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31.8.18

Pequeno calendário

31.8.18
© samara bassi
Toda calêndula nos ajuda a caminhar. Nos permite apreciar detalhes com olhos mais de sol. 
Toda calêndula é tão caleidoscópica-lua-nova.  
Calênduloscópica-lunação e que, de telúrica que é, 
nos ensina nuances de coragem e enraizamentos para florir. 
E rir! 
Ir sem desprender-se, dividir sem se despedaçar. 
Toda calêndula é grande no seu pequeno porém, duradouro calendário. 
É que a sua persistência não é birra ou sequer teimosia. É só dom.
E sol!
Nada menos.

│Samara Bassi│


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15.8.18

Agosto-ventania

15.8.18
© samara bassi

Sobre ventos: agostos sempre dão o ar da graça. Explico! Agostos são etéreos por natureza. Ventilam os mediastinos solares de uma cor mais vendaval. Desabrocham pulmões empoeirados de nunca florir. É sempre em agosto que os ventos são mais donos de si... à (meu) gosto, como tem que ser: desgosto é dos meses que não o são — livres, por não saberem o quanto ainda podem ser.
*escrito em 01/08/2017
│Samara Bassi│


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22.9.17

O que te movimenta te alimenta?

22.9.17
© samara bassi

“O que faz andar a estrada? É o sonho. Enquanto a gente sonhar, a estrada permanecerá viva. É para isso que servem os caminhos: para nos fazerem parentes do futuro”. ~{mia couto}~🍃

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8.4.17

'Bem'droega

8.4.17
© samara bassi

Dormiu na presença estranha dessas lembranças pueris, perdidas nas montanhas do seu berço de ontem. 
Desceu rápido tuas escadarias avulsas com vento nos pés e rodopiou tuas risadas leves e breves de um tempo grato e doce. Um tempo confeiteiro e peralta que me tráz avisos de boas vindas, de boa vida e de bons lugares... desses lugares tantos que só enraízam por dentro e acontecem sempre sem desvios. Por perto, há espaços que vingam qualquer chegada e coincidem na luz dos dias mais equinócicos. Das noites mais alinhadas com as estrelas mais avantajadas. 
Sabia perder o rumo por entre as ervas aparentemente daninhas, vestidas de bolinhas azedas e coloridas de Beldroegas. 


[beldroegas - dessas que nascem nos quintais mais felizes.]


Nas auras mais preenchidas de risos largos, de pé no chão e cor-de-todo-dia... que todo menino e menina conhece na palma da mão. Ou que já estouraram as cores no paladar mais próprio do não esquecimento.
Um tempo onírico de crenças que não tinham paredes, que não morriam na chuva, que não se fartavam de dores porque dores, não se criavam ali.


E eu, eu á te disse, menina,  que teu espaço é um vento azul que te visita as bordas do seu vestido nunca usado, só guardado na mala.
Das verdes esperas, o teu lar é um olho esperto que olha o dentro que ninguém entende.

— Lembra que ante-ontem, eu ainda havia dito que toda semente é uma lampejo pronto pra vingar?

Que tuas araras são as pipas livres de todos os pesos que sobravam nos calçados. Na sola dos pés descansados da corrida no capim, tuas flores surgiam afoitas todas assim, mordidas por debaixo da unha.
Já disse que essa tua terra é um espaço honroso desses tantos quintais que te moram e te demoram sem amarelar. Te acompanha teus campados férteis de ontem e amanhãs com risos que te cumprimentam o coração. E, dessas validades sem volta e sem revoltas, é que se estendem como lençóis vastos de tantas historias, os teus passos mais compridos de sonhos.
Acenda teus olhos de ontem e ache a saída!

— Tem pirilampos no pote, lembra?

Tem bolinhas rosas e vermelhas, amarelas e laranjas que já nasceram e também deixaram tuas raízes pelos corredores úmidos de chuva farta, de umidade de casa bem regada, de vida e de lembrança que germinam até hoje esse punhadinho de cor, de coração bem ventilado. De colorido minúsculo.

Esmagou nos dedos um sorriso pequenino tanto quanto o teu tamanho, e saiu em disparada com mais presenças amigas e irmãs. Sabia nunca estar só. Só, era o pó que deixava pra trás descendo o morro, atrás de todo instrumento solar.
Tua aura é lar. Meu lar de todos os tempos. É meu vento brando de bonitezas e bem dizeres que clareiam.


[me parece fábula doida essa menina, mas ela é mesmo um resquício de todo melhor que se pode guardar de si mesmo. Me ensina a não desgrudar o foco daquilo que mais faz feliz.]


E felicidade, meu bem, eu digo mais: é qualquer punhadinho de brilho que se pretende criar.
Um punhado de sol que se guarda nos bolsos, um calor estourando os miolos e a cor de terra das últimas vidas tão bem acalentadas... por todas as próximas.

