31.1.15

Carta para um dia como todos os outros

31.1.15
M.

 Esta é uma carta para (o) presente. Mas, antes de tudo, esta é uma carta de amor.
É que já amanheceu aqui e os cantos envidraçam a manhã no beiral da minha janela, anunciando que este dia, sim, como todos os outros, é válido, mas muito mais do que isso, é especial. É o seu dia, claro, e como já falei: como todos os outros, mas este é só teu! 
Então, quero que deixe-me fazer dele, o nosso. Te receber na alegria dos meus braços abertos e te recolher nos abraços mais demorados e perfumados. Fazer disso a nossa rotina, em todos os anos, também como todos os outros, seus e meus. É que o meu melhor presente só poderia ser este, pra você e pra mim: um lugar comum, incomum pro resto do mundo. 
E enquanto todos os outros lamentam suas lamúrias aguadas de uma chuva que não cai e não tempera todos os outros dias iguais, montamos nossa ida do nosso jeito, com cada coisa, sim, no seu 'devido fora de lugar'. Sei lá, talvez seja este o meu melhor presente: um bem-querer-te-bom-demais e impresso, nesta carta ainda, já há tanto tempo destinada, mas não como todas as outras e nem comum a outros caminhos. 
Hoje, como todos os outros dias, tem um brilho especial porque nele há tudo que existe e vem de ti, ainda que hoje quem brilhe muito mais que tudo seja você, muito mais que qualquer dia de verão. 
É verdade que meus dedos se acomodaram no papel e dedilham em preces de bem querer, todo esse caminho rabiscado na ponta de cada lápis, as nossas rotas sem rumo e desde sempre tão certas. Meus olhos percebem e minhas retinas se acostumaram nessa sua cor de olho de infinitos céus. 
Hoje, meu bem, é um ontem renovado de importâncias só nossas e que não deixamos morrer. Abro-te meu baú de tesouros que já vem há tanto tempo ancorado no meio do salão — meu tão afoito e sutil mediastino. Há nele, um coração inteiro para cada dia que te amar. Há uma história pra gente colorir e sei que esse, pode ser sim, um bonito presente, também pro futuro. Porque, meu amor, há de termos para todos os nossos dias iguais, diferentes maneiras de acreditar no SeMpre que é pra rotina nunca deixar de ser surpreendente. É que agora, as minhas mãos se abrem fartas e calorosas, repousando teu gesto sereno sobre as tuas entregas, também, além deste dia, como todos os outros.
E para um 'ímpar de dois', é mais do que justo: Para todos os dias, felicidades!
Assim mesmo, no plural.
Tim, tim!

Da sua,
 S.
│Samara Bassi│


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Um comentário:

Crônicas de Areia disse...

Minha linda e amada S(amara).

Na medida em que lia tuas preciosas palavras (que para mim, são tão mais valiosas que uma prece de amor feita sem pressa), fiz uma viagem no tempo.

Lembrei de quando te conheci, e que por uma ironia do destino acabou sendo depois de me apaixonar por você, e de tudo o que fiz pra te conquistar. Quer saber? Faria tudo novamente, e exatamente do mesmo jeito. Foi tão gostoso estar ao seu lado em qualquer momento, bom ou não. Digo mais. Um dos maiores presentes que o universo me deu foi poder estar ao teu lado, mesmo na distância, nos momentos que não eram tão bons. Apoiávamos um ao outro de um jeito, que tudo parecia ter solução. Rsrs. E SeMpre tinha, não é?

Uma das coisas dessa nossa trajetória que me chama muito a atenção é o fato de termos gostado um no outro exatamente aquilo que outras pessoas consideravam em nós como defeitos. Pense bem. Quantas vezes já te falaram que você é calada demais, ou que se exclui dos grupinhos, ou que se isola? Eu também sou mais ou menos assim. Nos isolamos, e amei isso em você imediatamente. E também somos "boca-dura" e nervosos, sem levar desaforo pra casa. Palavrões? Falamos muuuuuuuuito, e sempre que dá vontade. Falamos palavrão até quando não temos vontade. Fazemos isso pra dar vazão àquilo que está trancado e engasgado, e isso espanta as pessoas. Somos assim. Nosso gênio não é calmo. E daí? Que se danem os outros.

E assim te conheci, me apaixonando pelos "defeitos" aparentes que você tinha, mas que na realidade não passavam justamente daquilo que eu procurava em uma mulher e que eram, sim, as qualidades que eu tanto buscava. Então, se eu me agradei com os "defeitos", imagine com as qualidades que vinham de você, minha pequena!

Superamos a distância, e vivemos tão mais juntos do que casais que convivem sob o mesmo teto. Eu te conheço como a palma do meu peito, pois foram tantas as noites que recolhi tua face nele, que ela ficou impressa, feito um sudário tatuado em mim.

Hoje é sábado, um dia muito mais especial do que meu próprio aniversário. Até penso que faço aniversário em cada sábado, pois amo esse dia da semana. SeMpre foi assim. E que ironia, não é? Sábado e Samara, SeMpre. Quase tudo em minha vida tem um S, e isso mostra que as curvas da vida estão bem ali, prontas pra te levar de um lado para o outro. E em cada lugar que essas curvas te levam, tem algo de bom. Basta aprender a olhar.

Meu presente é você, minha pequena travessa. Nossa vida vem sendo construída poeirinha poeirinha. Não construiremos uma casa, mas SiM um universo inteiro. Temos paciência para isso. Será um universo para nossa SeMentinha que vem por aí, a nossa Clara intenção de felicidade. Se ela vai querer esse universo, eu não sei, pois até acho que ela pensará como nós, e acabará preferindo um cantinho só dela, com passarinho e leite em pó, almofadas pelo chão e uma caixinha de isopor pra fazer de piscina.

A simplicidade foi a chave da nossa paixão. E é ela que nos embalará pelo nosso SeMpre.

Amo você, Samara. Amo. Amo. Amo. Amooooooooooooo.

Marcio

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