20.5.14

Antes do fim de maio

20.5.14
maio já está no final, é hora de se mover 
pra viver mil vezes mais
—kid abelha—

weheartit
Na minha janela, há luz. E há também um punhado de tardes dormindo nos olhos. E pra sorrir, acendi muitas luas até aqui. Passei chuva, passei sol. Arco-íris eu mesma colori, assim, meio que atrapalhada. Mas quer saber? até que valeu! Valeu, porque a gente só descobre o paladar dos dias quando se mistura com eles. O perfume e todas as cores eu também busquei na paleta das minhas lembranças. Uma boa nuance, uma mistura da qual eu mesma me orgulho.
Eu me orgulho ainda,  das escolhas erradas e que nem eram tidas como tal, quando foram escolhidas e lá na frente, colhidas. Me orgulho por não ter que ficar justificando pelo resto da vida e para as outras pessoas todas as escolhas que fiz, os caminhos que tracei e que por ventura, desviei. Me basta apenas fazer com que eu saiba, eu compreenda e somente eu entenda o porque de cada uma delas. Porque só eu sei, aqui dentro de mim o que cada uma me trouxe de bom e de ruim e o que e como cada uma me representa. Algumas se comparam a roupas na vitrine — aparentam ser a coisa mais linda e ao vesti-las, o sentir na pele traz o desencanto. É, eu me orgulho, ainda que me doa vez ou outra, de ser quem eu sou. Por ser reciclável, não descartável.

Ei, e teve um tanto de belo! Maravilhosidades que não importam a mais ninguém, porque nenhum olhar é igual. Eu só sei que fiquei (até) aqui, onde meu coração tem feito morada e namorado dois pares de céus — o azul e o reflexo, se é que vocês me entendem.

Maio, maio, maio...
e a vida me traz tanto gosto de um sol morninho pelo meio das horas, com brisa de minuano azulado nas bochechas que rosam. Um rosado de púrpura enrubescido de Deus. Aquele gelo por baixo do queixo que só arrepia vontades de abraço e um muito mais.
Das tangerinas descascadas à beira do quintal, o que fica mesmo é o doce de sol melando nos dedos.

Será que a gente se acostuma um dia a viver sem esse "ensaio de inverno"? Porque há uma certa magia nesse quinto lugar do ano que me embrulha sem perguntar. 
E como eu, há também quem desprenda um riso por nada, mas que não é por nada que se desprende da dor. Que desaprende o que pesa nas costas e no mediastino, já tão marejado dessas águas que passam, que passam... cristalizando um choro sem beiradas, nem asas, nem penas.

Meus braços são pontes e alcançam o topo dessas estrelas que a gente brincou de desenhar com a ponta dos dedos. De escrever nomes na janela respingada de chuva e no vidro do carro. E aqueles dias mais frios que amarelam as folhas ainda presas nos galhos, constroem na brincadeira, um balanço no cílio que faz a gente dormir abraçado, sem nem perceber. É que a gente se quer tanto (pra antes do fim de maio e também pra depois) que um detalhe manso se faz grande num piscar de estrelas, no piscar do teu olho.

Maio nos toma, nos torna além de um pôr-do-sol. Ensaia passeios com mãos dadas e sonhos nos bolsos. Cabana de cobertor com vista pra janela da sala.
Nos faz reféns de um bem querer mais largo, mas mais perto: o meu bem querer, o meu eu em você, as minhas brisas todas no seu respirar. E antes que ele acabe, isso tudo é só o começo de tantas outras proximidades que ainda serão, das histórias que contaremos.
Dos meses, das estações... de tudo que já fomos juntos e do todo que já começamos a floreScER.
E antes que maio acabe, já teremos sarado, já teremos sido, sorrido... mais de um milhão de vezes.
Seremos, também pra lá do depois.
Pra tantos outros começos e finais de mil meses e maios, ainda, além de nós dois.
Tantas histórias ainda nos dirão sim e nos farão casa, serão nosso céu e nosso chão. Nosso teto, nosso humilde castelo. Nossa embarcação.

Você é tão bonita! Parece um princípio claro e simples no mês. E também silencioso, como tudo na vida.
E eu segui acreditando, como deve ser. Independente dos meses. Independente de quem quer que seja.

│Samara Bassi│


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2 comentários:

Crônicas de Areia disse...

Essa tua fantástica crônica me inspirou, mocinha. E fui buscar em mim algumas paixões, e também os motivos para atitudes e decisões que tomei nesses tantos anos de caminhada.

Acho que mergulhei de tal jeito em tuas palavras, que acabei sonhando acordado.

"Não sei se consigo (ou se quero) explicar as paixões. Explicar para que? O bom é vivê-las...

...quando a paixão se transforma em amor? Penso que isso ocorre exatamente no momento em que tudo o que você planejou, ou sonhou, começa a florescer, a criar ares de algo palpável e real, pronto para ser construído. Sim, você constrói o amor.

Mas não existe aquele amor que brota do nada, que vem sabe-se lá de onde? O tal “amor a primeira vista”?

Honestamente? Penso que não existe. O que existe é a pré-disposição para gostar, a permissão que se dá para amar e ser amado. O que existe é o ato, o gesto de abrir as janelas do corpo e da alma para que entre luz, e assim, areje-se os próprios sentimentos. Uma pessoa que se tranca é alguém que não está disposto a amar. Muito menos ser amado, mesmo que insista em dizer que “ninguém me nota, ninguém me gosta”. Obviamente, não será gostado, pois espanta a todos os que estão por perto...

...sou um apaixonado por algumas coisas. Estrada, natureza, boa música, um papo descontraído e inteligente, jeans velho...

...Junte um jeans velho, estrada, mochila, um bom e confortável par de tênis e uma certa garota que é maluca por natureza. Acrescente a isso a minha vontade de amá-la para SeMpre, e você terá me dado a fórmula do meu paraíso.

...Nesse paraíso, o meu paraíso, tem beijo na boca e mão boba, tem muita natureza, tem estrada tranquila, tem rio com pedras enormes, água límpida, passarada cantando solta, um lugar no meio do campo pra “fazer amor” com meu amor, e a liberdade para escolhermos nossos destinos.

Porque as paixões são assim, não precisam ser explicadas. Precisam ser vividas.".

E esses trechos que estão acima, entre áspas, são partes da crônica nova que acabei de escrever, e que foi completamente inspirada nesse teu texto fantástico.

Este aqui ainda não é meu comentário. É só um jeito de mostrar o quanto você e esse teu jeito mágico mexem comigo.

Moça que eu amooooooo.

Depois eu volto para comentar como se deve... rsrs.

Marcio

Antonio Reis disse...

As vezes fico a pensar que magia é esta, que vem de Maio.Maio das noivas, dos mistérios de Lourdes, Maio que se precipita para o inverno, o mesmo Maio que se dedica às mães.Há encanto sim Samara,que você tão belamente traduziu.
Parabéns minha amiga, quem faz bem feito merece aplausos.

Um abração.

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