouro é um baú que bate e pulsa
tuas vidas passadas

e mediante o destino
é o mediastino que desiste da essência
transcende suor
e se aplica na veia do menino
que de outras vidas
escolheu todas pra te amar

ofertou amor num caneco de madeira
uma bebida dos deuses por teus pequeninos dedos
tuas mãos ofertam um espaço pra viver
pra se caber no vão de tantas outras vidas
um punhado de mais coração, na tua saída disfarçada de vento

semeia centeio
centelha acesa do ventre
quente caldo num caneco de madeira
esteira celeste
pra repousar um corpo inerte
cansado pelo ato
adormecido pelo gozo
e vivo pelo regozijo

encantou seu corpo na beirada da estrada
num deitar sem adormecer
teus elos com o amanhã

estepe por entre ciprestes
descascados na palma de uma mão
suarão gotas entre vitrais
vidros quebrados
estalados no calcanhar

todas as palavras destrinchadas, numa espiral de tempo
calçou teus sonhos numa peneira furada
saiu semeando o que ficava na maleta

espinhos do tempo
um lamento
guiso triste de serpente
que mente ao desatino
em espiral atrás do vento
torna sorrimento para narizes ouriçados

destrinchou teu corpo numa cama de espinhos, foi caminho que te chamou pra recolher migalhas como quartzos brilhantes, como teus olhos saltitantes
foi um punhado de loucura, sua aura de menino, de homem adormecido

se procuram por odores
amores de outro tempo
caçadores de saudades
amantes loquazes
ou simples mortais descobrindo vida eterna

o eterno é um tal de tempo que se veste de terno
não dissimula as veste e se faz nu diante de si mesmo
do seu espaço acanhado do teu rosto
acontece sem fazer alarme
sem fazer alarde e arde
como parte da estrada

na lapela um cravo branco
nas mãos um estalo de grafite
combina certo com quartzo cintilante
e nos olhos
o beijo que ela semeou em minha boca

nos olhos dele um tom de azul, um blues no tom exato pra minha voz entoar o som

essa estrada acaba nela mesma
vai a esmo
saracoteia e berra alto
quer teu salto
não do sapato
mas aquele em que tuas pernas te levam ao longe

ressoa no peito, tua mansidão etérea e vibrante
e finda, sábio-coração.

│Marcio Rutes│
│Samara Bassi│

Conheça mais sobre a obra de Marcio Rutes em Crônicas de Areia.

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4.12.14

Pérola do céu

4.12.14
corbis
Depois de rezar por três vezes o seu segredo mais bonito e ajeitar a franja que lhe persiava a tez por detrás das orelhas, debruçou seus olhos de lua cheia no beiral da janela do seu quarto crescente e, viu tanta beleza simples e tanto encanto que há tempos não percebia que fez com que escorregasse no arco da íris, a sua melhor brincadeira de guardar o que é simples no cofre do peito.


E mais: a manter sempre ao alcance das mãos, qualquer meio enluarado de descobrir que aquilo que for sempre bom e belo, incentiva sorrisos em qualquer fase da lua.

│Samara Bassi│

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5.11.14

A memória dos elefantes

5.11.14
weheartit

Calçou seu andar lento em terra batida, como faz quem peregrina  em busca de um oásis matinal. Banhou-se até encharcar a pele,  descolorindo a terra  de tuas estrias calejadas do ontem. 


— Vá, menino! O dia te busca e te chama. Te ensina. Depois, te faz retornar e me contar tuas fábulas de montanhas, meu grande menino.


Há quem saiba lhe dizer o caminho de volta às margens daquele rio que não chora nem sangra lições infantis da tua passagem. Ordene as ídas  e volte ao meio dia, baixando os olhos de lamento. Há vezes mais que estudei teus passos moldurando o caminho e lama, sem a pressa dos homens. Há lembranças de dezembro em sol a pino. De fevereiro, sob sua estrada farta, ladeada de ipês. Teu passo é longo e lento, e teu leito se verga flexível diante de toda a sua docilidade. Teu coração é a tua fortaleza. Tua força, essa colossal fragilidade que não mente as tuas tantas vidas e vindas guardadas, desaguadas como seus banhos ao sol. Olhos baixos rodeiam os montes e  estendem-se tal qual espadas defendendo teu chão. Deixei meus pés descalços diante dos teus, devotando o sagrado nivelado com o beijo na testa, menino, e toda lembrança vestida de marfim. Teu marfim que por muitos e muitos combates,  não deixaram vingar. Tampouco argumentar por indomabilidades já tão caídas por terra.


