Papel de bala

│ por Samara Bassi
  • Escrevo! Ato de encher-me, transbordar e esvaziar constante. Visto a palavra. Me sangro nessa verborragia, acima de tudo, anticoagulante. 
  • Deixa a sua natureza ser. Nature-se.
  • Só existe estrada porque o agora não basta.
  • Sou dos que asam muito mais do que dos que passam. Mais dos que voam, ao invés dos que vão. Aos que passam, deixo apenas a minha brevidade e o meu caminho de pássaro: o livramento de também passar. 
  • Que aparta abraços sem desfazer laços, seja por entre as vielas guardadas nos olhos, seja por entre os becos, preenchidos de dedos em cada vão.
  • É que o espaço fincado no vão, mesmo que seja em vão. É só um meio milenar de guardar recados que o tempo não amarela mais.
  • Desagrego o tempo por entre os dedos e penduro nos cílios, as horas mornas, saturadas de vento e pôr-do-sol.
  • Compor a beleza viva de uma forma íntegra é o que nos cabe, nos abraça e nos lança como sementes, latentes de amor.
  • Semelhança atrai semelhante.
  • Que o fruto recompense, a flor e a semente.
  • Lá, a minha alma entardecia num par de asas impadecíveis. Abertas, me cediam o voo.
  • Me acompanha um sopro não medicinal, além das janelas, dessas daqui. Um golpe de ar vestido de sina. A minha urgência de vento é mediastinal.
  • Para olhos de metáfora, a indiferença é um contexto à parte.
  • Pelos olhos, enxergo além das palavras tuas que insiste em não me dizer.
  • Gosto da luz. E necessito-a como um recém nascido que necessita de seu primeiro golpe de ar nos pulmões.
  • Minhas pálpebras se formaram rasas e como asas sempre abertas, não se acostumaram a dormir.
  • Porque os pés são a nossa conexão com o Chackra da Grande Mãe. São a energia que circula, descarrega, renova e alimenta. Os pés nos levam, nos guiam e nos benzem as raízes. Nossos pés são sábios porque compartilham conosco o 'ser elo' entre a nossa natureza e Gaya, sem distinções. Por eles tudo passa e tudo se aprende, também, a ser livre. São as cirandas e os ciclos, em harmonia. ~Samara Bassi~
  • Porque de todos os desencontros, hei que o meu porto não poderia ter acontecido diferente do nosso comum 'avesso do mundo', 'fora de lugar'. Logo, não poderia ter sido azul de mar, mas da cor de céu, bem assim ó: do-seu-tom-de-blues.
  • Eu só desejo que o tempo não desgaste a nossa fé.
  • O meu tempo é alumbramento, um peso de árvore e céu, um vão fazendo caminho nas asas.
  • ~pó de rosas na estrada, na tez, uma pitada de sândalo queima todo mal ~{namastê}~
  • E quando o dia é um pigarro na garganta, até o incômodo me faz cuspir um verso!
  • Foi então que gravei teu sorriso bobo, na retina teimosa dos meus olhos.
  • Vou sem perder o riso, a cor e cada passo do caminho.
  • Meus olhos só insistem naquilo que é simples e belo pra mim.
  • São aves antigas os nossos mediastinos tardios.
  • Ser sozinho é apenas uma questão de dentro.
  • O prãna é o veículo da energia vital, ou seja, onde houver consciência, haverá vida.
  • Um resto de tarde na minha mão, voa, voa, voa. É a vida pedindo um pouco só de alma.
  • Porque a poesia une e tece um bordado bonito de vidas afins.
  • O tempo é, em vida, a minha mais longa e louca brevidade.
  • Entrego os caminhos aos meus olhos fechados, quando sabem eles o rumo mais certo, voltados e guiados pela somente e unicamente bússola que pulsa, nesse meu silêncio de sempre seguir comigo, em mim e através de mim.
  • Somos um livro e cada dia, é uma página escrita, uma página em branco. Uma brandura de guardar recados por entre as histórias que florescerão, dos risos ainda que serão ancorados . E esta será a mais bonita das enciclopédias. E a mais incompleta também: a vida da gente. 
  • Na plataforma da estação, os olhos vagos tanto quanto vagões de trem à meia-noite.
  • Passei horas naquela espera fecundada com sono e desilusão - desesperei-me.
  • Pari a noite como quem dá a luz às estrelas.
  • Ancorar o riso, quando for preciso.
  • Das energias afins, a poesia se faz eco.
  • A poesia me desnuda, mas é sob medida que ela me veste melhor.
  • Caindo a chuva. O céu tem ainda muita água pra chorar.
  • Parada entre uma estação e outra, outro vão despercebido do vazio preenche o seu tão belo espaço.
