11.4.15

Egrégora

11.4.15
pinterest
Despeje sobre mim toda a poeira cadente dos deuses sem nomenclatura, nem religião.
Dos espaços preenchidos de ar e éter, do sutil e do que acontece sem deixar rastros, mas se faz saber. Ser sonho.
Da brandura do curvar dos gestos, faça pulsar o prãna em meu mediastino — o centro cardíaco e a ca(u)sa de toda cura interna.
Absorva a leveza que nutre as minhas células com sua chegada, tal como a terra recebe a água em seu ventre guardado de potencial.
Meu corpo é templo e portanto, sagrado. Minha mente é a estrada da realização.
Ouço o mantra do universo ecoando em todas as direções, de todas as consciências.
Eu sou como ele: disperso, difuso, etéreo e livre. Eu sou a cura das minhas próprias negligências no instantâneo do desejar profundo.
Meu coronário te recebe sol e sal, te transmuta em essência até tocar os meus pés já imersos em toda energia vital.
Sim! Pó de rosas na estrada, um incenso floral, o sândalo na tez, transmuta todo mal.

│Samara Bassi│


© 2015. É expressamente proibida a cópia parcial e/ou total não autorizada de qualquer conteúdo deste blog.

Um comentário:

Crônicas de Areia disse...

O mantra, quem sabe, é igual ao vento... não evapora, só se espalha.

E assim somos, matéria que não se perde, mas é absorvida e reprovida de vida, seja ela em qual instância, constância, contingência ou consistência for.

Não acredite quando te falam que você aprende mantras novos. Não. Isso jamais acontecerá. O mantra nasce em você, é inerente daquilo que você será, independente do caminho que se apresentar aos seus pés. Não te deram asas, mas tua forma de voar é, justamente, o teu poder de imaginar, de crer e de criar.

"Do pó vieste e ao pó retornarás", pois é justamente da poeira cósmica que o fecundo ato matriarcal do universo te moldou. É poeira sim, mas poeira ionizada em pleno vento solar, soprada para um plano tão seu quanto a lua é dos lobos. A lua, menina, não tua, mas ela te deixa pensar assim, pois sabe o quanto essa paixão por uma luz é necessária para a sobrevivência de uma essência que nasce num par de olhos fechados, mas que aflora em cada primavera selenita.

Pirita não é ouro, mas dimensiona a ganância daqueles que são cegados pela purpurina medíocre que "alumeia" de um metal que mal imita outro. Materialismo insensato, igual a alma daqueles que só conjugam o verbo ter.

Brilho bonito é aquele que nasce lá no trigésimo ciclo. São tantas luas que clarearam teu jardim, e você, até meio egoísta, sequer acordou para ver o presente que a cheia te mandou: ela, a lua, contradisse a lei da natureza, e enquanto noite e tudo deveria ficar escuro, ela clareou teu quintal. E você dormiu. E mesmo assim a lua não desapaixonou de você.

Que paixão assim pode ser condenada? Se nem na escuridão da noite se deixa de amar? Se nem na distância se esquece de abraçar?

Um dia qualquer você chegará onde estou, e entenderá que essa história de se ter mais passado do que futuro não quer dizer absolutamente nada. E aí então você terá domado o tempo, mas não será senhora dele, mas sim alguém que entendeu que ele é apenas um agrimensor natural, dimensionando as locações futuras da matéria de seu corpo-carne. Mas ele não comanda, e jamais comandará teu espírito. Esse, é o mantra quem conduz.

Que show, Sam. Que show. Te amooooooooooooooooooo.

Marcio

Copyright - Quintal de Om © 2012 - 2017. All Rights Reserved to Samara Bassi.