11.10.14

Inato, a vida é um ato por dentro

11.10.14
❝ O correr da vida embrulha tudo. O que ela quer da gente é coragem.
—guimarães rosa—


christina beckett

A vida tem dessas coisas, aparentemente sem nome. Uma firmeza nos punhos e não se esquece do seu punhado de sutileza — uma gentileza própria e autodidata pra se manter intacta, ainda e apesar dos arranhões. Tem pulso. Dá seus pulos. Ela tem dessas coisas: uma claridade que não se desfaz nos escuros e não se acovarda por trás de muros tombados com hipocrisia. Ela se amansa, espera, acontece. Brilha centenas de faróis no seu céu particular e no final, te dá um sinal verde pra você escolher. Embala criança quase sem querer, mas sabe sem pecar, encontrar aquela poeira esvoçante lá no fundo do quintal. Sabe resgatar a puerilidade impressa e que, por um mero engano, soterrada de casmurrices que o tempo desistiu de abrir brechas. A vida tem um feeling que muito pouco se engana. Que de arrancada, exterioriza um voo sem ensaios e certeira que é, atinge. Desiste dos rios que não sejam braços de mar. Que não desaguem no que lhe é semelhante.
Navegante bem sabido, desconhece improvisos porque sabe que o agora não está no barco, mas no mar.


[tampouco o caminho está]


Não é sóbria o tempo todo e de sanidade acometida, se faz louca por si mesma. Carrega dessas peculiaridades que desconfio bem e não me fazem parar, ainda que cegas sejam as minhas procuras. A vida, pessoas, é um mediastino implosivo a olho nu e que a duras penas se sobressai, até mesmo e além, daqueles que camuflam asas em seus braços descobertos e instintos crus. Nunca extintos.

│Samara Bassi│


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3 comentários:

Crônicas de Areia disse...

Já tentei buscar respostas para tantas coisas. Engraçado é que no fim de minhas divagações, sempre me deparo com um dilema: "serão as respostas que estão assim, tão bem escondidas, ou são as perguntas que estão formuladas de forma incorreta?".

Acredito no tempo, no vento e no beijo. E se vivi outras vidas e voltei para mais uma, é pura e simplesmente porque não aprendi ainda todos os caminhos do teu corpo, toda a química do teu beijo e todo o conforto do teu peito.

Um beijo é pouco para uma noite que apenas começou. E não se grita quando os ouvidos pedem apenas sussurros. Também não se geme pouco quando a janela é grande. Somos assim, não somos? Exagerados quando o assunto é amor, carinho, tesão e emoção.

São abraços que me faltam nesses dias frios, ou arrepios que deveriam latejar em minha pele e aqui não estão. Estão aí, ainda em tua boca, mas arfantes em queimar pelo meu peito.

A vida é louca, claro que é, pois somos um hospício apto para torná-la cada dia mais insana. E quão louca é a natureza a ponto de colocar em seu meio um gafanhoto tão esfomeado quanto o ser humano? No fim de tudo, somos o retrato de nossa própria mãe-natureza. Insensatos, mas ávidos por emoções incontidas.

Mas se um dia, no fim de tudo, me perguntarem o que quero, eu digo em alto e bom som. Quero voltar. Quero amar tudo de novo. Quer vir sem conhecimento de nada para descobrir tudo novamente. Quero aprender a amar, sorrir e chorar. Só que tenho uma exigência. Quero aprender tudo com a mulher que amo, pois sem ela, pode me deixar por lá mesmo, seja onde for. O mundo não teria graça nem loucura suficiente para me embalar sem você por aqui, minha linda, deliciosa e amada menina.

Só sei que amo te amar, Samara. E te ler, te admirar...

Se somos loucos como essa vida? SeMpreeeeeeeeeee.

Marcio

Déborah Arruda. disse...

Sam, que sintonia mais louca e linda! rs. Vi teu comentário e estava ontem mesmo lembrando que pouco tenho visto teus posts no face, ia mandar inbox até. Que falta faz essa poesia, jeito doce de ver a vida.
Que fotografia linda! Meu beijo.

A primeira estrela disse...

As bonitas e irônicas brincadeiras da vida. Deus as vezes parece se divertir um bocado com isso.

Linda, sua delicadeza.

Obrigada pela visita no meu cantinho.

Beijão.

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