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6.8.13

A voz

6.8.13

O silêncio é a voz dos poucos que muito tem a dizer para os que restam dos raros que estão dispostos a não somente escutar, mas ouvir.
O silêncio para uns é vazio. Para outros, vastidão.

│Samara Bassi│

Change the World by DJ Okawari on Grooveshark

4.8.13

Para atravessar agosto

4.8.13

Almejo esse jeito bonito de todo dia, ou quando for possível, de carregar sorriso nos olhos e todo caminho trilhado com passos calçados de fé.
Eu quero a vida escapando das mãos.

[pelo único motivo de transbordar-se]

│Samara Bassi│

Bailarina by Djavan on Grooveshark

30.7.13

(amar)Elo

30.7.13
Havia flores por todo lado. Por todo o caminho e além dos olhos.
Havia perfume nas mãos de um homem com riso familiar e feliz.
Havia ali, risos pueris de quem colhia ramalhetes açucarados para construir buquês para bonecas.
Um aroma de Deus sentava-se a mesa para apreciar a vida simples, semeada em terras férteis.
Flores pequeninas coroavam uma pequena flor.
Cores lavandais e trilhas amarelas repousavam nas mãos daquele homem, fazendo curva no vão de cada dedo seu.
Havia ali, aqui, não sei dizer... um "quê" de bem querer fazendo casa e varanda e no balanço, um riso futuro mas que eu (re)conhecia bem.
Um incenso de nuvem e paz por todos os lados, em todos os quartos. Havia uma luz que me guiava, de olhos abertos.
Aquele perfume continuava perto, me incensando pela vida inteira, sem saber ao certo, sua fonte e origem.
Havia um sol púrpura correndo no peito, por dentro da sala com perfume primaveril.
Pétalas minúsculas e um sol central em suas mãos.
Um arrebol de amanhã me contando no hoje alguma história que eu não entendia bem, mas havia. Eu via.
E sem saber, eu sabia.

[e me reconheci ali, quanto te (vi)vi a me azular a visão nos teus olhos de céu]

│ Samara Bassi │

Let It Rain by Diana Krall on Grooveshark

29.7.13

Tu és a própria vi(n)da

29.7.13

Torna-te então a eternidade etérea do coração que pulsa duplamente esse teu ventre sagrado.

│ Samara Bassi │

Dreamer by Terry Oldfield on Grooveshark

19.7.13

Herbário

19.7.13

Ontem fui semente e folha seca por entre páginas. Flores mumificando a história do seu (des)acontecimento.
Sou no hoje, a essência fora de catalogação e ainda assim, recortes embrulhados em jornais como quem constrói enciclopédias colhidas e floridas para o seu auto-estudo.
Serei a próxima ramificação de mim.

│ Samara Bassi │

Pétala by Djavan on Grooveshark

29.6.13

Para o meu menino

29.6.13
Um absurdo sempre escorre pelo vão do dia, menino, quando há turbulências na porta de casa.
Mas escute com o mesmo silêncio bonito da sua infância, todas as vezes que te gritaram pedras pontiagudas e te feriram, sem você nem suspeitar. Não se importe mais. Não suporte cargas demais de outras vidas na palma das tuas mãos pequenas e tão hábeis de colorir com giz, o asfalto trincado e cobrir de flores a terra dos jardins.
Há flores secas no beiral da tua janela e não houve tempo de substituí-las. Tampouco de apreciá-las. Mas entenda que é assim mesmo que os canteiros vão murchando aos poucos: enquanto a gente nem se desvencilha do ontem, nem do anteontem.
Apenas regue um pé de verso no dia a dia, acarinhe uma muda de fé no teu canteiro. E (en)cante, sempre que quiser chorar, menino. Sempre e sem saber por quê.

│ Samara Bassi │

Estrela by Gilberto Gil on Grooveshark

23.6.13

Eco

23.6.13

Pois é diante da leveza mesmo que abrimos portas, que desp(ed)imos das vestes pesadas, o nosso corpo de pássaro - livre.

│ Samara Bassi │

18.6.13

Querência

18.6.13


Guarde as lavandas no bolso e queira, menina, se perfumar pra dentro.


