15.6.14

Do encontramento

15.6.14
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Reluziu o meu dia, deduzi que seria você. Um já tão perto e certo, que as escolhas eram casacos sob o sol, agonizando a poeira acumulada. Aquela calçada era longa demais, larga demais e não me largava essa querência toda atropelando relógios, fazendo negócio com meu receio de sei-lá-de-quê. Medinho abobado de fazer cócegas na alma com seus dedos de vários tamanhos. Em meio a um rebanho de rostos, o meu olhar já havia reconhecido um outro tão quieto e azulado de riso interno, naquele enrubescimento atropelado pelo indicador:

― É você!


[e não é que você sempre soube mesmo de mim?! e me coube sem ensaios]



Há um certo abraço que não cabe em braços juntos, não por não estarem ali, não, mas é por não alcançarem. Esse abraço, é o coração quem dá de um jeito bem peculiar. E sabe? abraço de coração tem um jeitinho de cheiro todo bom. Tão bom assim como o seu, como o nosso e todos os nossos nós. São ainda, nossas temperanças como especiarias em todos os momentos, em cada passo na calçada, em cada beijo morado e demorado além de si mesmo.

Um coração balançado no bem querer é o balangandã mais bonito no mundo.

É também o enrosco de pernas, de bocas, o encaixe dos sexos, o não ter que haver nexo para quem não participa. Bonito mesmo é essa mistura do bem e do bom, é a nossa bobagem mais gostosa não ter que fazer nenhum sentido pro mundo lá fora. Mundo esse que também não fazemos questão que nos sinta ou nos minta qualquer gesto, qualquer resto de desagrado.
E por falar em gesto, num de repente o seu sim!


[e me coube, sem ensaios, à beira da janela]


Você me veio com olhos cheios de estrada e os meus, escolheram o caminho mais longo pra te acompanhar.


[e me habitou inteira, sem receios de não caber]


│Samara Bassi│

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Um comentário:

Crônicas de Areia disse...

Reparou que, assim vindo do nada (um "nada" que levou 3 anos sendo construído), algumas palavras passaram a ter um valor diferente em nossas vidas?

São palavras como VIAGEM, REPÚBLICA, MACUMBINHA, PASTEL, BANCO DE PRAÇA, VINHO, PENEEEEES, JANELA e SAUDADE.

Essas acima são apenas algumas palavras que, de um dia 15 para o outro, passaram a ter um significado totalmente diferente em nossas vidas. A palavra VIAGEM, por exemplo, passou a ter um significado de angústia para mim. Em tempo algum aquele pequeno período que antecede um deslocamento demorou tanto pra chegar. As horas dentro do ônibus viraram eternidades. E a volta... essa então foi como um estilete que rasgava a carne.

E REPÚBLICA? Meu Deus! REPÚBLICA é um dos cartões postais do meu mundo. Eu que já havia passado algumas vezes por essa praça, sem nunca ter reparado em nada, hoje posso descrever cada milimetro das suas pernas... das suas pernas? Pois é. A praça é linda, mas foi na REPÚBLICA, enquanto você comia PASTEL de palmito, ou andava ligeiramente (e de forma beeeeem ligeira), que eu aproveitei pra olhar de forma bem safada e gulosa pra essas tuas coxas grossas. Até limpei, assim com a maior cara de pau, as casquinhas de PASTEL que caíram na tua calça.

PASTEL? Acho que nem precisa explicar essa palavra, não é?

MACUMBINHA! Aromas deliciosos, e que levaram alguns minutos preciosos do nosso tempo naquela banca de feira. Incensos mágicos, de cheiro delicioso, e que a cada vez que acendo, me dá uma nostalgia danada, misturando-se a essa SAUDADE que já não tem tamanho. Só fiquei brabo porque não tem MACUMBINHA com teu cheiro. Esses argentinos não sabem o que é bom, né! (hehe... os incensos são fabricados na argentina, e lá pode até ter alguma Samara, mas só a minha é que é mágica).

Sem contar que eu fiquei te irritando, pentelhando, porque na REPÚBLICA, enquanto comprávamos MACUMBINHA depois do PASTEL, não tinha BANCO DE PRAÇA. KKKKKKK. Até hoje isso rende assunto.

VINHO. Esse santo suco que fez a temperatura ir lá para as alturas. Vinho e forninho elétrico. Antecedeu a JANELA. Foi de tirar o sono e rechear as vontades.

PENES. E antes que alguém malicie, nós já havíamos maliciado beeeeeem antes. É um macarrão que vamos fazer questão de comer em cada dia 15 de junho, em forma de comemoração. Se for contar a história, levo mais uns 3 comentários.

JANELA. Essa, eu guardo só pra nós dois, não é, meu amor.

SAUDADE eu nem preciso explicar. Essa palavra, quem ama ou já amou conhece de trás pra frente. E quem não quer amar, não precisa saber o significado. E saiba que é uma das palavras mais ardidas que conheci.

E tem mais duas palavrinhas, que quero deixar aqui registrado. São cinco letrinhas, ditas de um jeito mágico, enquanto um dedo me apontava e um par de olhos me miravam de um jeito singular, único:

"É VOCÊ!".

Sabe o que essas cinco letras juntas significam pra mim, meu amor? VIDA, RECOMEÇO, AMOR.

Amo você, Samara Bassi. Amo demais. Amo e quero você ao meu lado pra lá do SeMpre.

Marcio

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