— Houve uma noite em que escutei teu choro ecoando na floresta seca. Tão empoeirada de mãos . Tua rota me levou aos teus e, guardando migalhas que pousadas dia após dia num chão pisado de ontens, não reviveram tuas aves domadas diante de nós. Lembra-te dos versos que não compus! Ouça as preces dos teus pequenos, sem o esquecimento. Não, não há esquecimento para ti e nenhum gesto se nasce em vão.


Desde então que debruço todas as minhas tardes sonhadas no teu lombo cansado em busca do que já se sabe, sem revidar. Me conta histórias e também sabe que, alarde é o veio d'água que não molha teus pés e tua sede não mata. Que não te benze no improvável, teu eco calado de dor e correntes.
Lembra-te, então, dos açoites fincados pelo caminho tão farto de nada, que tuas pegadas nada mais fizeram do que guardar caminhos pra volta do teu memorável arrebol de inércias, ainda tão cultivadas no ríspido, no hostil — lembranças ensolaradas de tempo, calçadas de pó. Uma querência que arde na iminência da volta pra casa: teu chão bruto-inesquecível. Há de chegar sem ter ido, sem ficar dolorido, sem lutos no teu coração de rei. 

│Samara Bassi│

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18.6.14

O coração da ostra

18.6.14
weheartit
Escuta. O coração da ostra, o mar dentro da concha. Escuta o que te digo. E entenda. Procure entender. A vida pode caber num pedaço lascado de pedra e contar histórias que nunca soubemos nem nunca ensinamos. Pode sim. O mundo tem lados que nem sequer pretendemos olhar. Alguns detalhes que deixamos passar, umas pequenezas que gritam e nós... absortos numa cratera sem janelas abertas, ensurdecemos.  O engraçado é que só temos olhos sensíveis para o que é grande e se faz visto, mesmo sem ser notado. E nem toda beleza está nas pérolas, viu?!. Não guarde o seu coração numa ostra, mas saiba ouvir o coração de uma. É que (ab)surdos também sabem cantar suas histórias, ainda que a  música não seja a do mar. É, eu também venho aprendendo sobre outras histórias. E reaprendendo sobre as minhas, também.

│Samara Bassi│



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11.4.14

Por telhados mais azuis

11.4.14
weheartit
Minh'alma esvoaça de teimosa que é.  E vai riscando o dia de sol a sol, feito colorido e tagarela riso por todo canto.  Pensa que é ave ou pedaço de balão.  É, ela carrega um punhado de Deus nas bochechas e uma alegria que enverga mas não quebra, não meu Sinhô.
Minha alma é prece e não carece de ter tanta pressa.


[é assim que acontece quando a gente se conhece por dentro e ainda se surpreende com nosso olhar curioso.]


Porque desde quando eu fiz casa num infinito sem portões, o meu céu foi telhado longo que eu até perdi de vista. 
E quando retorno, é porque eu não me esqueci de que tenho asa e passarinho que sou, conheço bem o caminho de casa, mesmo com outros quintais.

│Samara Bassi│
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ao som de:

20.2.14

Jardineira

20.2.14
Pete Leonard
Sabe bem desembrulhar a terra praquilo que quer vir à luz. Luzir os olhos ainda, pequeninos. E é de mansidão que revira um berço de novidades com pedregulhos e não se cansa, pois criança é um bichinho sem beiradas e de riso que escorrega sem cessar. De bem querer que rega o seu poema-cor-de-terra e como guerra querendo conquistar calor, dissipa seus 'porquês' que crescem acostumados ao sol, feito roda de caracol nas costas, feito respostas de isopor. 

[cresceu e apareceu no campo, jardineira pequenina.]

— Eu que quis tanto florescer formigas em vestido de menina, te fiz flor desinibida que não murcha sem amor.

│Samara Bassi│
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19.8.13

A verdade sobre os duendes do jardim

19.8.13

Sentadas no gramado, observam a festa por todo o quintal.
As pessoas quando morrem, vão para o céu e viram anjos.
E os duendes, o que acontece com eles quando morrem?

– Ahhh mamãe, não acredito que você não sabe isso!  Eles não te contaram?

Os duendes viram passarinhos do jardim.
É por isso que eles voam, encantados.