│ Samara Bassi │
Healing Hands by Merlin's Magic on Grooveshark

2.6.13

Autogestação

2.6.13
Ventre exposto. Consciencial. Esculpindo caminhos abreviados. Confecção do ser. Inervação. Plexo solar. Solaris. Ventre "húmido", húmus enraizado. Da terra, para a terra. (h)um(an)idade . Gérmen, idade, germe, geme sua casualidade gênia e imposta de acontecer. Expansão da mente, ser mente, semente somente. Somente ser. Fluxo emergente. Voltar ao centro, dentro da gente. Entre. Seja um ente de si mesmo. Reconstruir com energias telúricas o reconstituir-se nas impressões anímicas. Expressão da alma. Calma. Cintilante inspeção da vida. E para a vida. Torna-te então a eternidade etérea do coração que pulsa duplamente esse teu ventre sagrado. Tua essencialidade regressa e em expansão. Desmorone o ato falho. Desabite o hostil que te fincam as vestes na lama e na cama, seja a morada adormecida sem desalinhar caminhos já tecidos sem você saber. Intua o próximo passo. Descalce tua obra inacabada e perfeita na tua rasura. Não seja a ranhura dos que sangraram nesse corpo, esse sopro abortado. Não seja o abortivo das tuas próximas vi(n)das. 

Desviei o caminho que meu centro atribuiu ao sol, sua explosão incandescente para dentro do peito. Fecundei a parte mais intrínseca do meu eu numa abertura estelar, confeccionando estradas venosas, venenosas que o mundo dispersou. Calei-me por entre as estrelas. Cordão de prata que me nutre e simula a vida nesse plano interno, tens a minha maquete nessa terra desiludida de tantos que nascem, garimpam e (aparentemente) morrem sem se conhecer.

│ Samara Bassi │

Dreamer by Terry Oldfield on Grooveshark

© 2015. É expressamente proibida a cópia parcial e/ou total não autorizada de qualquer conteúdo deste blog.

8.4.13

Acalma-te

8.4.13
Imagem: Weheartit
'A alma mora lá na respiração silenciosa'

[Rumi]
The Light by Merlin's Magic on Grooveshark

14.3.13

Pra me (re)compor

14.3.13
Então, que voltar é preciso. Voltar diferente com a mesma canção compondo os dias que feitos de hoje, nada mais são do que os ontens que ainda ficarão pro amanhã decidir. A vida da gente é assim e eu, eu venho há tempos cantando aquela mesma música que me embala nos dedos;  encontros pra vida toda. E também desencontros, se forem preciso. Eu sempre venho. Eu sempre vou. Eu voo e pra sempre volto. Não me revolto, não. Retorno, contorno meus próprios nãos e apenas os enlaço em torno do meu pescoço para fazer colar com as minhas inconclusividades crônicas. Sou inconstante por teimosia; por natureza, sou intrigante. Metamorfósica. Eu, na verdade, sempre acho um jeito de me (re)compor e desnudar minhas canções das velhas roupagens.

│ Samara Bassi │
I've Got You Under My Skin by Diana Krall on Grooveshark

10.3.13

E não é?!

10.3.13
Colorimos
Mas, menina! Coisa bonita é essa flor miúda no seu cabelo e que ninguém vê,  mas que faz uma diferença grandiosa sem aparecer. E ninguém entende. Todo mundo procura, pergunta se foi o corte novo do cabelo, o novo penteado e continua  não enxergando qual é e onde está o detalhe tão minuciosamente entalhado... tão ali. É que muitos ainda acreditam que o bonito tem sempre que ser maior que os olhos. Né?

│ Samara Bassi │

3.3.13

Itinerário para as entregas

3.3.13
Imagem: Stephen Welstead
23:45 hs. Sábado frio, quente, chuvoso. De céu aberto e estrelado. Nuvens com considerável cerração e luz de lua.
Era um céu convidativo, em todas as suas formas e nuances.
Horário que conseguiu chegar em casa, após um dia cheio e repleto de afazeres.

