29.6.15

Canção de ser livre, para o meu pai

29.6.15
Tenho aqui para mim que 
para sua imensidão de pássaro, 
os seus olhos de floresta 
não bastam. 
É preciso um rascunho de sorriso 
enraizado no meu dia, 
brilhando na tua tez.
São todas as miudezas vivas 
que me trazem sábias, 
teu andar de sabiá, 
onde os olhos assobiam meninices que 
te dão saudades de contar.
Teus dedos ampararam 
todos os meus caminhos 
e teus passos coincidem, 
afoitos, 
por um sopro de ar.
Teu azul é o meu mundo inteiro 
vestido na tua história
e o meu aceno é uma pipa,
cor-de-amor, 
te impulsionando 
alegrias pra viver.
Meu abraço é uma canção que invento 
quando não sei dizer mais nada e, 
quando são virtudes que aprenderam a amar 
sem diplomas embolorados,
me debruço vasta nesse que é 
o ofício de ser livre 
como asa e como casa, 
telhado e janela 
além de mim.
Como eu e você, uma coisa só.
Um só coração, livre
e insistente
de nós.

*segunda, 29 de junho de 2015, às 01:01 am

│Samara Bassi│

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