  • Vou, na minha brevidade de sempre porque a vida lá fora, está merecendo mais
  • Os ciclos são sábios por natureza. Nossa natureza é que teima, por afronto.
  • Que façamos do discernimento sadio, um aliado para a vida.
  • Hoje eu só quero a linguagem dos pardais, pra conversar com o meu poema sem rosto.
  • (G)uardei nos olhos, o teu jeito de chegar. Revi.
  • Quem se ama, acontece no outro, ainda que bem distante, muito por enquanto 
  • Nessa terra seca e guerra com poeira nos olhos, a chuva é que me rega o vício de ainda assim, manter o passo.
  • Que a leveza dos dias, nos leve além.
  • Se flores pra ser, serás flor. Pra onde quer que fores, florescerás.
  • Apesar de todas as suas tragédias particulares, olhe ao seu redor.
  • O melhor lugar de mim tem cheiro de incenso. É lá onde me reconheço e só me permito à vis(i)ta de quem souber respeitá-lo, sem acenações.
  • O coração de um bicho é um planeta sagrado. É um secreto que não precisa de senhas. 
  • O seu paladar incendiou-me os sentidos.
  • Aqui, entardecendo o dia, enquanto minhas camomilas miram qualquer infinito mais junto à sua pequenez.
  • Chá é afeto em potinho.
  • Pendurado no meu sino dos ventos, meu incenso aceso esfumaça o pensamento para além do meu olhar.
  • A minha essência é a minha expressão no mundo, do meu mundo, conforme a sua luz.
  • Desse entardecer constante desenhado na íris do meu olhar, me parecem resquícios de sol pendurados na esquina das pálpebras, lentos, como numa distração de cílios.
  • Guardei os olhos na curva do rio. Foi quando a correnteza me desvendou aquele lugar onde nunca estive, mas sempre permaneci.
  • As horas são estradas por onde descanso meus pés, por onde descalço o olhar.
  • Respeitar a morte como se respeita a vida (ou deveria)
  • Talvez, porque o meu mundo seja uma esfera que não cabe na órbita alheia... que se anda só.
  • Anoiteci meu paladar em cristais de açúcar  do amarelo por do sol, feito arrebol, feito laço de lençol na eminência breve de permanecer.
  • Que haja o verso mesmo assim, mesmo fazendo vão no entendimento alheio, até no seu, se por ventura acontecer.
  • No vão da nuvem, foi o agora da tarde que me deu carona.
  • E nesse compasso de embalar almas, viro essa calma rara de (a)guardar nos dias, aquela chegada que me alcança e me abraça inteira.
  • Deixo brotar meus ontens porque é da raiz que se sustenta a flor que ainda é somente um esboço de acontecer.
  • E como má(G)ica da vida e do sentimento, aconteceu o sorriso sem haver nenhuma espera. Me aconteceu você.
  • Aquele verso me bateu à porta, me puxando e me chamando para ir com ele (onde?). Eu fui!
  • Aqui se acorda, não é com as galinhas, mas com a tagarelice dos Quero-Queros.
  • Mas é um bater de asas que me chega à pele e às vistas, essa fixação imprevista.
  • Que seja semente esse jeito de florir em seu outono, muitas outras primaveras.
  • Dessas e tantas janelas que, inertes e teimosas, (a)guardam paisagens.
  • Pousando os olhos meus em outros horizontes, de tantas belezas mil, de tantos olhares que num fio de estrada, cantam os versos de outros passos.
  • Nada como um banho de chuva, em fim de tarde! Nada como um banho de chuveiro, pra estragar o banho de chuva.
  • A vida tem aquele balangandã que impulsiona tudo. E ainda exige que tenhamos força e flores nos punhos.
  • Friozinho com chuva de mansinho, tem cor, cheiro e sabor de ninho. Cruzar a curva do abraço, vontade de laço, enlaçar os desencontros.
  • Falta a presença. E sobra tanta falta.
  • Eu só não acho que o amor seja a melhor arma, mas o melhor argumento.
  • O amor faz malabarismo com as entregas.
  • Bom mesmo é ser esse ímpar de dois.
  • Há esse vento deslizando por entre os cílios, horas que relógio não sabe conter nos teus ponteiros. Há toda essa beleza frutificando por entre as estrias do asfalto, aquela esquina florida, ou não, vista da janela.
  • Que a oração, seja afagos de marear.
  •  Toda prece é um bálsamo para a alma... uma nuvem de descanso.
  • Mas ainda são os encantamentos mais bobos que salvam a vida da gente.
  • Os cheiros, os perfumes são para mim como bebidas sofisticadas. Embriago-me.
  • Respingos de poesia, para dias chuvosos.
  • A vida escorre pelas mãos e esquecemos de tantas vezes cultivar os laços e nos afobamos em fazermos e apertarmos os nós.
