27.4.14

É saber que nutre

27.4.14
meiomaio
Em terra não volvida por longo tempo, ervas daninhas não devem ser vistas de todo mal. São elas que amparam fazendo a cama, forram o chão, seguram calor, protegem, são teto e telhado até ser chegado o tempo das sementes e minúsculos brotos germinarem, prontos. Há um certo tipo de amor nessa competição que poucos percebem. Na verdade, ervas daninhas são em tempos de frio e estio, esteios de generosidade.

│Samara Bassi│

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2 comentários:

Crônicas de Areia disse...

A leitura é uma arte para poucos. Talvez seja uma arte até maior do que a de escrever.
Quando leio um texto que está embalado numa metáfora (também uma arte para poucos), antes de qualquer coisa, tendo me manter fiel àquilo que foi proposto pelo autor. Mas depois, me deixo envolver pelas palavras cruas, e não raro acabo descobrindo outras nuances tão ou mais belas do que a proposta inicial.

As ervas daninhas, daquelas que aparecem sem a gente chamar, estão sempre lá. Os invernos também. Tudo isso é independente da nossa vontade. Alguns erradicam as ervas, mas depois acabam por não suportar o frio e perdem o terreno fértil a que estavam acostumados. Com o tempo, e a repetição do ciclo, a terra não promove mais nutrientes, e aquilo que um dia foi uma bela seara, acaba secando e vertendo sal e fel.
Uma metáfora fantástica para descrever os sentimentos humanos e como acabamos precisando até daqueles chatos que, vez ou outra, são os únicos que nos cercam. Até eles, os "chatos daninhos" tem a sua serventia na corrente da vida e em seus ciclos.
Extirpá-los? Sim, você pode. Mas entre "poder" e "efetivar o ato" existe um vácuo que pode vir a ser preenchido com o inesperado. Geadas também acometem o peito.

Numa segunda leitura, me peguei pensando numa questão mais antropológica. E temos por hábito, eu e você, Samara, de ramificar assuntos e buscar elementos que sequer sabemos que eles estão lá.
Adoro isso em nós dois.
Chegamos a este mundo depois das ervas daninhas. E enquanto elas protegem o solo, nós escavamos, derrubamos árvores, movemos montanhas, mudamos cursos de rios, queimamos, matamos tanto a flora quanto a fauna, etc... etc... etc...

O teu curto texto, mas que eu já conhecia e adorava de muito antes, fez brotar uma pergunta em minha mente:

Quem é, REALMENTE, a erva daninha para este mundo: o mato que brota insistente pelo chão, ou o ser humano?

Beijos, minha adorada e amada menina travessa.

Marcio

Samara Veras disse...

Suas delicadezas em palavras ganharam minha alma.

que a luz de cristo te abençoe.

cada dez mais.

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