Soube aprender ainda, e a ensinar também, que felicidade é festa que se faz (por) bem.

E que em qualquer dúvida, me mostrou ainda:

— Confetes de beldroega?
— Bem...droega, menina, BEMdroega!

É por bem que se (es)colhe a cor, viu?!


│Samara Bassi│


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24.7.16

Partir é ir em par

24.7.16
©2016 - samara bassi

Eu guardo festa nos cabelos. E na ponta dos pés. Não porque é assim que deve ser. Mas porque eu quero que seja assim. Acredito que as voltas da vida são cirandas que nos ensinam os ciclos de cada dia. As revoltas de cada dia. Cada dia em si. 
Desde que aconteci meus eixos em vertentes de repetir manhãs, eu deslizei meus cílios cadentes no teu pescoço de lua. Um espaço sagrado que todo mundo tem. Só não tem como você!

Talvez você que eu nem conheço mas que acha me conhecer, me estranhe falar assim:
— É que o melhor da vida nunca há de vir. Ele sempre está passando por entre o vão dos dedos e debaixo das saias mais abusadas. Não, não! Não há de se temer ser quem se é. De rodopiar vulgaridades aos olhos alheios até porque, eles não sabem de nada. Não sabem da gente. Não sabem da leitura interna que cada coração que, timbrado de cicatrizes, 'embrailiza'.

E você?, cansado de ver teu corpo solto numa estrada qualquer, há um qualquer de hoje que sintetiza tua caminhada toda. Não sei qual a tua rota, nem da minha eu sei. Mas busco. Me iludo com o tempo ruim que faz sob as nuvens e transmuto-me, vazia de dores mais transparentes do que eu.
Acredito nas vezes que me diz que teus olhos são lápides velhas escondidas por baixo da terra. Qualquer um diz isso. Quem fala de si, certo deve estar. Quando falo de mim, falo de terra. E você deve estar cansado de saber que terra e eu somos uma coisa só. Não sozinhos. Da terra, eu apenas me misturo quando é dia de ser do mundo. 

Meu mundo é pedaço de chão, meus sapatos, a sola de um pé que não cansa de topar seus dedões com formigueiros e que... também sacralizam teu jeito de benzer raízes, de alimentar a seiva da própria identidade. Minhas raízes são livres e fortes. E fazem tua casa onde bem entender. Se bem que casa minha mesmo é um pedaço de asa e um punhado de vento. 
Pra quê lamento, quando se tem pra onde ir? E um abraço gostoso que se encaixa tão bem no nosso corpo e alma todinhos?! 

Lamento pra mim,  é leito de rio que não se contenta em ser água, quer ser represa.

Você, que me vê mas não me sabe. Eu é que sei de mim. De mim sei o bastante pra não me acovardar dos restos que deixei pra trás. Das lutas que lutei sem perdas. Das perdas secadas sobre as pedras de um muro, numa estrada de terra qualquer. O meu lugar é qualquer um. Mas não é um qualquer que me cabe tão bem. Sei lá. Há tanto que se ouve dizer por aí em partir. Não que me doa seus conceitos, mas me rastreia teus versos soprados como quem se dói a toa. 

Partir pra mim, é como parir um outro hoje e acrescentar estradas aos olhos. 
É abreviar os momentos enquanto eles são mágicos. É não se prender na dor, mas aprender a si mesmo e isso, acredite, dói!. 
É também, se concluir num olhar de azul. De qualquer cor. É ir, apenas, pra um bem querer maior. 
Partir não é separar, é juntar.
Partir é ir em paz. Mais, partir é ir em par.

│Samara Bassi│

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22.4.16

Ventos do Sul

22.4.16
©2016 - samara bassi


♫'o seu traço dá nova visão
seu compasso traz outra razão
o meu passo sai da contramão
era um outro azul vindo...

a luz do sol
como essa manhã
faz meu caminhar livre
e o meu coração vibra'♫
-bruna caram- 

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18.1.16

Ciranda de Gaia

18.1.16
©2016 - samara bassi
O meu corpo é constelação, translúcido de vontades. Tua ira, tua volta sem ruídos de vento por um instante. O teu som é murmúrio de besouro, pio de passarinho. Tua vida ancora no meu ventre, todas as nossas crianças. Esse é o tom antigo que toca todas as músicas. Por dentro das vidas que não vingaram, retorno-me como semente, como a seiva do sagrado veio dos teus rios. Sou mulher de acrescentar caminhos e de olhar cada um com meu coração aberto. 

Te recebo todos os dias num levantar suave de raio de sol. Teu arrebol é singular, como uma prece de desabrochar cirandas — essas mandalas de todo ser e que põe sempre toda vida em movimento. Tuas raízes abençoam os meus pés inertes na tua lama, na tua cama de folhas e de todas as flores colhidas de ontem, faz do incenso aceso de todas as eras e de todas as ervas,  a alquimia d'alma essa sabedoria anciã. E devastada.

