14.5.15

Sândalos azuis

14.5.15
danielle winter

Tão eu é teu enigma-cor. Sei de cor teu berço de florescer astrais, um cheiro de corte. Sorte a minha que te carrego nos bolsos teus etéreos caminhos. Tua fronte me dissimula o verso a brincar ser teu incenso, de ter bom senso e quando me despeço de ti, me despedaço em cinzas. É assim que me despenco. Pendo do alto. Emudeço o perfume, esfumaço no lume o meu sutil e escasso passo. Etéreo, sou. 


Entoo teu mantra-semente, minha mente é teu fumacê — abstrai o instante inconclusivo: Sou de um azul inventável! Colho sândalos e eles me levam pra casa. Hoje, guardei-os aqui: debulhados junto a matéria prima da minha essência hostil, desembrulhada aos poucos, nos poucos becos do dia.


Há uma luz que esquenta e transmuta todo som, todo tom, todo Om. Dá a luz à luz! Depois, trança a teia adocicada na sua fumaça parida.
— Banha-me no teu tom amadeirado, as minhas ídas horizontais!


 Há tempos que não me percebo, nem vejo tantos finais assim, com cores de boas vindas.
Veja por dentro:
— Sou desde sempre um emaranhado sinestésico debruçado nas flores com cores que não existem. Coexistem. Insistem, me disseram sim.


[ninguém precisa saber que sândalos azuis ainda não habitam um mundo, fora de mim.]


Teu rastro cessou. O incenso cedendo, abreviou o caminho.
E você, me ouviu?
│Samara Bassi│


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Um comentário:

Crônicas de Areia disse...

Que se cante com a boca rouca do peito, e que se respire unicamente pelos poros. Que se escute com a pele e se enxergue plenamente pelo tato.

Que se deixe de agir unicamente por aquilo que foi ensinado, algo que jamais transmuta daquelas convenções medíocres que o ser humano impostou.

A natureza é tua guia, e ela não se guia por padrões que ela não criou. Não se imagine fruto da criação humana. Sinta-se fruto do flerte da mãe-terra com o a poeira cósmica que rege tuas vidas.

Só assim para você começar a compreender a força que te compõe.

E aqui fico, com muito para pensar depois de cada linha que li.

Fantástico, Sam. <3

Marcio

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