16.6.14

A poética dos sopros

16.6.14
margherita arkaura
Um golpe de ar. Apenas um golpe de ar nos pulmões e a vida reage em cadeia. Dança milimetricamente, mas a passos largos. Flui além. Dos ventos sacudidos nas asas às cortininhas de casa. Da semente que paira e não pára de transpor barreiras às nuvens sem paradeiro. O impulso pra voz, a minha e a sua. O fôlego pra qualquer canto, em qualquer canto. É a nudez não imposta do interno e toda a sua força. 

Tem meu tom, meu som orquestrando sentidos que já não morrem nas flautas de quem não as tocaram. Nas harpas que não musicaram. Tem a minha energia inteira preenchendo espaços etéreos do meu soprar que não sai ileso, mas que também não me pesa. Não é mantra, não é reza. Não, necessariamente. Tampouco mistério. Nem assombra.
São meus ventos que me levam e me trazem toda vi(n)da em redemoinhos elementares. Que colorem o meu sangue e a minha aura. E todo mundo tem. É! 

Então, acordem e ouçam: 
— sobre os acordes que te ninam à beira da noite, em travesseiros de estrelas, há um sopro vital onde o verso é um encontro poético com essa essência que não se pode viver sem. Onde é, antes de tudo, uma inspiração. E de tanto vazio que pareça, o mundo é o próprio impulso de um gigante balão. É um centro vivo e quase solar que ri e ...


g
       i
        r
   a, 

g
           i
             r
         a, 

                                                                                                                               g
                                                                                                                                           i
                                                                                                                                              r
                                                                                                a.


É brisa que se derrama, esparrama e que nos chama para ser ouvida. Não precisa ser vista mas sim percebida. Que se sustenta no ar. 
Um encantavento? Sopro a cataventar? 
Que seja. E que vente.
Que me soprará

│Samara Bassi│

© 2014. É expressamente proibida a reprodução parcial e/ou total de qualquer conteúdo deste blog sem a autorização do autor. A cópia não autorizada e/ou qualquer outro tipo de uso indevido da obra, implicarão em penalidades previstas na Lei: 9.610/98. Não viole. Conscientize-se e passe esse respeito adiante -

Um comentário:

Crônicas de Areia disse...

São tantos os momentos em que o ser humano despenca, desacredito, imaginando ser o fim de uma jornada que, por vezes, sequer começou.
A imposição da auto-cobrança sempre foi maior do que aquela que vem de terceiros. Ao menos assim é para aqueles que buscam ir adiante, sem depender das forças alheias.

O chão é sempre mais duro para aqueles que caem de joelhos. Esfola a alma. Mas esfola também o brio, e este, se arranhado, sangra farto. Os olhos embaçam e os pulmões encalacram com o zinabre que vem da vergonha de levantar o olhar.

Medo de encarar a vida? Insegurança frente aos olhares maldosos daqueles que sequer sabem o que acontece?

E vem o vento. Aquele mesmo que sopra tempestades. Mas que diabos? Tempestades fazem parte da natureza, seja ela aquela que faz nascer árvores ou que permeia o instinto animal do ser humano.

A natureza, com seus ventos e terremotos, jamais atarracou nós em nós. Ela, quando balança árvores, é unicamente para dizer ao nosso ímpeto para buscar proteção e aprender a se defender.

E vem o vento. Ele vai soprar, vai arrebentar barracos e ciprestes, mas vai limpar uma superfície fraca. Reforce-a.

Tem medo do vento? Se amarre ao chão. Ou voe com ele. Gire. Gire. Gire e aterrisse meio capenga e sem norte, mas finque novamente os pés ao chão.

Sermões só servem àqueles que baixam a cabeça. Para aqueles que querem ir adiante, um mapa é muito melhor. Palavras não são vento, mais se um sopro de letras atinge as meninges, esse alveolado de reminiscências pode compor frases, e o melhor, sempre com algumas reticências, que é para guardar aquele gostinho do inesperado. Mas somente será surpresa para quem estiver olhando.

Vamos voar. Não há vento que destelhe telhados bem pregados. E como dizem, a necessidade é mãe. Mãe daqueles que precisam aprender a soltar soluções que estão presas na garganta.

Que show, Samara.
Que show, meu amor.
Que show.
Te amoooooooooo

Marcio

Copyright - Quintal de Om © 2012 - 2017. All Rights Reserved to Samara Bassi.