Aprecio teu canto me rondando as têmporas. Houve um temporal guardado na minha lembrança sobre o que já é sabido: as tuas armas não coincidem com guerras mas aprendem a lidar pacientemente com a beleza, querendo voltar ao que era. Te alimento em mim. Sim, te deixo fluir! Te deixo girar o carrossel do tempo. Te deixo em paz pra cultivar a paz que me dá.


[... o teu sol é o meu girassol ancião!]


Sou terra e da terra sou ente, parente. Sou filha de Gaia, da lua e do mato. Sou os meus passos nus na tua estrada de pedras. Respeito o contexto e tua marcha me marca a próxima moradia. Tuas montanhas, o meu seio e ponte. Instinto me aponta teu vento e é circular. Leva assim como traz. Não é preciso choro, nem desaforo. Desabafos, somente de chuva. Há lágrimas ainda regando as raízes dessa tua flor de sal.

Vê! Também me senti flor, ainda em botão. É que o teu desabrochar me preenche as marés de aguar jardins, esses internos. Desses invernos não tão rigorosos. Sei que não há de ter mais mágoa nas tuas águas que me correm e morrem sem benzer cristais.

Aprendi contigo, a respeitar os ciclos, a me enluarar de luz, de traduzir a conversa dos lobos e de saber entender que todo renascimento é uma ciranda que nunca termina. Que se faz feminina em qualquer gênero. A humanidade é uma grandiosa forquilha que ainda não se percebeu, minha mãe.
Ciranda então nos meus olhos, como sopro nos cílios. E como vento que me arrasta, também me revela esse teu mantra-semente. Há de saber que tua parte fluidifica e compõe toda a minha arte. Nela, há impresso toda a tua energia e prãna, que gira, gira, gira um universo vivo e em expansão dentro de mim.

Minha mãe, minha terra, planto meus pés pra te consagrar a vida. Nossas voltas juntas são sementes que também haverão de germinar em mim. Por enquanto, a minha autogestação te acompanha e te conta histórias, também de frutificar amor.
Pra você, o meu coração é mandala que nunca termina. 
Não finda, só recomeça. 
Como tu!


│Samara Bassi│


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11.12.15

Ex(plí)cito

11.12.15
google
Seremos, 

faremos o ventre atropelar estrelas
e todo o resto dissipar por entre
as curvas desse olhar travesso,
desse jeito festeiro 
de me desarrumar 

[por dentro]

Por fora,
essa boca desnuda de todo o pudor,
de cor e suor,
desse verbo delirante,
aconchegante por entre os meios,
por entre os seios
esse ser teu centro,
ser teu dentro
e me (derr)amar a pele,
vertendo em rios todo o meu suor.

Entre!

Nessa lasciva boca me provando o sal,
esse não querer o mal
por entre os dedos
que nos transmitem (e)terno,
esse belo e
enlouquecido tom.

Sussurros em falsetes
decorrentes,
recorrentes,
sementes
de todo verbo
mal desavisado:
não se desmisture de mim
as tuas águas todas
e dos meus leitos
seja a chave que meu peito esconde
e me inunde de ti,
daquele jeito teu
em mim.

E perto,
sorrir tão certo
quanto
descoberto (v)ir.

Descubra-me na nossa perdição!

Cubra-me!
nesse teu inverno incandescente,
dessa querência destilada
toda a nossa essência indecente
de me verter água de cheiro
no teu se derramar inteiro

[do começo ao fim].

│Samara Bassi│
*interação ao poema de Marcio Rutes, aqui.


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9.11.15

Capim-limão

9.11.15
© samara bassi

A minha saudade é passarinho,
é um crescido guardador de meninos,
é asa fechada formando abraço e um pedaço de ontem.
Rua arborizada de sabiás laranjeiras,
tua semente pronta de sol e riso.
Teus olhos de ninho, é a minha maior de todas.
Um lume breve de sim,
em mim,
flor de capim-limão,
de amarelo-recordação,
tua mão de (pa)lavra no meu coração,
sempre me abrindo espaços de permanecer.
Ser breve,
brevidade leve,
levada ser,
por um dente-de-leão.

│Samara Bassi│

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10.10.15

O meu quintal é o meu templo

10.10.15
'Tudo se decompõe para, depois, formar ou reformar algo. E assim foi, desde a (re)criação de tudo o que conhecemos. Poucos entendem. A grande maioria se perde na plenitude de suas mentes egoístas. Esquecem de pensar com a alma. Mal sabem que quem voa é a alma, 
e não um corpo dotado de asas. Um pássaro é assim, 
só voa porque é liberto.' 