│ Samara Bassi

Take On Me by Graziella Schazad on Grooveshark
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11.3.13

Então a gente vira estrela?

11.3.13
Imagem: Google
Quando eu era criança, eu sempre desconfiei de que tudo o quê havia no mundo viraria estrela quando morresse. As plantas, os animais, as pessoas com seus corações e olhos brilhantes. Até as pedras virariam estrelas. Não que eu seja adulta, nem que eu continue sendo só criança. Mas desconfio muito que eu tô virando estrela... por dentro. Bem aqui dentro, ó!

[não se preocupe, não! não nascerá verruga]

│ Samara Bassi │
Pra hoje: 
The frozen world by Émilie Simon on Grooveshark

7.3.13

Vasto coração

7.3.13
aos meus amigos, não tão virtuais assim...

Imagem: Darla Winn
Era Céu de Abril entardecido e com Passarinhos no Telhado, Rosane Marega  já (pres)sentia aquela anunciação bela e simples tal qual fosse um Jornal das Pequenas Coisas.

Desembrulhou alguns dos seus Sorrisos Pré-Fabricados que há vidas guardava em sua Caixa Mágica como se fosse um Pedacinho do Céu,  Costurando Estrelas e aproximando Entrelinhas.


Já não era mais menina e já fazia tempo que vinha conquistando Um lugar ao sol, perto do vento
A vida era Simples Assim, como Cativar & Cultivar.

Menina com Coração de Pássaro, colecionava Eucaliptos na Janela e sabia, muito Antes do Crescente, ainda reconhecer nas suas lembranças os ensinamentos do seu Pequeno Caminho - Um Lugar Azul que, De Uma Forma ou de Outra, seus pais lhe ensinaram a respingar no dia a dia, a partilha de tantos anos; ora doces, ora amargos... Mas o principal era o de não esquecer em trilhá-los, quase sempre, com Uma Estrela na Mão.


Para ela, as Inter[in]venções dos sábios era um tesouro guardado nos olhos, mesmo que repleto de Instantâneos e que, de tão precioso, era preciso muito mais que um mundo inteiro para extingui-lo. Era preciso ainda, Acolher com Amor cada gesto brotado em meio a todo Amor e Caos.


Afinal, Das Palavras que Nos Unem, Quem tem Medo de Brincar de Amor?


Professora de canto e poesia, criava tanta Pô ética  e bonitezas Nas Mãos do Oleiro: aquele Mineirinho querido que sempre se distraia enquanto a via compôr o seu  Alinhavo de Cores que, tornava sua realidade uma forma mais leve de encarar o seu próprio e às vezes cadente, Entre Outonos.


Sim, sim. Que Seja leve!


Havia uma aparente estranheza, (talvez fosse mania de fazer Em Teus Versos, um mundo paralelo ao de Parole) em suas escrevências e que olhares alheios pouco compreendiam. Era mais vista como uma Roda Viva, delirando em seu próprio eixo que alguém provido de Sutilezas de Alma e Mente.


Costumava guardar confetes nas mãos enquanto perambulava nas ruas, com seus olhos atentos, procurando meios de Tecer Palavras, resquícios de Versos de Luz e Encantaventos tal qual brincadeira tardia de voltar aos seus pueris 10 anos, Na Varanda.


Não sabia se contentar nem com seus rabiscos, jogados e amassados em cima da cama, nem com a sua impulsividade crônica. Saia todas as tardes como quem se desprende do ninho e desaprende o caminho, buscando qualquer brecha de absorver do mundo a sua Versorragia e,  qualquer meio menos trágico de Recomeçar.


Em seu íntimo Across The Universe, buscou com calma A alma e a Rosa que se escondia por tantos espaços maltratados da cidade, como sendo essa uma forma branda de sentir-se desvencilhada Do Lado de Cá  e  que sempre existiu no íntimo das mesquinharias e das coisas que não acrescentam nada – nem nessa terra de passos largos e empoeirados, nem Além das Nuvens.



[E enquanto tantos de nós passarmos inquietos, indiferentes e alheios às simplicidades grandiosas das pequenas coisas, não estaremos caminhando por Entre Pássaros e Flores.]


Ao contrário da pequena grande mulher que, diante da pequena beleza que sua retina descortinou,  mergulhou nas formas, cores e gravou para além do seu sentir, a Photopoesia daquele instante breve num movimento apenas leve e incomparável, muito antes do seu Before Sunrise, toda a complexidade sustentável e apesar da aparente pequenez, completa.


