15.6.15

Ressonância

15.6.15
danielle winter

toda arte é artéria, que ria
arterial, arte imaterial
arte e mistério
um rio no cio
artéria sem matéria
miséria sem arte
artéria impropéria
arte interna

toda veia, todo veio é lacuna de essência
 preenchimento arterial, essencial
todo suspiro é matéria iluminada,
é prãna e claridade
sutilidade imperial
astral do verso
 etéreo suspenso no cosmos
todo mantra é verso entoado no divino, no centro do menino
é coração que canta sem falar
que suspira o centro do seu ser
expira a eloquência dos homens sem discernir chão

suspira o centro
e suspeita o peito

faz eleito sua essência
faz do meio seu mediastino
teu caminho enrubescido de néctar
teu maior tesouro
teu ouro é mental
é espiritual
teu tesouro é um baú que bate e pulsa
tuas vidas passadas

e mediante o destino
é o mediastino que desiste da essência
transcende suor
e se aplica na veia do menino
que de outras vidas
escolheu todas pra te amar

ofertou amor num caneco de madeira
uma bebida dos deuses por teus pequeninos dedos
tuas mãos ofertam um espaço pra viver
pra se caber no vão de tantas outras vidas
um punhado de mais coração, na tua saída disfarçada de vento

semeia centeio
centelha acesa do ventre
quente caldo num caneco de madeira
esteira celeste
pra repousar um corpo inerte
cansado pelo ato
adormecido pelo gozo
e vivo pelo regozijo

encantou seu corpo na beirada da estrada
num deitar sem adormecer
teus elos com o amanhã

estepe por entre ciprestes
descascados na palma de uma mão
suarão gotas entre vitrais
vidros quebrados
estalados no calcanhar

todas as palavras destrinchadas, numa espiral de tempo
calçou teus sonhos numa peneira furada
saiu semeando o que ficava na maleta

espinhos do tempo
um lamento
guiso triste de serpente
que mente ao desatino
em espiral atrás do vento
torna sorrimento para narizes ouriçados

destrinchou teu corpo numa cama de espinhos, foi caminho que te chamou pra recolher migalhas como quartzos brilhantes, como teus olhos saltitantes
foi um punhado de loucura, sua aura de menino, de homem adormecido

se procuram por odores
amores de outro tempo
caçadores de saudades
amantes loquazes
ou simples mortais descobrindo vida eterna

o eterno é um tal de tempo que se veste de terno
não dissimula as veste e se faz nu diante de si mesmo
do seu espaço acanhado do teu rosto
acontece sem fazer alarme
sem fazer alarde e arde
como parte da estrada

na lapela um cravo branco
nas mãos um estalo de grafite
combina certo com quartzo cintilante
e nos olhos
o beijo que ela semeou em minha boca

nos olhos dele um tom de azul, um blues no tom exato pra minha voz entoar o som

essa estrada acaba nela mesma
vai a esmo
saracoteia e berra alto
quer teu salto
não do sapato
mas aquele em que tuas pernas te levam ao longe

ressoa no peito, tua mansidão etérea e vibrante
e finda, sábio-coração.

│Marcio Rutes│
│Samara Bassi│

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