17.4.14

Habitat

17.4.14
weheartit
Amor meu, há um punhado de beiradas e pontes que ainda venceremos. De saudades desbotadas que saberemos recolorir e haverá ainda, tanta gente vazia a nos rondar mas que não nos derrubarão. Sequer nos tocarão, porque a fortaleza é algo muito, mas muito maior e que mora em nós dois. Somos um sempre trilhado pra dar certo do nosso jeito, ancorado no nosso peito, no nosso riso diário e imbatível. Indestrutível. Ah, meu bem, somos um ímpar de dois. Somos tantos depois que ficaram guardados só esperando os momentos mais bonitos pra desaguar nossos abraços novos, mas tão de antigamente. Somos preciosos. Precisos um do outro. Caminho um no outro. Somos um porto pronto de ancoragem do nosso amor maior, cada vez melhor. Somos esse jeito cada vez só nosso de pertencermos um ao outro e não medimos distâncias possíveis, já que o impossível é um contorno que a gente molda com o nosso bem querer. E é tanto verso brotando numa fenda de asfalto, numa estria de riso frouxo que nos garante todas as idas e vindas sem desesperanças. Juntos. Amores, amantes? somos muito mais do que isso. Somos cúmplices. Somos, apenas. 
Já é tarde e ainda continua frio. Então, feche os olhos que o meu sol te aquece por dentro. Eu carrego um berço em meus braços curtos e gigantes no te envolver, no te ter cada vez mais perto e cada vez mais meu, em mim. 
Sinta meus dedos que te pianam o rosto de um jeito que eu gosto tanto, e me ouça cantar todas as músicas que fazem nossos lábios sorrirem e invejarem qualquer tristeza intrometida. Rabisco meu beijo na ponta da língua e te conto todas as nossas histórias. As que já sabemos e também, eu posso inventar um milhão a mais delas, se você quiser. No nosso castelo, podemos ser o que quisermos e ninguém tem nada a ver com os nossos enredos.

— Sabe menino, não é segredo, mas é tesouro:
— teus olhos guardam meu céu. 


[céu que eu há tempos escolhi pra (na)morar.] 


— E te explico:
— ele é casa sem paredes, sem telhado, sem portões. É um infinito. É sim! Porque o nosso amor é um além que nos compõe e nos faz morada sem pertencer a lugar nenhum fora de nós. Só dentro. E ninguém mais precisa saber ou entender das nossas manias, taras, preciosidades, quereres e bobagens que nos completam tanto. Ninguém precisa saber nossas entrelinhas além de nós dois. Tampouco dos nossos 'fora de lugares' e que nos acertam tão bem.

Tem amor que não cabe em qualquer canto. O nosso, não cabe em canto nenhum deste mundo que não nos comporta e não se conforma com nosso jeito de ser.

Mas sentimento é grito em quatro cantos e nos dedura mesmo, fazendo farra. Eu deixo, porque é nisso que me encaixo. E só me importo em saber o quanto eu me encaixo em você. E quando eu digo que meu melhor assunto é o mesmo que o seu, aí que o alheio se incomoda. 
Deixa, meu bem. Porque não há espaço em nossos risos pra mal quereres e nem (in)cômodos apertados que não nos pertencem nem nos tragam sorrisos e luz de manhã na porta de casa. De todos os amanhãs que colori pra te habitar e pra te receber, só me interessa os nossos, os meus nesses olhos teus.

Nos bastamos e somos muito mais que um mal olhado enraivecido que nos observa.
Somos um SeMpre que não se desmancha e não se desvia. O que não são para os nossos olhos, não nos cega. Não nos veste, porque não nos serve. Em nenhum sentido.

│Samara Bassi│
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Um comentário:

Crônicas de Areia disse...

Tantas vezes a gente sangra. Sangue santo, ou sangue profano. Mas sangra.

Sangramos pelos olhos, sangue salgado. Sangramos pelo peito, sangue desalmado. Sangramos pelas saudades feito sinas em sinos a cascatear nossos hinos. Choramos algo que nem tínhamos.

A palavra é, por vezes, uma faca mal afiada. Aquela mesma que escolhemos para suicidar o vício das noites mal dormidas. Essa faca roça a pele e fere levemente, exatamente como a insônia insalubre de um sentimento de falta. E como faz falta esse teu peito, esse teu beijo em minhas estripulias, em minhas necessidades nada contidas em ser abstrato dentro do teu tão natural concretismo efêmero. Não? Você é abstrata também? Então viremos fumaça, para efemerizar até os substratos daquilo que nos consome, esse fogo sobre-humano que punge de nossos quadris senis.

Diz pra mim o que te reza, o que te crê, e eu te desvendo em meus oráculos recolhidos. Te eternizo em minha retina já vivida e desbotada. Te rivalizo com o destino, e mostro a ele que não respeito sinas mal trajadas. Porque de roto, basta o desgosto de não poder prever o futuro.

É. Mal agouro é fruto que cai e apodrece. Não dá semente e muito menos vinga vindo de semente. Não existe e jamais existirá olhos obesos que destronem minhas vontades. Nem as tuas. SoMoS hoje, ontem e amanhã, tudo aquilo que já sonhávamos enquanto ainda embrionados pelos ritos magnéticos desse universo sem fim. Somos filhos do universo, e como tal, somos infinitos, com vontade de expandir e, se preciso, até explodir. Não temos medo. Não temos trela nem tralha que nos prenda. Somente um ao outro.

E sabem menina! Você é a chame que me tranca e me liberta, dependendo daquilo que mais me amalucar naquele instante. Porque não existe nada nessa vida que me alucine mais do que ficar assim, trancado em qualquer canto junto a você e essa tua tão doce/ardida boca. Ardida sim, pois se não fosse assim, eu te temperaria com um pouco de pimenta. E é de menta que vamos jogando migalhas pelo chão.

E eu amo, amo, amo, amo, amoooo você, Samara.

Marcio

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