© samara bassi
Há de se saber e sempre foi assim de que 'o nosso templo pode ser e estar em qualquer lugar' e, dentre tantos outros lugares, dentro ou fora de mim, o meu quintal é o maior deles. Nele está o meu melhor e me faz ser melhor. É dele que vem a minha construção, a renovação e muito aprendizado, sobre humildade, inclusive. Nele existe a troca, a moradia, a simbiose energética. Ele comporta ainda, muito mais que a minha observação diária, mas as pequenices que também são importantemente grandiosas. E extraordinárias. É nele que encontro-me fora de mim, mas nem tanto, pois quando me conecto a ele é a mim mesma que estou centrada. No meu templo existe o respeito e sim, a gratidão por tudo o que ele me devolve.

Mas, entenda:  não falo de nada absurdamente rico ou luxuoso, muito pelo contrário. Falo é de coisas valiosas pro coração da gente e, entre riqueza e valores, há de se notar uma ponte extremamente comprida e instável. Antagônica, até. Falo das rusticidades que se mostram tão delicadas para olhos hábeis de sensibilidade e mediastinos abertos, livres por um sopro de ar bem morado no perfume das laranjeiras e das flores de jabuticaba. Mas confesso que as de lavanda são as minhas preferidas.

Talvez ele seja o meu lugar no mundo. O meu coração está ali, em cada canto, em cada flor, em cada planta. Em cada passarinho que nasce, em cada passarinho que canta. A minha mente está nos olhares que ela capta — dos assustados e arredios aos que se chegam querendo uma parte do que me compõe.

E eu doo, não dou. Ofereço ainda, é um punhadinho de sementes para quem quiser também germinar, principalmente, por dentro. É esse o solo-fértil-coração que se percebe cultivado tanto em minhas palavras.

Lá, também aprendi que mantras são mesmo os murmurinhos que escapam pelos serzinhos de bicos e penas.
Que os besouros, com seus corpos avantajados, sempre nos provam de que podem ir além. Formigas se ajudam, Um broto que estoura faz sem saber, a sua saudação ao sol, à vida, ao recomeço.
E por falar em recomeços, tem também aquele  do findar sem medos, sem lamentos e com sabedoria: o da terra de compostagem, dos ciclos, das transformações.
Das lagartas às borboletas.
Da natureza à nossa própria.

© samara bassi

O meu quintal é também trabalho, pois é no garimpo atento do olhos e das mãos que coleciono a matéria-prima para as minhas criações, as minhas inspirações. Dele vem quase todos os recursos para a confecção das minhas peças. Assim como de outros caminhos, sempre que me permito percorrê-los.

Ele, é também, quem me abriga e me recebe, num dia de sol, de chuva a contemplar-lhe.
Passo horas sentindo seus aromas, suas cores vibrantes, o corre-corre dos passarinhos. O meu quintal induz o meu estado meditativo, fortalece a minha filosofia e conecta-me a minha espiritualidade. É ele o útero da minha criatividade. Gesta-a e alimenta.

Manoel de Barros sempre esteve certo quando disse que "o meu quintal é maior do que o mundo". O meu, onde cultivo todas as minhas preces de bem-querer. Adubo-as com o coração. 

É um lugar que acredita em mim e onde me transformo, todos os dias, para melhor.
Desejo que eu também melhore quem estiver comigo.

│Samara Bassi│

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27.8.15

Etére'asa

27.8.15
weheartit


Todo mundo carrega um voo dentro de si, um pedaço de asa e mais cedo ou mais tarde, toda bagagem é um resquício de ave que nunca soube ser chão. 
Você também, em algum lugar, por algum tempo. Em tempo nenhum. E não importa o endereço, o minuano, a casa de hoje. O vento sempre empurra, ensina, provoca. Insinua o que, para olhos de metáfora, a indiferença é um contexto à parte. 

As minhas pálpebras se formaram rasas e como asas sempre abertas, não se acostumaram a dormir.
É por isso que eu vou voo na minha brevidade de sempre, sem tempo, sem hora. E volto, mais prenha daquilo que me permitiu ao leve. 
Eu sempre levei comigo esse jeito de saber certo, o meu lado mais errado do mundo. O meu avesso e o de não me prender. O meu lugar é o de não pertencer, ainda que me faça caber de alumbramentos. Nas etereacidades todas é que me demoro, lá, num morro de não ser casa.
Não morro se não for asa, nem se não for chão.

Lá, a minha alma entardecia num par de asas impadecíveis. Abertas, me cediam o voo. 
Sempre.