  • Daqui, avisto o altar do morro e dele, visto-me de tarde. Tão bem se sabe que é de tarde que o sol cai da ponta do cipreste, sem o medo de morrer. 
  • Os exageros podem ser tornados gestos de amor em torno do pescoço como quem quer dizer pra permanecer e notar, sem se pasmar.
  • Das estantes empoeiradas, saudades exageram-se sempre por outros (in)cômodos.
  • Que todo restinho de amor seja grande o suficiente para saltar abismos.
  • Os gestos descalibrados, atrapalham-se mesmo nas entregas, nas encomendas, nos remendos.
  • Il mio sguardo è un vasto cortile.
  • O meu olhar é um quintal vasto. 
  • I tuoi occhi sono i miei piccoli diamanti.
  • Seus olhos são os meus pequenos diamantes.
  • Escrever não é dom não, meu amigo. É teimosia.
  • Que todo olhar seja um mundo além e maior nas ESPERA(nça)S.
  • A felicidade só precisa de boas vindas e de um espaço ventilado pra crescer.
  • Germine a palavra. (pa)Lavre o verso.
  • O melhor do abraço é quando ele deixou de ser casa. É quando ele já é lar.
  • Almejo esse jeito bonito de todo dia, ou quando for possível, de carregar sorriso nos olhos e todo caminho trilhado com passos calçados de fé.
  • Que todo lugar, há de trazer ensinamento aos olhos. 
  • É que toda lembrança mal descolorida, no fundo é só um artifício do tempo para vir cobrar juros, sem remetente nem destinatário certo.
  • Você pode acreditar que não. Mas é coisa simples que enriquece a gente.
  • Meu mapa astral me diz ser leonina. E o coração só queria ter nascido passarinho.
  • Aprenda, menina! Algumas coisas na vida e no amor foram feitas para guardar. Outras, para desaguar.
  • É, a gente precisa se des(a)prender todos os dias.
  • Mas saudade é aquela pedrinha no sapato, né?
  • Chuvas de março sempre me abrem espaços pro bem vir mais bonito. 
  • O silêncio transforma mágoas e transmuta águas.
  • A poesia está nos olhos dos cães e na calçada rachada, vestida de passos largos e confusos de todo dia. 
  • Todo riso é um improviso bonito que o coração inventa com toda a verdade do mundo.
  • A saudade é uma volta pra casa que nunca tenha sido lar, por vezes. E ainda assim, faz sacolejar nossa aura numa lembrança adormecida e pendurada nos varais, pra secar ao sol.
  • Pois é diante da leveza mesmo que abrimos portas, que desp(ed)imos das vestes pesadas, o nosso corpo de pássaro - livre.
  • Balanço é embalo de Deus quando nos pega no colo e diz que abraço bem quisto balança, feito dança pro coração guardar.
  • O silêncio é a voz dos poucos que muito tem a dizer para os que restam dos raros que estão dispostos a escutar.
  • Preste atenção: pois nem sempre o que cai do pé está maduro, mas podre!
  • Trouxe-me um punhado de pássaros para dias azuis.
  • Seu coração é ninho. Eu, passarinho.
  • Tudo acontece no momento certo. E no inesperado também, mas certo.
  • Viu seu peito terra fértil, acolhedora. E germinado de amor.
  • Todo passarinho concorre a ser o 'menino dos meus olhos'.
  • Estou agora, prenha de eternidades.
  • E coração é casa bem ventilada, sim senhor. É só querer.
  • Que nada te impeça de transformar, seja o que flor. Que seja como flor.
  • Mas eu não gostaria de abraçar o mundo não, seria carga demais de outras vidas. Mas às vezes é bom mesmo assim: ter coração vasto mas braços curtos, que é pra gente não extrapolar.
  • Verde de floresta ou azul de ver de mar?
  • E a gente se propõe a levantar, porque o chão é muito baixo pra quem sonha alto.
  • Árvores são pássaros, pousados no nosso quintal.
  • Reaprender é amar duas vezes: o outro e a nós mesmos.
  • Eternize-se, literalmente.
  • A vida é um voo desaprendido.
  • Ás vezes inverno, mas sempre primaveril. Que a vida seja sempre essa dinâmica amável.
  • Deus conhece o tamanho das suas dificuldades e dos seus sonhos. Mas é por pequenezas que ele te manda recados.
  • teus olhos cor de céu, de meio tom, tão jazz e blues.
  • Num punhado de amor(as), a vida carece de ser mais essência.
  • Meninos são pássaros, des(a)prendidos do voo.
  • Toda paz é uma latência em cada um. Basta somente de um impulso pra germinar e floreScER.