Ela, estava cansada e sentia-se mais cansada que o normal. Desejava somente fechar os olhos em paz e livrar-se de todo o peso que acometia o seu corpo pequeno e a sua mente (de)vasta(da), quase que completamente.
Ainda havia algum trânsito que lhe passava indiferentemente ao olhar a cidade acesa e bem movimentada pelos bares e danceterias .
Quase que mecanicamente, passou a contar as poucas pessoas que lhe passavam diante dos olhos ou que distantes pudessem ser vistas e, distraída de todo o resto, se perguntava em que elas acreditavam, sobre o quê pensavam, quais seriam os seus sonhos, os seus medos, será que tinham um amor, escondiam alguma dor... que história elas teriam para contar?

Foi um passatempo bom. Tão bom que passou do ponto!

Caminhou de volta àquela curva onde morava e mal abriu a porta, jogou tudo que carregava em um canto da mesa. Estranhamente e diria mais, de forma ritualística, sentiu-se mais aliviada quando tocou, com os pés descalços, o chão de cimento cru da sala.
Soltou os cabelos e acendeu apenas a luz da escada. Foi então que notou que o silêncio não estava só dentro dela, mas fora.
Circundou o olhar pelo ambiente, quando pode notar mais um daqueles bilhetes pousados ao lado do telefone.

- É, casa vazia!
Sussurrou.

Estranho como tudo o mais parecia esvaziar-se também... mas, naquele momento, era tudo que precisava e o que mais desejava: o vazio. Mas o vazio de fora, para que o quê houvesse por dentro pudesse transbordar e preenchê-lo.

Sentiu-se inerte num sossego sem igual que aos poucos se transformou em sorrisos internos até que alcançassem os lábios, podendo ser vistos... por ninguém (?)


[talvez houvesse alguém ali, de alguma forma, com algum jeito especial de olhá-la. Pois cada gesto seu era uma dança, daquelas que se sabe e se sente ter "expectadores". É que a presença sempre deixa rastros por dentro da gente. A falta também.]


Sentia- se bem assim, tão sozinha, tão consigo. Tão vazia e repleta de si.

Esvaziou o peito de todo o peso que sentiu carregar durante o dia inteiro, de todo pensamento e sensação triste que aquele dia havia lhe trazido.
Mais que imediatamente, desligou o celular e apagou a luz que ainda estava acesa. Não era necessário tanta luz para quem só queria mesmo era perder o olhar no próprio escuro da sala.
Um vinho cairia bem. Tão bem como fez com seu corpo, deixando-o cair largado no sofá ao som de uma música maravilhosa, enquanto acompanhava a melodia com o balançar dos pés.
Naquele momento, parecia ali ter encontrado o melhor refúgio de todos os tempos.

Estava frio e um banho quente talvez seria melhor ainda. Uma ótima opção e também um bom remédio para curar insônia.
Lembrou-se de que havia tempo que não tinha um tempo pra si, que não respeitava o seu próprio compasso, e muito pelo contrário, sempre se via às pressas consigo, com as outras pessoas e ali percebeu o quanto se precisava. E se tinha por inteira. Essa era a chance.
Havia todo o tempo do mundo e tudo ao seu redor pedia pelo melhor banho existente. Pelo “ritual” mais renovador que o seu corpo e sua mente estavam desejando e mais, necessitando.


[e se tornara tão indispensável quanto o primeiro golpe de ar nos pulmões de um recém nascido]


Mais uma vez, as velas acesas e coloridas eram a única luz que a banhava.
Mais uma vez,o incenso de patchouli era o perfume (dele) que preenchia o seu respirar.
Mais uma vez, deixou-se envolver por aquele ambiente que lhe causava tamanha sensação de bem estar à cada passo dado. Aquela atmosfera, aquele clima, tudo parecia embalá-la nos braços e ninar as urgências e a música, ainda tocava.
A água que caía sobre sua cabeça e acumulava sob os pés, quando observada, poderia ser comparada a um cristal líquido, capaz de energizar e renovar tudo o que tocasse, quando confrontada com a penumbrante meia luz daquele espaço que imitava o bruxulear das estrelas.

Ela, dançou.
Algumas lágrimas, ela chorou.
Sorriu muitos sorrisos, achou alguns perdidos, empoeirados por entre o vão do mediastino, já falho pelo dia.

Foi assim a cada toque, a cada gota, a cada nota de cada música que embalava cada canto da casa.
Foi como perder os sentidos e achá-los em um outro lugar.

