3.6.16

(com)Plexo Solar

3.6.16
Reflecting on the Sacred Mirrors - Alex Grey
Complexo. Mais que um golpe mediastínico por falta de ar.  Além dos bisturis apartando os nervos à flor da pele de uma anatomia qualquer. Além, de toda medicina palpável. Dói.
Senti! Um descosturar agudo, sugando o verso como quem debruça as mãos e rouba, todo prãna. Sinestesia do absurdo, esse sol entristecido pro dentro. Fica um incômodo triste, um arrancar forçado. Algo que não me cabe direito. Nunca há de me caber nem pertencer. Que veio sem me saber. Então, sinto muito! 
Expulso!

Devolvo-me um raio de sol que me roubou e me aqueço por dentro toda constelação que pulsa. O que me é de direito, fica comigo. Não infarto todas as esperanças nas asas dos abutres que me rondam. Que me fadam ao pouso baixo. Que não se resolvam nas carnes, tua entrada de foice, umbilical. Milimétrica, quase cirúrgica de interesses. 

Meu sol é de um sopro arterial. É etéreo. Vital e  irradia. Não há de ter passagens aos que não se completam na minha intuição. Afinizo-me por energia. Por entregas. Por elegância de alma. De vestes, já me são fartas as alinhadas somente por fora. Por lucros, já me bastam os que doem sem eu os pedir — lutos do dia a dia. Desaconteço toda vez que tua convicção de me rondar aparece. Mas não me deixo mais morar nos olhos que me horizontam com tua visão. Há meu centro de luz e nele tudo cresce, tudo aprende e voa, como ave sem paradeiro, a não ser seu próprio céu. Meu meio é um radar que te vê. Te sabe e anuncia que de hoje em diante, minhas portas são mais fortes, minhas janelas claras. Minha energia é minha. A sua, não mais há de corromper.

Meu chakra ciranda, acelera e ilumina. É expansão e te engole, sem te avisar. Sem manipulações. Sem mal-quereres.
Manipura. Lá, minha jóia eu mesma reconheço, meu talismã é coração que eu mesma faço. Em minha 'Cidade das Jóias', não há de encontrar jóia alguma. Quem dirá ouro, mas um brilho maior. E de valor também. Aquele que não há de levar contigo, nem de tirar de mim. Comigo, tudo se mantém intacto. E protegido.

Aprendi que todo indício é um broto prestes a eclodir. A emergir e pulsar. Que o meu abstrato é tangível mas não cabe nas mãos. Nem nos olhos. É uma órbita de planetas ao redor do umbigo. Sensoriza e me conta dos caminhos certos, talvez errados. Mas, das minhas dúvidas, eu gosto mesmo é  de ter certeza. Isso me basta! E abastece-me do que mais preciso. Meu sutil é um eco que só eu escuto. Que me cala a tua voz sedenta, ainda que esteja a gritar.
Emudeço quando vens e quantas vezes eu julgar necessário. É tática! Tato com o teu intrometimento.
Quando chega, o meu aconchego é outro. É algo intrínseco, ajustado. Hábil de reconhecer, somente as afinidades que fazem com que o meu caminho, seja só meu. Meu eu! E de quem aprender a respeitar a minha energia, sem apropriações. 

Por agora, deixo apenas as minhas suturas, o meu plexo solar um pouco enrustido. Por fora, um portal que não vê, além desses livros ultrapassados de medicina. Pra tua sina, há um portal sensorial, convicto, onde não há de se aproximar, tampouco ser ladrão.
Meu centro é uma bússola. Aos teus olhos, tão somente um umbigo como tantas outras cegueiras mais, tão emaranhadas que quase sentem dor.
Pra todo o resto, há um tempo que coincide e que não se desalinha de nenhuma natureza-mãe.
Toda alquimia faz seu mestre. Há de aprender!

│Samara Bassi│

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