  • O amor traz recomeços. Nele, tudo é possível.
  • Coração é semente de (c)asa que floresce leve onde bem quer.
  • Faço de mim a casa. Pois preciso sempre fazer voltar para mim, o meu refloreScER.
  • Acho que a tristeza, às vezes, só pode ser um tipo de mar. A tristeza é um tipo de mar.
  • Também para dias de chuva, um carinho cai bem.
  • A revolta é, por vezes, um alívio desprendido do resto.
  • Há presenças que nunca despertam. São ausências incontestáveis.
  • Construa tuas armas com flores e o mal não te vencerá.
  • Just breathe. A vida é um sopro de ar.
  • Um incenso no quarto me respira. Just breathe.
  • A minha saudade é uma ave que canta, sem levantar voo. 
  • Aceitação e respeito são muito diferentes. Mas compõem as extremidades de uma mesma ponte que nos possibilita caminhar em paz.
  • Que seus sonhos ultrapassem qualquer começo e final de calendário.
  • Colhi com olhos de amanhã à tarde, o dia pra gente morar. 
  • Alegria deveria vir em garrafa, pra gente tomar um porre toda vez que quisesse. Com uma única restrição: Proibido para pequenos de alma. 
  • E para os próximos passos, uma boa dose de caminhos abertos, conquistas na mochila e sonhos que sigam em frente, SeMpre.
  • Quem só vive a mergulhar em raso mar, sobrevive com a ressaca de (não) amar.
  • Você, é flor sim, das mais bonitas. Mas a sua capacidade de renascer é o que te faz ser mais semente do que flor.
  • A gente espera tanto a maturidade chegar. E enquanto espera, na idade que está, esquece de se manter criança.
  • Deus, quando eu me volto e piso em teu chão com meus pés nus, meu coração também descansa. E assume o controle do meu sorriso interno.
  • Livros, assim como pessoas, têm histórias incríveis pra contar. Mas são julgados pela capa.
  • Quem sonha, aplaude a arte mais risonha do próprio coração.
  • Você pode ser de qualquer cor pra ser amor.
  • Pra quem é feito de asa, toda casa é só janela.
  • Nem sempre aquela que foi a sua melhor roupa te servirá. Assim são as escolhas: vestimentas. É por isso que busco sempre escolher aquelas que não me apertem, que não sejam justas demais, que não me sufoquem, nem me mutilem... a alma.
  • De todas as marcas, eu ainda prefiro as minhas. E ninguém precisa vê-las.
  • Entregue, ofereça, compartilhe o seu bem maior. Mas saiba como e quando exigir o que for seu por direito e por criação.
  • Se eu sinto? Eu sinto muito, em ambos os sentidos.
  • Um coração belo precisa apenas de um outro coração belo e receptivo para recebê-lo, em seu gesto de compreensão e reconhecimento.
  • Quando sou seu par, eu me sei em paz.
  • Ser ventre só é caixinha de música assim, menina: casa pronta pra te (a)guardar coração e ser vi(n)da.
  • Ele me faz vento, me faz amor em movimento... Ahhh, ele me sabe!
  • O meu coração parido não cabe no sabor de um poema.
  • Que a poesia nunca tire férias.
  • Para não restarem dúvidas: eu estou dando adeus a tudo o quê não me encanta mais, mesmo que já tenha  sido. A tudo que não me faz falta porque já não me percebe na ausência, tampouco me recebe em essência. A tudo e a quem não me acrescenta, ainda que não tenha ido. Estou excluindo quem já não me dói, nem me sorri. Nem no gerúndio nem em modo algum. É que eu também estou indo, assim como você. 
  • O meu violão sem cordas é ainda uma caixa de música, uma porta que se abre, em qualquer tom. 
  • Ser grato é diferente de ser obrigado. Obrigado te coloca em uma posição de 'devedor', obrigações por 'contrato'. Enquanto isso, a gratidão te manisfesta em livre dar e receber. Sem compromissos. De Graça. Por agrado.
  • e por falar em música, o seu tom de azul é o meu blues preferido.
  • Desconfio que tudo na gente pode fazer (p)arte
  • Livrai-me das más energias, das ervas daninhas e também das pessoas que as cultivam.
  • Por uma .p.a.c.i.ê.n.c.i.a. de Jó! Quiçá, de todos os santos
  • Livrai-me daqueles que não valorizam seus sonhos.
  • Há sentimentos que se tornam, tantas vezes, um 'sentir muito', em ambos os sentidos.
  • Sobre a velhice:  ouso -me ser pouso — abrigo migratório para a minha alma já entardecida.
  • Vem que a alegria se espalha bem.

Um comentário:

O tempo das maçãs disse...

Frases que valem por um poema inteiro.

Beijinho, Samara.

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