E o aroma de cada incenso só perdeu o seu lugar pro perfume do shampoo no cabelo, do óleo perfumado na pele, arrepiada pelos contrastes de temperatura.
Senti-se intimamente refeita e entregue a uma noite prazerosamente renovadora e ainda inerte num efeito extasiado, foi num único movimento que expandiu o seu corpo encharcado de vontades e lembranças na cama, entorpecidamente leve.

Descansada e misturada à madrugada, Toda a paz da Natureza sem gente , veio deitar-se ao meu lado [Fernando Pessoa]
__________________________________________
*re-editado. (título pregresso: Cora.som)
│ Samara Bassi │
Pra hoje: 

7.2.13

O quanto de jardins sobreviventes há no mundo?

7.2.13
Imagem: Weheartit
Ando olhando com leveza outros quintais.
Tateando as cores, texturas, tentando compreender o porquê de estarem ali, de serem como são, de estarem onde estão. Devagar, meus cílios acenam para cada detalhe debruçado no seu (en)canto e procuram; como brincadeira de tatu bola e esconderijo, contrastes de luz e sombra. E, não se pode negar: o colorido prevalece. Até mesmo os jardins monocromáticos se mesclam nos tons. Escuto um som, um tom, um olhar mais brando conversando comigo. Eu sempre soube de que há sempre algo de amigo pousado das folhas. Vejo bolhas de sabão se romperem e chuva colorida se desfazer na próxima ventania.
Não saio do lugar, mas ainda assim vou longe. Meu pensamento é um entendimento distraído que pega sempre a mesma carona num cintilar e outro, numa paisagem e outra, em qualquer história que me conte várias formas de acontecer.
Ei, eu sei que há outros olhos também olhando meu quintal. Desvendando meu jardim.
Meu jardim sobrevivente (?).
Descanso o caminhar e me ajeito nessa aura, me amadureço nessa ideia sobre jardins sobreviventes.
Olho com carinho cada uma das minhas sementes, o que floresceu e quantas vezes floresceram depois das chuvas. Das cores, dos cinzas, das cinzas...
É, chuva também floresce!
Todo dia, todo instante há num mundo alheio às nossas flores, outras cores mais, outras sementes a mais, barulhos demais. Há algo novo e sempre antigo. Há sempre algo vívido, vivido. Todo jardim sempre há uma novidade, se para o bem ou para o mal, mas há.
Há vontades se agarrando com gavinhas para transpor limites, obstáculos. Há um mundaréu de criaturas nos tornando melhores, ou não, nos recompondo, nos destruindo, nos reconstruindo.  Somos ainda, vasos de flores, apertados, querendo transbordar. Queremos sempre renovar um olhar qualquer.
E se pararmos pra pensar, cada um é ou carrega em si um jardim sobrevivente. Não um jardim em si, pois isso é apenas uma metáfora, mas cada um carrega em si um impulso constante de germinar, de rasgar amarras e desnudar seu pequeno corpo diante da luz, florido de urgências e continuar. De qualquer oportunidade terna como se esse gesto fosse um afago na alma, atento somente aos olhares mais compreensivos.
E são muitos, muitos, muitos jardins por aí. Ao nosso redor, na nossa casa, e dentro daqueles que vemos todos os dias, mas nem sequer sabemos o seu nome.

E  quanto de nós ainda persiste?
O mesmo e tanto mais que de nós ainda floresce!
Cada ser se torna um embrulho único de bonitezas que carrega na alma, como aprendizados. Cada ser é uma flor diferente e tantos deles se assemelham aos nossos jardins. E claro, jardins também se fundem por afinidade, por sintonia. Cada lugar se faz encantado à sua maneira. E, falando-se de jardins, os semelhantes também se atraem.

Cada ser é um fruto que amadurece. Que vez ou outra cai, apodrece padrões, descostura ramalhetes, carrega um perfume peculiar do jardim que cultiva em si.
Conhece-se a flor pelo perfume - feche os olhos mas, atente-se aos sentidos, aguce-os. Os cheiros que cada jardim carrega podemos dizer que são como impressões digitais.
E quantos deles não se reconstruíram em meio a relva, em meio a essa selva de parasitas da alma. Que com o tempo, é costume nos tornarmos imunes.
Quantos já não se acostumaram a germinar apesar do cansaço, do fardo, dos estilhaços; toda primavera por que sabem que há uma força maior e mesmo que suas sementes hibernem um tempo necessário, há de se (p)render sem pranto longo demais n'algum sopro de vida e que sem querer, já se faz latente... já que brotar, se torna inevitável.
Quantos jardins não se curvaram às ervas daninhas e quantos além não foram sufocados? Enquanto tantos mais desabrocharam por entre elas. Que só bastasse um espacinho, um vão de areia, uma fenda na rocha.