Me acompanha um sopro não medicinal, além das janelas, dessas daqui. Um golpe de ar vestido de sina. A minha urgência de vento é mediastinal. Golpes de ar são sempre medicinais. Te engolem por dentro, ventilam o espaço entre o meu peito e o teu.
E eu, eu me acostumei assim, porosa pra me permitir ao voo. Sei lá, eu ter nascido no 'mês dos ventos', talvez explique essa minha sina de asa. Talvez explique ainda, tanta coisa que não é de mim e ainda assim, possa me pertencer. Talvez, não explique é nada do que você queira saber. Ou suponha. E esteja aqui mesmo para suplicar o não explicar coisa alguma.

Têm tantas teorias debruçadas nas histórias de ontens que somente nos deixam um interrogar tonteado e arisco ao redor do umbigo. 

Parece estranho e contraditório mas, às vezes, deito-me de bruços que é para aliviar o peso das asas.
Não, elas não me pesam sempre, só quando a chuva é de dentro e os acenos, conseguem o feitio constante dos temporais, dos vendavais. Dos varais isentos, não dos que não cativaram suas asas, mas dos que não voaram e sem saber, dormiram teus olhos num horizonte volátil. Intacto, quase sempre.

É! E tem também, choro que vem da gente, mas não é da gente. 


[a gente pensa que não].


É a tristeza e a tristeza, é um tipo de mar!


Talvez, ela até seja mesmo é do mar, e não dessas coisas todas que a gente carrega, leva e trás sem desapegar. Acostumamos com pegadas em qualquer caminho, caminhos alheio as ondas. Assim, há mesmo de se comportar tantas águas, em tantos olhos que de profundidade acostumada, eu pouco me afogo.

É sempre como uma espera de um barco à vela que precisa ventar. Ir.  É uma espera cor de maresia, e dói, transcende em verde-água, mas abreviadas sejam as longas esperas, não as eternas. As eternas, possuem  a mágica estranha de arterializar aquelas que, por descuido ou desesperança, se despedaçaram pelo caminho. Perderam o viço.

A eternidade vivaliza os encontros. Os desencontros mudam de cor, de rotas, de ventos.

Eu, aberta-asa, moro num desses golpes, mais do que nas brisas. Me permito à demora das instabilidades. À moradia das impaciências. Me permito às Monções.
Mediastinos que se vestem assim, de correntezas sazonais, têm sempre um cheiro de vinda no ar. Essa etereacidade de boas vindas também ameniza, qualquer asa pesada, qualquer vestígio de dor.
Qualquer pálpebra livre, até fechada de não querer sonhar.

Estou agora, meu bem, prenha de eternidades.

│Samara Bassi│

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25.8.15

Pétangueira

25.8.15
© samara bassi

Uma coroa de flor imanta o meu caminho. 
Sigo debruçada na tua passagem só pra dedilhar o bem-me-quer que me ofertou. Sei que é no teu rastro que desintegro todo mal dos versos que não plantei, das sementes que nunca guardei. Eis então de florescer meus amanhãs e do teu cheiro, benzer meus dias que só por ti vingaram na raíz do coração. No meu arejar rarefeito, meus pulmões sabem o feitio de te sacodir num golpe de ar. É que te namorar tão vasta assim, é mais que impulso pra te alcançar sabor e como quem colhe amor, namoreia tua sombra ainda tão pequenamente frondosa. Sabes de mim e guarda meu olhar perdido no teu lado do quintal. Confesso que planto meus pés ao teu só pra não caminhar sozinha. E onde me deito, teu buquê me abençoa todo dia. Pitangueira, meu pé na beira do teu caminho de migalhas de pão, alameda a tua margem de renda no zumbir das abelhas. É muda de amor que não muda nunca. É alimento de vento.
Só preciso que saibas 
que o meu sorriso se acostumou 
a morar, 
a demorar 
na postura da tua flô.

│Samara Bassi│

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18.8.15

De azul entardecido

18.8.15
© samara bassi

Veste de vento teus gravetos longos de tempo sobre a minha cabeça. Passei a tarde toda ouvindo tuas histórias desembrulhadas de flor. Desconfiei que o relógio é um cantinho esquecido numa esquina qualquer e isquêmica do coração e então, te ancorei no olhar todas as tuas idas. Não, não me infartei de ausências. A presença de algo rasgando a cidade sempre distraiu o meu olhar.
Não sou de debruçar meus cílios em qualquer lugar e minha retina só guarda o que me tocar mais fundo. Ah, guardei um punhado de mundo por dentro dos sapatos e fui, à passos largos e cheios de pó. Fui só, como é de costume eu ir àquele lugar. Lá, meu refúgio é um lago de poça d'água. Não havia água, não havia lagos. As poças eram mesmo de olhos tristes. Olhos de quem tanto se faz dizer por tão pouca palavra. Frases, ali, estendidas no chão.

