29.11.14

Viaduto do chá

29.11.14
cristiano mascaro
a loucura se pendura nas pontes 
e ecoa teu verso desmedido,
descalibrado sob meu céu.
atravessa as ruas desertas
e dentre tantas portas abertas, recolhe-se
seca e dormente,
fazendo arruaça
em meus olhos: 
pupilas latejantes.
e morre poesia
num gole de chá.

│Samara Bassi│

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2 comentários:

Be Lins disse...

Oi, Sam!

que loucura tramita por esse nosso mundo,
homens passarinhos, tão lindos, se extinguindo, e a gente só na saudade do tempo em que, sei lá, eram menos carros, e mais o som dos pés, no chão, os pés, as mãos, mais perto, mais generosos,

ando saudosista ao extremo.

Beijos, querida

Be

Crônicas de Areia disse...

Existe um punhado de rua,
que se vestem de avenidas,
intriguentas e briguentas,
e reminiscentes dessas consoantes
que nem para mera vogal serviriam.
Existe um punhado de decimal,
que nem numeral prescreve,
sal adocicado
um melado de fel contido,
no umbigo de uma catedral.
Existe muita gente,
descrente
entre o cerne e um doente,
que das vistas retas,
enxerga menos que um cego.

Existem, no entanto,
cantos nossos,
recantos cheios de encanto,
que sequer sabemos nomear.
São ruas quietas,
que estão lá,
por vezes desertas,
mas que apaixonam de um jeito transcendental,
incidental
e que não querem ser mais do que aquilo que transitam.
Lugares que excitam aquela veia mais poética.

E que não seja por isso,
por não duvidaria nada,
se Alice e sua trupe,
não estivessem por ali,
em pleno viaduto... tomando um chá.


Saaaaaaaaaaaaaaaaammmm. Que lindo.
E pode marcar no nosso próximo roteiro por Sampa. Amei, meu dengo.

Marcio

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