A vida se agarra às oportunidades. Se faz fecundar sobre as hostilidades. (sobre)Vive.

Cada um de nós carrega em si uma importância gigante, uma simplicidade bem quista que vai muito além das sementes que se deseja regar.
Cada ser constrói um cenário com as dores, amores, com restos de cores e pólen pra colorir da melhor forma que pode oferecer. Cada um se envenena com os próprios espinhos. Outros mais, reviram a terra, descansam dessa guerra de sempre querer lançar pulgões sem nenhum porquê. 
Somos todos jardins sobreviventes. Somos todos jardins, acima de tudo. Uns delicados, de flores miúdas, outros mais avantajados como imensas florestas. Uns comportam espécies semelhantes, outros, misturam de tudo em todo canto.

Há jardins que cantam. Como há jardins que guardam segredos.

E por sermos assim, que sejamos sempre livres para atrair o que nos floresce, o que nos frutifica.  Que todo jardim comece com um punhado de amor lançando seu feitio e que todo esse amor, se transforme em um tanto mais, em um punhado a mais e exista de alguma forma, resista da melhor forma ... pra recomeçar.
Que as esperas sejam amoras frescas, colorindo o paladar com o que a vida tem de melhor. E de sabor mais brando, quando assim precisar for.
Secar? secaremos algumas vezes, muitas vezes. Esqueceremos de (nos) recolorir, quase sempre diante dos nossos próprios olhos, porque o amanhã é uma semente que cultivamos no hoje. O que nos falta ainda é a paciência para respeitar sua hibernação e vê-la germinar.
Mas o quê todo jardim viçoso sabe, é que a poda restringe, mas recompensa com uma fortaleza bem mais comprida e cativa instalada no peito.
E que todas as flores, recém cortadas, floresçam talvez de um outro jeito. Reaprendido. Mas floresçam, refloresçam e repassem o gesto. Que cada indivíduo ornamente os seus canteiros com zelo, com olhos de recomeços. Pra além do seu próprio jardim. 

Que não nos esqueçamos nunca de que somos um milagre gigante.
No antes como no para sempre,
Sim.
│ Samara Bassi │

'Enya - Only Time'

16.1.13

De volta pra casa ...

16.1.13
Imagem: Weheartit
“Ser capaz de esperar pelo momento certo é nosso maior tesouro. A existência inteira espera pelo momento certo. Até as árvores sabem disso - qual é o momento de florescer, e o de deixar que as folhas caiam, e de se erguerem nuas ao céu. Também nessa nudez elas são belas, esperando pela nova folhagem com grande confiança de que as folhas velhas tenham caído, e de que as folhas novas logo estarão chegando. E as folhas novas começarão a crescer. 

 [...] 

A meditação é uma maneira de ir para dentro de si mesmo, de perceber que você não é o corpo e você não é a mente. É um modo de fixar em nós mesmos, no mais profundo centro do nosso ser; e uma vez que você encontrou o seu centro, você terá encontrado tanto suas raízes quanto suas asas.” [Osho]

..........

Que se cultive o tempo necessário. Que seja terno, que seja eterno.
Que seja leve, que seja breve... porque até a brevidade se eterniza no coração.
Até breve, então!
│ Samara Bassi │


10.1.13

Com fé

10.1.13
Imagem Weheartit
E é assim que eu sigo, engatando uma escolha na outra. Porque pra mim, essa coisa de ficar pra sempre numa estrada só, não faz sentido algum, até realmente valer a pena. Nós trocamos os sapatos todos dias, por que então não trocar os passos também?

