15.8.15

cOMo se fosse trinta

15.8.15
© samara bassi

Muitos passos até aqui e cOMo se fosse trinta, seria a semelhança. Amadureci em muitos aspectos e em outros, apenas continuo verdejando um olhar mais cru, mais nu e até um pouco marrento. Um gosto que, talvez, amarre o seu paladar. Om se fosse trinta, seria a minha nova idade, a minha identidade, a minha maturidade vestida de muitos significados e sim, porque não, com a mesma força? não há novidades em caminhos que já conheço bem mais do que antes, mas sempre calçados em novos aprendizados e revestidos de metamorfoses,  num melhor olhar. Porque cada segundo é uma ida, uma vinda, um ciclo. Que exista sempre uma nova história, pra recontar a mesma, um outro lugar, pra ser nosso sempre. Um mesmo alguém e(m) muitos caminhos. Um voo que reinaugure todas as asas e celebre outras moradas. Para cada pouso, a sua época.

O meu corpo é uma casa sem beiradas e guarda muitos aspectos. A minha mente, atravessa dias e noites e se reconhece pelo caminho, num som qualquer, num mantra desavisado, na tua voz. É meu melhor vento que ouço e tem sempre muito a me dizer, com pouco. Como poucos.  É que me simplifico nisso e isso, me basta!
Meu mediastino pulsa e hoje, pouco chora. Não dissimula o verso plantado com raízes fortes num lodo que hoje, nada mais é do que adubo para o meu jardim interno.
Minha esperança é bem criada e presume belezas por mais de um milhão de anos, assim, imersos nessa boniteza que nos mantém livres, ao alcance das transformações mais que bem vindas e sagradas. E, mesmo que seja utopia, insisto em fazer do meu canto, hoje, um cartão postal vibrando na invocação daquilo que for sempre bom pra mim e meus lábios, em desejarem sempre colorir outros mais, tão fartos também de bem dizeres.

E, como se fosse Om, a minha nov'idade me trás aprendizados que eu não teria sabido lá atrás e pessoas que eu não teria conhecido, junto às suas experiências tão fantásticas e até, fantasmagóricas. Hoje, minhas escolhas são mais firmes e mais felizes. Sobressaem aos azedumes do dia a dia e acontecem simplesmente como quem floresce pra crescer sempre, por dentro, como se fosse um Om — um chamamento interior e que se redescobre, sim senhor, muito mais forte do que antes e um cadinho mais doce, também.

— Servidos... de bem viver?
 ~ ॐ ~

│Samara Bassi│

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Um comentário:

Crônicas de Areia disse...

Seríamos vinho se melhorássemos com o tempo?

Penso que não, pois não vejo o vinho dessa forma. É claro que o vinho pode até melhor com o passar dos anos, mas ele tem uma sina triste. Fica lá, sendo ostentado por alguém que a única coisa que faz é admirar, olhar, admirar e olhar de novo. que chato, não é?

Você, menina, não será colocada num pedestal. Ao menos não por mim, pois te quero aqui, em meus braços. E não se preocupe com idade, pois não é com o passar dos anos que você fica mais velha, e sim com o passar do tempo, e isso acontece a cada segundo. E se você for se afligir por cada segundo que passa, então não terá tempo para mais nada, não é?

Tua sapiência não é atrelada ao tempo, mas sim na necessidade que você tem de se auto-conhecer. E isso você faz muito bem. Quem dera eu pudesse partir nessas buscas internas, assim como você faz, e retornar com um jarro de essência colhido em minha própria fonte de "eu mesmo", essa que alguns dizem que não existe, mas que eu sei que é a fonte da juventude. Você descobriu o caminho da tua, não descobriu. Eu sei que sim, mas... esse é um segredo que não se deve contar, e vou ser aquele que mais vai respeitar isso em você.

O que importa, a mim, é saber que a minha fonte da juventude tem o teu nome gravado, e é o teu amor que me cura dia-após-dia.

Amo você, Samara. Amo, SeMpre amei e quero amar mais a cada dia.

Marcio.

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