25.8.15

Pétangueira

25.8.15
© samara bassi

Uma coroa de flor imanta o meu caminho. 
Sigo debruçada na tua passagem só pra dedilhar o bem-me-quer que me ofertou. Sei que é no teu rastro que desintegro todo mal dos versos que não plantei, das sementes que nunca guardei. Eis então de florescer meus amanhãs e do teu cheiro, benzer meus dias que só por ti vingaram na raíz do coração. No meu arejar rarefeito, meus pulmões sabem o feitio de te sacodir num golpe de ar. É que te namorar tão vasta assim, é mais que impulso pra te alcançar sabor e como quem colhe amor, namoreia tua sombra ainda tão pequenamente frondosa. Sabes de mim e guarda meu olhar perdido no teu lado do quintal. Confesso que planto meus pés ao teu só pra não caminhar sozinha. E onde me deito, teu buquê me abençoa todo dia. Pitangueira, meu pé na beira do teu caminho de migalhas de pão, alameda a tua margem de renda no zumbir das abelhas. É muda de amor que não muda nunca. É alimento de vento.
Só preciso que saibas 
que o meu sorriso se acostumou 
a morar, 
a demorar 
na postura da tua flô.

│Samara Bassi│

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Um comentário:

Crônicas de Areia disse...

É muda de amor, que nunca muda de cor.
Já falamos tanto sobre quintais, que hoje sequer de palavras precisamos para descrever o que vemos ou sentimos.
Sentimos?
Não sei se esta seria bem a palavra. Acredito que "vivemos" seria algo mais próximo daquilo que nos toma. Muito mais a você do que a mim, pois a integração maior sempre foi tua.
O namoro vem da raiz, trepando pelo tronco e descansando num galho frondoso. É lá que você senta, toda arteira, mirando fruto de beira com e toda espevitada. Ah, essa saia rodada, que olho la de baixo e me deparo com a menina atrevida e que me convida a subir, para se lambuzar de pitanga enquanto saboreio teus beijos.
É de criança que se toma gosto pelo verde, pela árvore viva que tem lá nos fundos do quintal. É brincadeira pura essa história de subir e descer atrás dos frutos e das peraltices, mas é também um sonho futuro para ficar lá por baixo, na sombra, entre abraços e sonhos repletos de paixão e promessas.
Nem todas essas promessas são cumpridas, pois vamos trocando umas por outras na medida em que os amores também se vão e são repostos no peito. Até que um dia, uma pitanga suculenta sela um beijo mágico, e por lá ficamos, para o nosso, e só nosso, SeMpre.

Sobe lá, menina travessa, e vai com aquela saia rodada, pois estou louquinho por peraltices. Mas se eu subir, ou se você descer pra ficar juntinho, pede pra pitangueira fechar os olhos...

Minha Samara. Minha menina travessa que eu amo tanto. Te amooooooooooo.

Marcio.

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