- De todas as Confissões Sobre Minhas Memórias Esquecidas, desconfio que Eu Só Sou Quando Deixei De Ser. E entenda, a gente não deve deixar de ser nunca nessa vida, nem por nada nem por ninguém.

Resmungou baixinho, fazendo uma pausa no respirar da dor em meio à sua tamanha e incompreendida Nudez Poética.

Foi uma sensação de “Dispa-Me” , uma viagem em que A Barca dos Amantes, era mais que um ancorar o riso entre o que é bonito aos olhos e o que é verdade ao coração.

Percebeu In Foco o cair da noite. Voltou ao seu recanto onde as diferenças são pintadas em aquarela, ritmadas  como notas de piano e escritas na palma das mãos dos seus mais bonitos presentes.

Sentou-se na cadeira, alisando o vestido florido de Sonhos e Encantos por entre as pernas e fechou sua caixa de música, com gestos lentos que a conduziu a recolorir antigas histórias que um dia uma amiga lhe contou com certa alegria no olhar e no riso, quando confessou:


- Sinto Muito! mas Comigo, carrego somente as Violetas que Plantei . Escrevendo e Semeando eu vou, Vestida de Saudade, transformando Pétalas de Uma Flor em Mim em Interioridades e Em Cada Cor Diferente que Tente Me Clarear. Do Meu jeito!


De imediato o seu íntimo retrucou:

- Eu também! Sigo Palavras e Busco Estrelas e já que é assim, A Gente Podia Se Ver no Ar. Afinal, É Pelo Sonho que Vamos!

Foi então que desprendeu um verso dormido nos lábios e outro no coração ao abrir o Diário de Um Ano Bom e relendo os seus Quinze Contos Mais, sorriu lembrando e fechando os olhos: Ah, esses Versos deLírios!

Ali continha seus Fragmentos, a sua tecedura e toda a sua colorida mania de acreditar nas verdades do seu vasto coração, Além do Quintal.
E coisas do coração, minha gente, são Estrelas da Nossa Vida pinceladas em Papel de Seda que toda a sua capacidade insistia e teimava em sempre poder TransFLORmar-la ... em uma boniteza sempre maior e mais sábia.
_______________________
*re-editado.
Pelo motivo de serem tantos, os meus amigos queridos, peço desculpas àqueles que por ventura não se apresentam nesta lista, por esquecimento meu ou por outros fatores. Deixo-os saberem de que não são menos importantes, nem menos queridos e que o meu carinho e reciprocidade são imensos à todos vocês que me rodeiam e moram aqui desse lado do peito - o de dentro.

│ Samara Bassi │
Pra  hoje: 
Bem da vida by Vanessa da Mata on Grooveshark

2.3.13

Nem todo amor sabe esperar

2.3.13
Colorimos
Sabe, menina. Assim como as horas que transitam no breve espaço que os dias costumam e costuram na vida da gente, o amor é ainda o tecido mais forte, o mais nobre e o mais bonito... apesar de alguns bolores. É ainda um intuito de fazer crescer na gente, essa teimosia sem paralelos. Essa coisa que você também conhece bem que eu sei! De querer se jogar e encurtar as distâncias que não podem ser encurtadas sempre quando a gente quer. E é aí que todo mundo é igual e insiste; por rebeldia ou contradição.  E enquanto a gente desalinhava um ponto, refaz um nó sem apertar demais, também constrói laço, abraço, choro e casa feita de cobertor.
É assim menina o amor na vida da gente: uma rede de cores e trançados que vão ao longe dos olhos e que vez ou outra, embola tudo aquilo que o coração alinhavou cuidadosamente.
É também, essa descarada maneira de fazer embrulhos quando a gente sente frio, de ser transparência como água de rio. Mas também escuro como manto da noite. E sabe, menina. Ainda assim, o amor é constelação. E brilha. Compartilha até os seus dias mais sombrios, cantarolando sem nem desafinar. É desafio pro coração da gente.
Mas deixe pra lá, eu só desconfio, confio, teço um fio pra fazer roupagem em outro lugar.

Menina, menina. Destranque o portão que logo chega aquela carta pra você!