│ Samara Bassi │

7.1.13

'Este sou eu 100%'

7.1.13
Imagem: Google
"Eu quero olhar o mundo, do tamanho que o mundo é. 
Eu quero sentir as pessoas, pela grandeza de seus corações. 
Quero abraçar qualquer coisa de Deus, como se fosse a última vez. 
Quero sentir a Alma de tudo. 
Quero sorrir, 
quero chorar, 
quero pode dizer, 
quero te amar. 
Sou um louco, incondicionalmente, 
e devo sentir que meu destino me fez assim. 
Nasci para qualquer coisa. 
Como qualquer coisa, nasceu para mim. 
Eu vivo qualquer coisa, em qualquer lugar. 
Só preciso entender, que Sou Nobre, 
por mim, 
pela forma que vivo, 
por ser aquilo que construí, 
a cada dia. 
Eu sei que amo, 
demais.
Eu sei quem sou, 
e para onde Vou. 
Sou uma mistura de amor, com a vontade de fazer. 
Enquanto estiver vivo, 
Eu Juro, 
Vou fazer o melhor de mim. 
Construirei dentro do tamanho de minhas possibilidades, 
mas com uma vontade enorme que seja, 
do tamanho do Mundo. 
Eu só sei, que tudo que vivo, 
é a coisa mais linda de uma vida. 
Quero ter a Nobreza, 
pelos sentimentos das coisas de Deus para comigo. 
Quero me ver estar construindo, a cada pedacinho. 
Quero me pegar fazendo. 
Quero gozar no toque da coisas, 
como se as coisas pudessem me sentir tocá-las, 
e gozar comigo. 
Quero vibrar por dentro. 
Quero sentir minha alma. 
Eu amo as coisa de Deus. 
Eu amo ao Senhor Deus, meu Criador, 
como uma unica alternativa de vida. 
Eu desejo, 
viver eternamente, 
nos corações das pessoas, 
em algum lugar, 
onde o destino julgar. 
Fui feito para a Vida, 
e estou pronto para a morte. 
Deixo-me o vento me levar. 
As águas comunicar, 
e a terra me chamar. 

Para alguns, Eu sou uma lenda, 
Para mim, Eu Sou Eu mesmo. 

Este é Eu, 100%"
[Richard Maia]

'John Lennon - Imagine'

21.12.12

Para qualquer dia

21.12.12
Imagem: Google
Despeje os dias numa cama de flores e conte-os um por um, sem pressa. Sem sair batendo em pedras os outros dias que ficaram engasgados no gargalo da garrafa, do pote de margarina, seja lá qual tenha sido o lugar escolhido para guardá-los. Ou escondê-los. Abra as janelas e deixe a luz entrar, deixe bater aquele sol de sempre, de frente para a poeira agonizada e escondida,  agarrada por entre os vãos de cada cílio teu. Desabroche os teus delírios sem meias verdades. Arrume a casa e traga cores de lírios lilases pra ancorar a bem vinda, a bem aventurança de ter abrigo e janelas para as estrelas. Mesmo que você nunca as tenha notado. Nem nunca tenha anotado desejos praquelas histórias de jogar o dente de leite no telhado e amanhecer esperando novidades.

Que a tua alegria seja a braveza dos que sabem dar valor e sabem orientar, sem dilacerar nos dentes, imposições sem argumento algum.

Deixe as cores balançando no varal e olhe, olhe cada peça te acenando como convite sem despedidas pra você se deixar levar, ser ar, se deixar lavar.
Tome banho de chuva mais vezes e ande descalço pelo quintal que não precisa ser necessariamente o teu. Seja breve nas tuas colocações sem deixar de ser profundo nas tuas verdades.
Incentive a auto gentileza diante do espelho e descubra que nem sempre todo dia é sempre tão azul, nem tão cinza como te contaram. Nem da forma como te descontaram os pesos e cargas que nem eram tuas.
Não desconte em ninguém as tuas tempestades e as tuas frustrações. Transmute antes de tudo, as tuas águas, as tuas mágoas. Acalme o teu leito de rio.
Olhe com outros olhos. Olhe nos olhos outras pessoas que nunca sequer, te viram passar por elas, no mesmo lugar onde se esbarram todo santo dia, numa pressa sem tamanho. Não esbarre sempre no desencanto, não.
Desacelere os passos na mesma calçada e esqueça aquela conversa de que comer torradas queimadas esperando o amor chegar à porta provoca Câncer. Pode até ser. Mas o que desintegra por dentro é justamente passar todos os dias dessa tua vida sendo como elas - amargas.
Role na grama do teu jardim. E se não tiver, nem grama nem jardim, role mesmo assim. Desenrole as tranças dos teus cabelos como quem desembaraça caminhos pro pensamento ficar mais claro.
Desencoste-se dos ombros daqueles que não querem nem ao menos te oferecer o apoio pelo juntar das mãos.
Não se importe com pobrezas de alma. Ou importe-se! À ponto de não alimentá-las na tua própria... 