Um banco, um bando de pombos famintos de amor na praça, já é o bastante para compor sua canção mais livre de preconceitos. Se debatem por farelos e avessos a solidão, homens e suas sombras me contam que lágrimas são migalhas de pão de quem não voltou pra casa e, qualquer asa é uma afronta aos que se mantém presos nesse concreto em ebulição. Não são mendigos de sonhos, mas de realidade.

Meu peito não se encheu de ar por um mísero segundo.
Há em meu mediastino uma pausa de eterno que nenhum vento preencheu. Há o tempo de não se ir com ele. A sua morada é aqui, por dentro, entardecido de azul e sol — um arrebol de histórias plantadas diante do meu olhar.


[que não se esqueçam das regas, porque, toda história tende a florir].


│Samara Bassi│

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14.5.15

Sândalos azuis

14.5.15
danielle winter

Tão eu é teu enigma-cor. Sei de cor teu berço de florescer astrais, um cheiro de corte. Sorte a minha que te carrego nos bolsos teus etéreos caminhos. Tua fronte me dissimula o verso a brincar ser teu incenso, de ter bom senso e quando me despeço de ti, me despedaço em cinzas. É assim que me despenco. Pendo do alto. Emudeço o perfume, esfumaço no lume o meu sutil e escasso passo. Etéreo, sou. 


Entoo teu mantra-semente, minha mente é teu fumacê — abstrai o instante inconclusivo: Sou de um azul inventável! Colho sândalos e eles me levam pra casa. Hoje, guardei-os aqui: debulhados junto a matéria prima da minha essência hostil, desembrulhada aos poucos, nos poucos becos do dia.


Há uma luz que esquenta e transmuta todo som, todo tom, todo Om. Dá a luz à luz! Depois, trança a teia adocicada na sua fumaça parida.
— Banha-me no teu tom amadeirado, as minhas ídas horizontais!


 Há tempos que não me percebo, nem vejo tantos finais assim, com cores de boas vindas.
Veja por dentro:
— Sou desde sempre um emaranhado sinestésico debruçado nas flores com cores que não existem. Coexistem. Insistem, me disseram sim.


[ninguém precisa saber que sândalos azuis ainda não habitam um mundo, fora de mim.]


Teu rastro cessou. O incenso cedendo, abreviou o caminho.
E você, me ouviu?
│Samara Bassi│


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2.2.15

Teoria da asa

2.2.15
weheartit

Há um alumbramento solto por aí e eu, eu sou e dele faço parte: essa tal brevidade dos acontecimentos. Esse breve espaço que não vangloria certas eternidades vestidas no tempo. Porque até o eterno é composto de instantâneos que se costuram num caminho sem relógio, nem lonjuras. Um caminho tão bonito e tão bem servido de espontâneos da alma. E é no meio disso tudo onde mora o encantamento: no vão. 
No vão por onde ele também passa, se veste de asa e acontece n'outro lugar. De certo, só o amor permanece — eternamente breve e majestoso. Não é casa mas também não é voo, é aquele pouso de sempre, já (ena)morador dos próprios ciclos. No mais, tudo passa. Tudo, passarinha.

│Samara Bassi│

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16.6.14

A poética dos sopros

16.6.14
margherita arkaura
Um golpe de ar. Apenas um golpe de ar nos pulmões e a vida reage em cadeia. Dança milimetricamente, mas a passos largos. Flui além. Dos ventos sacudidos nas asas às cortininhas de casa. Da semente que paira e não pára de transpor barreiras às nuvens sem paradeiro. O impulso pra voz, a minha e a sua. O fôlego pra qualquer canto, em qualquer canto. É a nudez não imposta do interno e toda a sua força. 

Tem meu tom, meu som orquestrando sentidos que já não morrem nas flautas de quem não as tocaram. Nas harpas que não musicaram. Tem a minha energia inteira preenchendo espaços etéreos do meu soprar que não sai ileso, mas que também não me pesa. Não é mantra, não é reza. Não, necessariamente. Tampouco mistério. Nem assombra.
São meus ventos que me levam e me trazem toda vi(n)da em redemoinhos elementares. Que colorem o meu sangue e a minha aura. E todo mundo tem. É! 

Então, acordem e ouçam: 
— sobre os acordes que te ninam à beira da noite, em travesseiros de estrelas, há um sopro vital onde o verso é um encontro poético com essa essência que não se pode viver sem. Onde é, antes de tudo, uma inspiração. E de tanto vazio que pareça, o mundo é o próprio impulso de um gigante balão. É um centro vivo e quase solar que ri e ...


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                                                                                                a.