Vai, anda! Deixa de lado esses recortes mal dispostos sobre a mesa da cozinha e vá sentir lá fora o perfume dele chegando e o querer se aconchegar mais uma vez, mais um milhão de vezes nas horas mornas, pintadas de esperas e fotografias manchadas. Esses olhos se fitam e se conversam sem dizer palavras. E mais, se entendem. E isso menina, é tão bonito e cada vez mais raro - como abraço de manhã.
A gente nunca sabe quando é hora de ver partir. Só sabe que é assim que a gente vai se (re)partindo aos poucos.
Então vai, menina! Nem todo amor sabe esperar.

│ Samara Bassi │
Pra hoje: 
Dois by Tiê on Grooveshark

7.2.13

O quanto de jardins sobreviventes há no mundo?

7.2.13
Imagem: Weheartit
Ando olhando com leveza outros quintais.
Tateando as cores, texturas, tentando compreender o porquê de estarem ali, de serem como são, de estarem onde estão. Devagar, meus cílios acenam para cada detalhe debruçado no seu (en)canto e procuram; como brincadeira de tatu bola e esconderijo, contrastes de luz e sombra. E, não se pode negar: o colorido prevalece. Até mesmo os jardins monocromáticos se mesclam nos tons. Escuto um som, um tom, um olhar mais brando conversando comigo. Eu sempre soube de que há sempre algo de amigo pousado das folhas. Vejo bolhas de sabão se romperem e chuva colorida se desfazer na próxima ventania.
Não saio do lugar, mas ainda assim vou longe. Meu pensamento é um entendimento distraído que pega sempre a mesma carona num cintilar e outro, numa paisagem e outra, em qualquer história que me conte várias formas de acontecer.
Ei, eu sei que há outros olhos também olhando meu quintal. Desvendando meu jardim.
Meu jardim sobrevivente (?).
Descanso o caminhar e me ajeito nessa aura, me amadureço nessa ideia sobre jardins sobreviventes.
Olho com carinho cada uma das minhas sementes, o que floresceu e quantas vezes floresceram depois das chuvas. Das cores, dos cinzas, das cinzas...
É, chuva também floresce!
Todo dia, todo instante há num mundo alheio às nossas flores, outras cores mais, outras sementes a mais, barulhos demais. Há algo novo e sempre antigo. Há sempre algo vívido, vivido. Todo jardim sempre há uma novidade, se para o bem ou para o mal, mas há.
Há vontades se agarrando com gavinhas para transpor limites, obstáculos. Há um mundaréu de criaturas nos tornando melhores, ou não, nos recompondo, nos destruindo, nos reconstruindo.  Somos ainda, vasos de flores, apertados, querendo transbordar. Queremos sempre renovar um olhar qualquer.
E se pararmos pra pensar, cada um é ou carrega em si um jardim sobrevivente. Não um jardim em si, pois isso é apenas uma metáfora, mas cada um carrega em si um impulso constante de germinar, de rasgar amarras e desnudar seu pequeno corpo diante da luz, florido de urgências e continuar. De qualquer oportunidade terna como se esse gesto fosse um afago na alma, atento somente aos olhares mais compreensivos.
E são muitos, muitos, muitos jardins por aí. Ao nosso redor, na nossa casa, e dentro daqueles que vemos todos os dias, mas nem sequer sabemos o seu nome.

E  quanto de nós ainda persiste?
O mesmo e tanto mais que de nós ainda floresce!
Cada ser se torna um embrulho único de bonitezas que carrega na alma, como aprendizados. Cada ser é uma flor diferente e tantos deles se assemelham aos nossos jardins. E claro, jardins também se fundem por afinidade, por sintonia. Cada lugar se faz encantado à sua maneira. E, falando-se de jardins, os semelhantes também se atraem.

Cada ser é um fruto que amadurece. Que vez ou outra cai, apodrece padrões, descostura ramalhetes, carrega um perfume peculiar do jardim que cultiva em si.
Conhece-se a flor pelo perfume - feche os olhos mas, atente-se aos sentidos, aguce-os. Os cheiros que cada jardim carrega podemos dizer que são como impressões digitais.
E quantos deles não se reconstruíram em meio a relva, em meio a essa selva de parasitas da alma. Que com o tempo, é costume nos tornarmos imunes.
Quantos já não se acostumaram a germinar apesar do cansaço, do fardo, dos estilhaços; toda primavera por que sabem que há uma força maior e mesmo que suas sementes hibernem um tempo necessário, há de se (p)render sem pranto longo demais n'algum sopro de vida e que sem querer, já se faz latente... já que brotar, se torna inevitável.
Quantos jardins não se curvaram às ervas daninhas e quantos além não foram sufocados? Enquanto tantos mais desabrocharam por entre elas. Que só bastasse um espacinho, um vão de areia, uma fenda na rocha.

