16.5.16

Autobiografia

16.5.16
© samara bassi

Sou dos que asam muito mais do que dos que passam. 
Mais dos que voam, ao invés dos que vão. 
Aos que passam, deixo apenas a minha brevidade e o meu caminho de pássaro: 
o livramento de também passar. 

│Samara Bassi│

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Um comentário:

Crônicas de Areia disse...

Voar não é, sequer foi um dia, uma opção. É uma obrigação. Mas, poucos cumprem.

Conheci, certa feita, uma moça que se fazia ver na linha dos olhos, mas que vivia de verdade lá nas alturas. Não que ela quisesse passar uma imagem de egocentrismo ou arrogância, pelo contrário. Ela ficava por lá porque amava a poesia dos pássaros. Era mergulhando das alturas e planando entre as nuvens que ela aspergia seu corpo com algo puro e, achava ela, que só conseguiria por lá.

Era uma adoradora de toda simbiose que a se fizesse transmutar passarinha. Sei não se ela não chegou aos pios e gorjeios de nossos amigos emplumados. Entendeu agora essa ânsia de voar? Ela não queria voar como nós, meros mortais e que se deslumbram em sonhos simplificados de ser um super-herói de uma história barata e qualquer. Ela não. Ela queria ser passarinha mesmo. De verdade.

O fato é que essa menina-passarinha me encantava com outra coisa além de seus gorjeios. Deixa listar algumas coisas que ela fazia. Escrevia, era ativista ecológica, artesã, estudava, era de uma simpatia sem igual, tinha opinião formada e sabia defender sua linha de raciocínio, excelente filha, adorava gatos mesmo querendo ser passarinha, caseira, amorosa, adoradora de carinho e cafuné, inteligente, deslumbrada com a natureza, criativa, persistente... etc... etc... etc... Essas coisas quase muitos conseguiam enxergar. Só que eu via algo além. Algo que ela tinha, praticava, insistia, mas sequer sabia que estava nela.

Me apaixonei pela capacidade que essa menina tinha em sonhar.

Assim, ela me tirou do chão. Sim, pois foi necessário isso, eu sair do chão, para poder alcançá-la, abraçá-la e... fazer ela ver que eu estava completamente apaixonado por ela.

Foi nesse instante que ela se deu conta que ela poderia ser, de verdade, uma passarinha. Ela me aceitou como um apaixonado. Se apaixonou também. E assim vivemos hoje. Ela me carrega com ela em seus voos, e eu, na minha tão singela forma de ser, dou combustível para esses voos, mostrando a ela que são de seus sonhos que ela faz brotar tudo isso. Ela sonhou em voar, e eu sonhava em voar com ela.

Hoje, voamos juntos. Hoje, sonhamos juntos, e esse é o princípio de qualquer voo. Tudo começa em você querer algo, em você sonhar algo.

Não é, Samara?

Marcio

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