15.12.13

Para olhos que lhe convém

15.12.13
Weheartit
Sempre digo que não importa o que seja, podemos não aceitar algo, mas no mínimo respeitar. E a beleza está sim nos olhos de quem vê, nas experiências de quem vive, na pele de quem sente. Assim como a dita "feiura", também está nos mesmos olhos de quem não vê ou não quer ver.
Aliás, o feio é bonito quando lhe convém. 
O bonito, também.

Talvez por civilidade ou por "discriminação", fomos padronizando comportamentos e rotulando-os como tidos "normais" e qualquer desvio era simplesmente descartado, ignorado, ridicularizado.

[Não esquecendo que no meu ponto de vista, a discriminação pode ser negativa ou positiva, pois nada mais é que um "diferenciamento"... mas isso é outra história, embora caiba muito bem aqui.]

Quem ama o feio é porque bonito lhe parece, ou vice versa. Ou até, quem ama o feio é porque a feiura da boniteza não lhe cause coisa alguma. Enquanto que a feiura do bonito seja algo que todo mundo note.

Acontece que o feio e o bonito nada mais é do que um divisor de águas mesclando a sociedade quase que numa boiada demarcada e rotulada de qual será que irá pra desfiles e leilões e qual irá pro abate.

Preciosidades são relativas e a relatividade não detém manual de instruções. O feio é bonito e o bonito é feio, também. Carregamos esse "leitor de código de barras" ótico quase que inserido no nosso cotidiano e nos rendemos às pressões impostas e acredito não demorar muito, andaremos com um código de barras tatuado na nuca, chipado!

Aprecio muito mais pedras de rio, quartzos enterrados em ruas de terra, que uma esmeralda engavetada que não se pode tocá-la, senti-la. Que valor ela terá, se não pode ser compartilhada a textura, a experiência, o tato? Chego a acreditar que, diante de tanta restrição, nos atribuem à ela um valor falso.
E não, para mim, esmeraldas não me têm valor maior que quartzos ou pedras de rio. E também não me causam encantamento maior que por essas pedras que citei.

Pedras de rio e diamantes, embora possuem sua composição diferenciada, vieram da mesma natureza.

À que olhos bonitos ou feios diamantes e grafitos se tornaram "a bela e a fera"?
Ambos possuem a mesma constituição química e diferenciam-se somente pela disposição de suas moléculas.

Diante disso já se propõe que o que importa aos olhos do mundo é mesmo a embalagem, o arranjo, o polimento das condições, das expressões e não a essência que constitui tanto o micro quanto o macro. O macro é feito de que mesmo? não é do micro?!

Há olhos agressivo e vulgares, há olhos alienados somente pro bonito falso, e não natural.
Há olhos, naturalmente nus. Há camuflagens para o que se quer ver.
Há olhares que não nos dizem nada.
Há olhos de sal, olhos de verão.
Mas isso, depende do olhar (de cada um), não é mesmo?

│Samara Bassi│

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2 comentários:

Crônicas de Areia disse...

Essa é uma daquelas crônicas que, se eu não cuidar, o comentário sai bem maior do que o texto do autor. Bom, vou tentar usar um pouco de síntese, mas não garanto. rsrs.

Todos somos iguais, independente da cor da pele, da composição física, etc. Afinal, todos somos carbono. Mas, somos dotados de inteligência e, nem sempre, livre-arbítrio. No entanto, a maioria tem sim.

Existe algo nesse mundo que não tolero. E é justamente aquela famosa máxima de que "o feio não existe". Existe sim. Principalmente quando se aceita a existência do "belo".
Para que algo seja considerado belo, tem que ser comparado com outro algo. Então, se algo é mais belo que outro algo, logo o outro algo é feio (ou menos belo)... simples assim.

Depois que inventaram o tal "politicamente correto", tudo ficou pior. Parece que seremos processados por não achar algo bonito.

E como você brilhantemente afirma nas suas palavras, Sam, acabamos padronizando e rotulando muita coisa. Se é magro, é bom e bonito, mas se é gordo, é feio. Se é assim, é belo, se é daquele jeito, é feio. Vale o que as tendências mandam. Vale o que os especialistas gostam. Vale o que os outros pensam.

Que droga. Cadê a opinião própria? É mais fácil pensar pela cabeça dos outros? E se eu não gostar daquilo que a maioria gosta? E se eu achar ridículo o padrão de "barriga negativa" que as mulheres adotaram nos dias de hoje? E sim, acho isso feio, e daí? Não tenho direito a ter minha opinião?
O pior é que tem muita gente que vai me criticar por isso. Quer saber? Que se dane o que pensam. Acho feio e pronto.

A beleza só é verdadeira ao olhos quando a pessoa que está enxergando aquilo está isenta de manias e vícios midiáticos. Ela, a beleza, só é verdadeira quando a pessoa aceita a verdade não daquilo que vê, mas daquilo que gosta, seja isso algo que os outros gostem ou não. A beleza que se vê só é verdadeira aos olhos de quem olha quando aquilo que é visto faz bem e combina com aquilo que se quer realmente achar belo.

Imposições de terceiros? É muito bom sim. Bom para vender quinquilharias que ficarão trancando canto nos armários logo logo, pois já em seguida os "terceiros" farão novas imposições de tendências. Vai, continua indo pela cabeça dos outros... adoro isso. Aliás, meu lado publicitário adora.

Eu gosto de pedra de rio. E amo quartzos brutos. São belezas naturais.

Já conhecia boa parte dessa crônica fantástica, Sam. Mas é uma delícia te ler SeMpre. Amo.

Fantástico.

Marcio

Helena Frenzel disse...

Pois tudo é relativo. O belo e o feio, já escrevi sobre isto. Deixo aqui o link se quiser ler e conhecer a história de minha amiga Lindanaura (www.recantodasletras.com.br/contosdefantasia/1643206). Deixo também um link para um poemeto de uma colega sobre nossas preferências em comum: um convite para beber! (aquarioliterario.wordpress.com/2012/08/27/entao-beba-a/). Abração, Samara! Boas Festas para você e para o Márcio e para as famílias de vocês dois. Um 2014 repleto de poesia - existirá desejo melhor? :-)

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