25.7.15

Vastidão

25.7.15
© samara bassi

Meus olhos fartos são quintais,
vastos,
largos,
férteis
das tuas paisagens.

│Samara Bassi│

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Um comentário:

Crônicas de Areia disse...

Quando pedi paz, alguém me mostrou meus pés, e me disse “ande... ande muito”.
Sem entender, pedi alguém que me aceitasse e compreendesse, e me mostraram minhas mãos. Nelas, estava escrito “lavre”.
Refuguei a voz e roguei por alguém que me amasse, e foi quando minhas costas pesaram. Delas, uma voz lamuriosa decretou “dobre-se”.
Tapei os ouvidos, e pedi para compreender tudo aquilo. Nenhuma voz surgiu nessa hora, mas tudo tornou-se preto e branco.
Sentei e esperei. Nada.
Nem vozes, nem dor, nem cor. Nada após nada.
Foi quando reparei que o deserto interior era mais doloroso do que qualquer rasgo na própria carne.
Eu tinha tudo. Pés para vergar o caminho até encontrar um lugar tranquilo para repousar. Lá sim, longe dos desmazelos de um mundo que eu mesmo refugava. E somente meus pés e meu próprio esforço é que poderiam me levar até esse lugar. Lá nesse lugar, existia muito mato, mas existia uma enxada própria para o tamanho de minhas mãos. Se eu quisesse bons frutos, precisaria cultivá-los. E para cultivá-los, era necessário lavrar o terreno. Após o cultivo, foi necessário carregar nas costas tudo aquilo que cultivei. Estranhamente, sempre reclamamos do peso daquilo que precisamos carregar. Mas compreendi que não posso pedir aos outros para carregar aquilo que tanto quero. Sou eu quem quer. Quero para mim, e não para os outros. Então, devo estar preparado para carregar aquilo que tanto almejo.

Sentei e esperei. Nada ainda. Fechei os olhos, numa tentativa desesperada de respostas. Ao abrí-los, tudo estava colorido novamente. Em mim, ficou apenas a sensação que nosso mundo é da cor que queremos pintá-lo. Mas, é claro, cabe a nós o trabalho de comprar a tinta e colorir cada parede.

Amo você, minha travessa linda.

Marcio

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