16.5.15

Sons do divino

16.5.15
'Aad Guray Nameh_
Jai-Jagdeesh' 

Mantra: do Sânscrito, Man (mente/pensamento) e Tra (instrumento). Os mantras são portanto, importantíssimos instrumentos da mente e estão presentes no Hinduísmo e no Budismo. São palavras de poder e carregadas de energia e vibração. Estão sempre presentes na sua língua-mãe e podem ser recitados ou cantados (Kirtan), em voz alta, sussurrados ou mentalmente. É um chamamento onde o ritmo e a intenção se espalham pelo infinito. Estabelecem um elo com o divino, seja ele qual for pra você e te aproximam, em egrégora e familiaridade, do seu íntimo. Propõem relaxamento, concentração, proteção, invocação, alegria, agradecimento e bem estar. 

Que som você está ouvindo agora?
Consegue perceber o mundo ao seu redor ou está tudo um caos que não se atenta à sua própria respiração?
Ou ainda, consegue distinguir os sons que te rodeiam ou tudo é um murmúrio desencontrado?

Perceba a importância do som nos nossos dias, na nossa vida  e de como ele interfere em nosso corpo, e principalmente, em nossa mente.

Então, eu convido-o a descansar a sua mente e aconchegar o seu corpo dentro de si mesmo, aquietando-o. Resista a tantos movimentos e note então, que ele se mantém leve e sua mente, encontra o seu ponto de equilíbrio, naturalmente.

Repita, como quiser um mantra de sua preferência mas, se não tiver ou não souber de nenhum específico, comece pelo mantra que carrega o som do universo, o som primordial de tudo e a constituição de todos os outros mantras: OM.

Se preferir, você pode utilizar um japamálá (guirlanda/cordão de sussurrar/repetir) que nada mais é do que um cordão de energia pessoal formado por contas, pedras, madeiras, semelhante à um 'terço' em que cada unidade coincide com um mantra dito uma vez.  Este instrumento auxilia na concentração e no ritmo da repetição para o estado meditativo. É mais como um aparato didático para a disciplina e ancoragem da mente durante o exercício, para evitar a dispersão.

Eu, como apaixonada e cada dia mais apreciadora da tradição védica — esta que por milênios constitui um conjunto de práticas e ensinamentos que, ao contrário do que se vê por aí de forma errônea, não condiz com nenhuma religião, mas apenas estabelece um vínculo com o indivíduo e seus mundos interno e externo, difundindo sempre uma espiritualidade livre, onde 'Deus' é livre de todas as formas e todas as formas pré concebidas de 'Deus' são vistas como divinas, venho aos poucos introduzindo com mais frequência e conhecimento os mantras em meu dia a dia.
Às vezes, me pego cantarolando-os por aí, baixinho ou até mentalmente e o que percebo é que se instala em minha mente uma grande sensação de bem estar e de conexão com minha própria essência.

Experimente você também e usufrua de todo benefício e paz que essa 'música do silêncio' poderá te oferecer.

│Samara Bassi│

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Um comentário:

Crônicas de Areia disse...

Somos uma caixa de Pandora, e em nós está guardado cada sentimento nosso, seja ele bom ou ruim. Alguns recomendam jamais abrir essa caixa, pois o que sairá de lá pode não agradar e gerar desgraças, pois se crê que o conteúdo é, em grande maioria, de coisas ruins, restando como única coisa boa a esperança.

No entanto, como se auto-conhecer sem abrir essa caixa e saber o que há lá dentro? O pior de tudo é que ela pode estar vazia, sem sentimento algum, nem bom nem mal.

Muitos não se permitem abrir a caixa, dado o medo do que existe lá dentro. Outros abrem, e pouco ligam para o conteúdo. Porém, alguns poucos abrem e tentam entender, lidar com as forças que movem o espírito. E entendem que em nós habita tanto o bem quanto o mal. Esses sabem que o sábio não é aquele que privilegia um ou outro, mas sim aquele que busca equilibrar os dois.

Equilíbrio. E isso, poucos conseguem. Mas nada impede que cada um tente chegar a ele. E só o fato de buscar esse equilíbrio, de tentar, já te faz alguém muito melhor.

E lá vou eu mergulhar em meus pensamentos de novo, Samara. Que bom.


Marcio

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