12.12.13

Nem todo rochedo é de areia, nem toda lama é barro

12.12.13
Weheartit
Sim. E todo lago tem suas ondas turbulentas, todo céu azul nunca é azul todo santo dia, nem todo santo é milagreiro. 
Toda flor tem algum espinho, toda pedra mora em alguma ladeira. 
As flores de lótus, nascem da lama e águas lodosas. 
Chuva sempre floresce. 
A noite sempre amanhece, o dia vira noite, um suspiro pode ser açoite. 
Todo corte cicatriza. Marca, mas não desarma o coração de boas presenças. 
E o que importa fica, sempre. 
Sempre permanece o tempo necessário para acrescentar.... a quem vai ou a quem fica. 
A vida se estica leve e frondosa nessa beira de praia, nesse balancê de saia rodada,  antes que toda mágoa caia em desalento. 
No desantento, até tudo acontece para dar certo, mesmo que a verdade não se aparente perto. 
É! O olhar é muito mais amplo, ainda quando o peito é um (in)cômodo apertado.

Então, navegue, 
faça a curva, 
não se curve, 
regue-se de vento, 
disperse os lamentos
que no outro lado do rio, 
o sorriso vem brotando
só porque você chegou.

│Samara Bassi│

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3 comentários:

Bessa disse...

Um título instigador, minha amiga Samara. Pleno de sentidos que planam em alturas estratosféricas, alto demais, talvez, para a compreensão deste teu modesto amigo aqui. Porém, à medida que se navega mais em teu belo texto, as imagens colimam-se em uma ótica já mais conhecida, mais familiar, e a forma de uma exortação, tingida de uma subtílima melancolia, configura-se mais e mais. É a Samara de sempre que aqui vejo.

Todo corte cicatriza. Certo. Mesmo a árvore deitada ao chão pelo rude machado, renasce aos poucos de si mesma. Diferente, certamente, e já não será mais a mesma. Porém, a nova árvore será ela-diferente-da-antiga. Sem maiores julgamentos de valor. E será si mesma.

Um texto para ser lido e relido com a atenção (e calma) necessária que dê espaço a esse olhar que se expande deste cômodo estreito. (Fazia anos que eu não ouvia falar de "balancê de saia rodada". Obrigado por ter-me restituído essa lembrança…) Texto e imagem escolhida, um verdadeiro deleite para os olhos e o coração.

Meu carinhoso abraço, querida amiga, fica bem, bom fim de semana para ti.

André

AC disse...

Viver é uma arte, de preferência repleta de poesia.

Abraço

Crônicas de Areia disse...

E por mais que alguém pare, o mundo gira, anda por quem parou.
Que o mal jamais suplante o bem, e que o bem, mesmo muito mais necessário, equilibre-se com o mal. Nulas as forças, fortalecido o ser.

Sim, temos o mal. Não somos de todo bons. Sim, temos o bem. Não somos de todo maus. Somos essa esfera concêntrica, urdida entre forças opostas.
São essas forças que nos impelem a loucura e a lucidez, o bem e o mal, a ganância e a humildade.

A água que te mata a sede, também pode te envenenar. E se de uma hora para a outra a brisa leve vira furação, a água boa de navegar pode te esmagar em gigantesca onda.

E o sol, tão necessário para a vida, aniquila em desertos abertos entre o branco, que para alguns é pureza, mas que para o deserto é aviltante da sede e da fraqueza.

Sábio é aquele que não lutra contra as forças opostas, mas busca o equilíbrio. E se algo era desconhecido, nessa roda da vida onde existe o aprendizado, esse algo torna-se elemento do conhecimento, mas o desconhecido permanece lá, em outro algo, equilibrando a magia de querer ir sempre além, buscando interação com as forças tão ao norte do nosso ser.

Que bom.

Sam, que espetáculo. Adoro confabular, discutir, conversar sobre temas assim. E ainda mais com quem sabe o jeito de me despertar curiosidades e novas fronteiras.
Verdadeiro show.

Marcio.

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