É brisa que se derrama, esparrama e que nos chama para ser ouvida. Não precisa ser vista mas sim percebida. Que se sustenta no ar. 
Um encantavento? Sopro a cataventar? 
Que seja. E que vente.
Que me soprará

│Samara Bassi│

© 2014. É expressamente proibida a reprodução parcial e/ou total de qualquer conteúdo deste blog sem a autorização do autor. A cópia não autorizada e/ou qualquer outro tipo de uso indevido da obra, implicarão em penalidades previstas na Lei: 9.610/98. Não viole. Conscientize-se e passe esse respeito adiante -

31.5.14

Do encantamento breve que não está nas bíblias

31.5.14
weheartit
Vem do fundo essa vontade que ninguém soube explicar até hoje: a do encantamento. Não que seja teoria ou tese, muito menos hipótese de doutrina. Mas se for, então que a minha religião seja essa. Mas, refletindo cá com meus rosários-para-qualquer-flor-e-seus-botões, melhor não. Melhor não, porque não aceito bem religiões que ditem os meus caminhos e pressagiem as minhas escolhas  nem as boas, nem as más. Nunca fui de nenhuma delas, embora me entregasse sempre ao ensinamento seletivo que cada uma me foi capaz de trazer. Como assim é.  

Aceno é para as ligações internas que cultivo comigo mesma e com cada um ao meu redor. Sou de questionar e de me permitir aos (dis)sabores, aos exemplos, ao encantamento. Me permito principalmente ao desencantamento das coisas, das pessoas, da vida. Ao desencanto por mim mesma. Ao decantamento da alma, antes que as aflições me exorcizem ou me cuspam em fogueiras de inquisição.  Minhas páginas não se rendem a testamentos e a minha brevidade é menor que a quantidade de linhas dos teus Salmos. É exigente, ainda que instantânea e os meus dogmas, são todos livres. Meu coração é meu pastor, ainda que por vezes não me agrade, não me ate nem desate em bons conselhos. Então, que não me venhas com tuas palavras em rezas impostas no meu portão! Não, não que eu não vá te ouvir, não é isso. É que palavra é mais que sagrada na sua intenção que na sua própria forma esculpida, só porque assim alguém também a repetiu em teu portão. 

Encanto-me como quem constrói templos e alguns deles, são pra vida toda. Peregrino cada momento é por dentro dos olhos porque o dia corre e ainda assim, me alcança e nem sempre tem tempo de fazer o sinal da cruz. Encruzilhada pra mim, é abraço cruzado na frente do peito e atrás das costas e ainda te digo mais: (me) protege mais que talismã. Me fortalece porque me recebe no outro, quando é tudo coração. Minha brevidade é um encanto pousado na flor que em horas se transforma em um resquício murcho sob o sol de meio dia, é passarinho voando sem pressa de querer pousar nem voar mais longe, porque é o livre arbítrio também da sua escolha de bem ou mal querer o próprio voo. É contorno de formiga cirandeira na folha da roseira, é não ligar pra ser ou não ser. 

Serpentes não são vingativas, elas são instintos sobreviventes da natureza. As pessoas é que são, enquanto eu aprecio, encantada, o sabor afrodisíaco das maçãs. Heresia? é somente a minha consciência que me dá sermão, que me tira a mão ou que me atreve ao gesto, enquanto que pecado mesmo é um dedo-pseudo-juiz-do-juízo-final apontado pra qualquer direção.

O meu encantamento é asfalto quente borbulhando em passos que grudam como quem não quer passar sem ser lembrado, sem deixar marcada a sua história num pedaço de chão. É natureza refletindo na janela cuspida de orvalho, de lama na porta do carro que não soube esperar demais. É de quem soube me aprender sem me prender. Sem me corromper em apocalipses egocêntricos. É meus olhos nos teus, por qualquer razão, inclusive a de te ouvir, quando tu vieres ao meu portão. Feitiços? as bonitezas nos hipnotizam diariamente e são tão simples que até nos esquecemos. Não, as bonitezas nunca se esquecem de nós. E se eu mantenho os meus joelhos no chão, é pra brincar de ser feliz. De procurar tesouros embrulhados de capim. 

E quem vai dizer que um encantamento assim não é morada? A tua criança guarda um anjo que te acompanha, mas não tem auréolas. É!  
E quem vai dizer que Deus não existe nisso tudo. Que não está em você e em mim, também?
Aliás, quem vai dizer que Deus tem um rosto só e que sua morada se assemelha a chãos e telhados de igrejas? 
Meus relógios não compõem sinos e também não badalam. É um tic-tac irritante, mas eu até que gosto.

A minha casa é minha igreja onde o meu quarto guarda um terço da minha própria construção. Meu acampamento é capela. O chão do meu quintal é meu chão sagrado. Não esconde ouros, nem dízimos. Pode não te dizer nada, tampouco sobre (meus) encantamentos que nele fazem novenas, fazem histórias, criam suas próprias novelas. A minha palavra não é santa nem tem pretensão de ser. Mas é para mim, um tipo de prece poética que abençoa o meu senso interno de humanidade.
É!