A vida se agarra às oportunidades. Se faz fecundar sobre as hostilidades. (sobre)Vive.

Cada um de nós carrega em si uma importância gigante, uma simplicidade bem quista que vai muito além das sementes que se deseja regar.
Cada ser constrói um cenário com as dores, amores, com restos de cores e pólen pra colorir da melhor forma que pode oferecer. Cada um se envenena com os próprios espinhos. Outros mais, reviram a terra, descansam dessa guerra de sempre querer lançar pulgões sem nenhum porquê. 
Somos todos jardins sobreviventes. Somos todos jardins, acima de tudo. Uns delicados, de flores miúdas, outros mais avantajados como imensas florestas. Uns comportam espécies semelhantes, outros, misturam de tudo em todo canto.

Há jardins que cantam. Como há jardins que guardam segredos.

E por sermos assim, que sejamos sempre livres para atrair o que nos floresce, o que nos frutifica.  Que todo jardim comece com um punhado de amor lançando seu feitio e que todo esse amor, se transforme em um tanto mais, em um punhado a mais e exista de alguma forma, resista da melhor forma ... pra recomeçar.
Que as esperas sejam amoras frescas, colorindo o paladar com o que a vida tem de melhor. E de sabor mais brando, quando assim precisar for.
Secar? secaremos algumas vezes, muitas vezes. Esqueceremos de (nos) recolorir, quase sempre diante dos nossos próprios olhos, porque o amanhã é uma semente que cultivamos no hoje. O que nos falta ainda é a paciência para respeitar sua hibernação e vê-la germinar.
Mas o quê todo jardim viçoso sabe, é que a poda restringe, mas recompensa com uma fortaleza bem mais comprida e cativa instalada no peito.
E que todas as flores, recém cortadas, floresçam talvez de um outro jeito. Reaprendido. Mas floresçam, refloresçam e repassem o gesto. Que cada indivíduo ornamente os seus canteiros com zelo, com olhos de recomeços. Pra além do seu próprio jardim. 

Que não nos esqueçamos nunca de que somos um milagre gigante.
No antes como no para sempre,
Sim.
│ Samara Bassi │

'Enya - Only Time'

13.1.13

Fita de cetim

13.1.13
Imagem: Patricia Metola
Abriu os olhos e viu: fita de cetim entrelaçada aos dedos, como se os gestos fossem presentes coloridos e lançados à tantos dias de não se fazer esquecer. Com ela, desembrulhou o íntimo pressentimento da tarde e enfeitou as tranças dançarinas e a barra do seu vestido, de pernas curtas;  mas prenhas de estrada.

 - Cintila o norte na íris, ó menina!

E como quem fita nos olhos tantas voltas de um mesmo caminho, (pros)siga-o sem receio algum.
Há sempre de haver uma prece guardada nas mãos.

│ Samara Bassi │

12.1.13

Céu-caminho

12.1.13
Imagem: Weheartit
"Uma vez em um conto de ninar, em algum lugar além do arco-íris pássaros azuis voam. Acordar onde as nuvens estão muito atrás de mim, Onde problemas derretem como balas de limão. Atrás da lua, pra lá das chuvas, em algum lugar acima do arco-íris"

[O mágico de Oz]

15.12.12

Flamboiã

15.12.12
Google
Parece-me um Flamboiã, um arrebol da manhã colorindo a íris desse encanto sem pranto e, mesmo que o meu dia e cada abraço seja pela metade em todos os meus passos postados no rodapé daquela calçada aquarelada; faça das minhas muitas e mesmas manhãs essa imensidão dispersa, decorada e ancorada de Deus(es). 
Saiba caber num instante qualquer, na minha retina, na âncora das minhas mãos. Saiba que assim é que eu me derramo inteira. Sem beira nem eira.
Me guarde em suas rezas todas as minhas esperas, meu bonito Flamboiã.
E naquele falsete sussurrado de passarinhos que logo me ancoram qualquer resquício de sol e sorriso, deito-me nessa cama de flores, os meus amores todos e, mesmo que sejam metades, que sejam amarelos, coloridos de qualquer cor e preenchidos de qualquer amor... que a metade seja sempre   uma inteireza que complete a gente.

│ Samara Bassi │
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