31.1.16

No tempo da semente

31.1.16
©2016 - samara bassi
Há um tempo para tudo e para o nada. Para as esperas de uma vida inteira, para as desesperanças magoadas por falta de cor. Há um tempo descansando no parapeito de uma janela, como quem guarda um peito manchado de idas sem pretender a volta. E não se arrepende.

Em tudo, há essa conexão que existe inata, dentro de cada ser. Até dentro de quem e do que já deixou de ser, há algum tempo. Há uma semente germinando futuros e presentes nessa ciranda do tempo. Nele, arrebento as estações pra emergir, sem dor.

Eu, com os meus pés descalços, calço o passo de todo dia, de alegria e de dor. De sensações decoradas na sola dos meus pés cansados, descansados no teu chão de musgos. E, assim que posso, deixo os meus resmungos morrerem de fome.

Ei, o meu nome é mantra que te chama no amor e te consegue conquistar um riso, por todo o resto da estrada. Então, vem! Vem que te reconto mil vezes as tantas outras vezes que despimos os pés em águas cristalinas e desvencilhamos a morte como quem se consome de algo que não há de durar.
Perduro o verso por entre os dedos e te consigo, em mim, um rebento de saudade — desses que florescem e semeiam coragens pro coração da gente. Que florescem vastos, nos nossos olhos-cor-de-terra-do-sertão.

Ser tão durável é a nossa rota. Durável em um tempo onde germinar quase não acontece. É apressado, induzido artificialmente. Não, não! Há de termos o momento de esperar e de crescer, mais por dentro do que por fora.
Há de sermos um filete de águas claras que encontra caminho nas pedras, pra desaguar forte a tua imensidão podada. Há de mantermos uma lentidão nas formas, no desenformar os gestos, ainda enguiçados dentro do corpo. Das afinidades juntando na alma, há de procurarmos rumos para que elas sejam mais.

Há o tempo da semente. Nele, é onde me respeito o tempo de não acordar, de não discordar da minha força e dos meus pés vestidos de natureza. A minha nudez sincera, conectada com o grande saber.
Do saber que nunca morre e que brota do fundo das suas raízes. Dos caminhos, a enciclopédia ancestral enrustida nas fábulas.


— Quem diria?!: Cruzeiro do Sul norteia!

[das contradições, juro que esta é a mais bonita.]


Me acostumei a aguar com chuva de deus — dessas quando as nuvens dão adeus de liberdade, a minha lucidez dormida e que por sensatez, me mantém acordada. Ela é um azul pintado, um verde maturado, é uma margem de rio. Eu, só rio quando repouso meus pés nos teus... esperando o tempo de seguir em frente, de atravessar a ponte, ser teu presente.
Sente... que o nosso tempo é o de sempre?
O de SeMpre!

│Samara Bassi│


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