E quem vai dizer que a minha bíblia não é válida, só porque não cabe em minhas mãos ou que a minha fé é nula porque não acompanha os seus conceitos?
Quem vai dizer sobre o que não está escrito? 
Dito pelo não dito, bendito é quem condiz com o próprio coração. E o meu Deus é um sujeito bem encantador, viu?!

│Samara Bassi│

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20.2.14

Jardineira

20.2.14
Pete Leonard
Sabe bem desembrulhar a terra praquilo que quer vir à luz. Luzir os olhos ainda, pequeninos. E é de mansidão que revira um berço de novidades com pedregulhos e não se cansa, pois criança é um bichinho sem beiradas e de riso que escorrega sem cessar. De bem querer que rega o seu poema-cor-de-terra e como guerra querendo conquistar calor, dissipa seus 'porquês' que crescem acostumados ao sol, feito roda de caracol nas costas, feito respostas de isopor. 

[cresceu e apareceu no campo, jardineira pequenina.]

— Eu que quis tanto florescer formigas em vestido de menina, te fiz flor desinibida que não murcha sem amor.

│Samara Bassi│
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6.12.13

Essa coisa toda dela

6.12.13
Colorimos
Ao nascer, plante um sol. Ao entardecer, regue as rosas, e na noitinha, respingue seus incensos pela cunheira da próxima manhã.
Não passe pela vida. Viva ela.

Traga seus temperos em um saquinho amarrado na cintura. E sempre que necessário, tire o gosto insosso dos inversos que te habitam.

E no fim de seu ciclo, volte lá, onde plantou seu sol, e colha seus frutos. Pedaços fartos de suas saudades, de seus caminhos percorridos, idos e vindos. Amadurecidos e saboreados em cada instante dos seus momentos menos percebidos.

Não existe uma receita para adoçar os alimentos do destino. O que há é a perseverança em prosseguir, e a certeza de que o sonho de ser feliz é seu fermento, seu linimento.

Quer saber, menina?
Bonito mesmo é esse jeito alquimista de ser. Esse mesmo que faz a gente sonhar o que não existe, e ter o que se pensa impossível.
Bonito mesmo é esse jeito de construir castelos em cantinhos, de morar em ninho de passarinho.
Bonito mesmo é poder ser meio criança, meio adulto, sem medo das culpas e das proibições.
Bonito mesmo é amar sem hora pra dormir, e beijar muito na hora de acordar.

Bonito mesmo é esse teu jeito assim, de balangandã balançando em balões de vento. Jeito despojado de ser bonita. Jeito inocente de ser mulher atrevida.

Bonito é teu beijo. O resto... a gente finge que é pão-de-queijo.

"Doce bom é teu beijo. Não há tabuleiro que dê sabor igual.". 
PS.: frase citada pelo autor em comentário no Facebook.

│Marcio Rutes│

*publicação autorizada pelo autor. Conheça mais de Marcio Rutes em seu blog: Crônicas de Areia.
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24.11.13

Ela é feita de nuvem

24.11.13
Google
Saiu descosturando o verso, o desalinhável inverso do seu vestido, o seu traço pungente por baixo da saia e desaforada de sonhos, os teus (de)lírios brancos.
Um balançar de rede por cada fio desse cabelo, fez sua ode e num espelho dos olhos, coloriu o meio-dia de afagos mansos.
Desses desembaraços que o vento calça por entre os dedos, me enlaço sem medo por tantos vãos onde o sentimento e a amizade nunca foram em vão. O sonho é essa brincadeira de ninar enquanto a "vida é a infância da imortalidade*", é um abraço lampejando o riso sob o sol a pino. É esse olhar mesclado de bonitezas que ilumina os caminhos, ainda muitas vezes no breu. Nesse coração teu, é a casa pra se fazer lar. É um caminhar de mãos dadas, sem apressar os ciclos, sem desmentir os lírios, perfumados do jardim. É fazer ouro do que se sente, é presente, é sorte, um norte.... de para sempre, de qualquer lugar onde o sonho possa morar sem culpas, nem desculpas pra desacontecer. Nuvem que é, me empresta o teu véu? É pra tecer uma rede de desembrulhar maçãs. Ciclicidades mágicas, castelos de chuva esvoaçante... não há motivos pra essa cauda esfumaçada barrar nossa brincadeira de roda. Há fábulas num universo onde a palavra é varinha de condão e também cantiga pra lua cheia. É voo contando histórias pra pousar sóis de ciranda e manhãs de quintal sem tirar esses pezinhos do chão, menina-cor-de-rosa-cor-de-azul. Teu jeito de nuvem,  coração, faz a gente enamorar possibilidades antigas pra além do seu arco-íris-de-toda-cor. 

│Samara Bassi│

Johann Wolfgang von Goethe, filósofo alemão.
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