[...residência].


Que haja sementes férteis para serem regadas nesse teu chão, mesmo rachado de angústias e mesmo que as estrias fincadas no asfalto te engulam os olhos e qualquer riso desprendido; desapegue-se das feiuras que tua retina grava durante o caminho e mude. Mas mude além de mudar o caminho, mude os passos e a direção. Desacostume a rotina de ser sempre tão previsível. Nem seja infalível sempre. Não precisa. Não seja tão rústico. A vida agradece quando se acha graça na sua passagem. E mais, ela flui melhor.
Mude os móveis e comece pelos (in)cômodos mais escuros que te habita. Desabilite a palavra praquilo que não agrada ao paladar.
Seja presente para si mesmo que os outros, certamente serão tuas mais esperadas surpresas.
E não, não aceite os meus conselhos só porque aqui estão escritos.Ou só porque foram ditos, ou semeados com dedicação. É que aqui, é o meu chão.
Apenas descubra novos para acrescentar. Descubra os teus. 
Só nunca siga sozinho porque sozinho mal se sobrevive. Tão pouco se aprende a viver.
E ah, não seja farto de bonitezas só no Natal nem renove o (seu) mundo de esperanças somente no Ano Novo. 
Sentimentos de verdade não escolhem sempre a mesma data no calendário. Aliás, eles não escolhem!

│ Samara Bassi │


'Sorri - Djavan'

9.12.12

Cure suas asas

9.12.12

Colorimos
(Pres)sinto esse verso ancorando distâncias, deixando um beco sem sol por entre as plumas brancas daquele pássaro.  Devolvo-te o voo e vou, nesse embargo que a minha voz acrescenta por entre os dedos meus, pra fazer (re)viver o (seu) poema, em qualquer intuição e vento.
Transforme a dor, querido. Tenta. Não tenho receita pronta aqui em minhas mãos. Tenho apenas um lugar aguardando paredes de cores novas, sem rancor, pra quando quiser morar.
Não tem tempo certo, não. Mas há de sempre ter o meu abraço aberto.
Reconstrua o seu jardim com sorrisos novos que, eu sei que você não sabe, mas que irão brotar. Abra as janelas, mesmo que chova. Areje os pensamentos.
Isso que dói, passa. Não semeie suas culpas, porque elas não existem.
E entenda: Para que o vir seja mais brando naquela próxima esquina, o ir às vezes é preciso.
A gente nunca perde o que cativou com o coração.
Ainda espero ver o teu coração mais leve.
Até breve, então.

│ Samara Bassi │

Pitadas em grãos de pólen


“Ninguém perde ninguém, por que ninguém possui ninguém. Essa é a verdadeira experiência da liberdade: ter a coisa mais importante do mundo sem possuí-la.” 

- John Lennon - 







"Pra coração ferido... Torça bem as lágrimas, uma a uma, até desencharcar o coração. Depois, estenda a tristeza pra secar no varal da autogentileza. Lá costuma bater sol..." 

- Ana Jácomo -


“Há quem acredite que o amor é medicamento. Pelo contrário. Se você está deprimido, histérico ou ansioso demais, o amor não se aproxima, e caso o faça, vai frustrar sua expectativa, porque o amor quer ser recebido com saúde e leveza, ele não suporta a idéia de ser ingerido de quatro em quatro horas, como um antibiótico para combater as bactérias da solidão e da falta de auto-estima. Você já ouviu muitas vezes alguém dizer: “Quando eu menos esperava, quando eu havia desistido de procurar, o amor apareceu.” Claro, o amor não é bobo, quer ser bem tratado, por isso escolhe as pessoas que, antes de tudo, tratam bem de si mesmas.”

- Martha Medeiros -


│ Samara Bassi │


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