1.12.13

As (com)portas de cada um

1.12.13
weheartit
Eu?
Já tive por inúmeras vezes o medo do escuro, mas não do escuro em si. O meu medo era dos fantasmas que não existiam e mesmo assim, eram tão evidentes. 
Mas sabe que há diversos escuros? é! 
E cada um faz o seu. Eu tenho tantos dentro do meu e que guardam tantos outros e outros e outros...
Mas, deixe-os dormir porque aqui, ainda é claro e existe luz diante dos meus olhos

[todos. tantos. nus. sutis. densos...]

Sem carregar verdades absolutas, somos esse grão de areia estelar, esse pó de estrelas cintilantes e nem sempre nos acostumamos a aceitar tal fato. E quando sim, aceitamos no egocentrismo de tal brilho nos cegar.

Carregamos tanta vaidade num inverso acanhado das mãos que se levantam diante das faces, que deixamos de ver além, um amém minguando por entre as rezas daqueles que não sabem compor estradas no seu próprio peito. Interno é esse enraizamento compulsivo, explosivo que nós homens, construímos sem flexibilizar pontos de vistas.

Revistas são nossos olhos que se acostumaram no conveniente.

Somos tão imensos na humildade e tão pseudo-gigantes na nossa ignorância ilusória de tudo querermos ser sem estudar o "ao redor".
Somos terra e somos vento. Ar da ligação por entre os meios que circulam, abraçam como vestes e como braços, nossos elos perdidos de nós. Nossos paralelos não coincidem na viagem e ainda assim, encontram pontos comuns no caos.

Caos?
Não somos (p)arte criada por sorteios. Somos estudados e de nós, somos estudantes.
Somos prismas ventilando o ego distante daqueles que não compreendem o perto e não sibilam em meio o mediastino, o seu sopro complexo, livre.

Cortamos o cordão. E continuamos umbilicalmente enterrados no lodo, tentando florir esperas que não se agridam.

Somos plexo solar e sol diante dos pés.
Somos minúsculos e astros que satelizam o entorno do nosso próprio coração.
Somos luas e anéis magnéticos.
Somos ainda, correntes que pesam, quando queremos ser.

Nosso jardim é além das sementes de uma vida só. De uma colheita apenas, de um tempo a sós.

Guardamos a volta de uma paisagem escondida na lembrança, de histórias mal lembradas, de dejà vus encortinando os cílios e nem assim, nos empenhamos em luzir.

Ir?
fomos e esquecemos de (nos) voltar em nós.
Entalhamos nós e os laços, esses se perdem, se prendem naquele escuro desavisado e bobo de um olhar alheio. Ou nem fomos ainda porque não somos uma partida escolhida, esculpida no ventre dos dedos, o nosso próprio e real tamanho.

"Mas não passamos de egos submissos de nossas vontades de grandeza,
e cada um desses egos
arrulha trincas barulhentas das correntes que nos prendem." │Marcio Rutes│
Nos tornamos tão grandes quanto pequenos. Depende da intenção, da ação interna. Do consciencial. E cada vez mais nos iludimos com essa força estranha que por mais que não nos derrube agora, nos EnGOlirá. 

"Não, não somos uma besteira da criação,
mas nem em sonho somos o umbigo do planetário de um jardim celeste.│Marcio Rutes│
Somos essa ligação materna com a própria essência, assim, visceralmente luz. Lúdica, quem sabe um dia?!

"engrenagens parindo ações e reações,│Marcio Rutes│
Parimos, partimos, cortamos... Findamos uma casa que não nos pertence e ainda assim, nos compõe. Contraditório?

"Somos poeira a mercê de um vento solar.│Marcio Rutes│
Somos como um milhão de sóis juntos. Somos um, sem deixar de sermos todos.

Quantas portas ainda terão que ser abertas, aceitas?
Quantas delas ainda nos comportam, nos deportam?

E VOCÊ, tem medo de QUAL escuro?

│Samara Bassi│


*texto inspirado na obra 'Incertezas do universo nosso de cada manhã', de Marcio Rutes. As citações aqui publicadas, foram autorizadas pelo autor.
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4 comentários:

Crônicas de Areia disse...

O termo abordado por você, Sam, é um verdadeiro desafio para mim. E um desafio que gosto cada vez mais.

Comecei a entender alguma coisa so essas questões existenciais quando, por conta própria, deixei de buscar explicações que, por mais que viessem, eu não teria a menor capacidade para assimilar, quem dirá então para compreender.

Muito do que eu aprendi veio não da observação do universo e suas leis, mas sim do ser humano e de seu comportamento. Talvez seja o que eu tenha mais a mão para aprender algo, não é? E no ser humano, observei uma elevação de energia negativa. Quanto mais se fala em humanismo, em afastamento do materialismo, em respeito ao meio em que se vive e, também, ao próximo, mais o dito humano vai no sentido contrário.

Ganância, egoísmo, desrespeitos dos mais variados, e outras coisas, assolam dias e noites de nosso mundinho.

Por sorte, também observo algumas coisas positivas, como pessoas que sem fazer alarde, vão se entregando a magia do bom convívio com seu próprio corpo e, também, com o corpo estelar. São duas casas, o próprio corpo e o universo, e essas pessoas entenderam que precisam dar valor a isso.

A espiritualidade também está numa vertente de crescimento, e cada vez mais gente passa a aceitar que existem forças além da imaginação que guinam as direções de tudo.

É complexo demais falar sobre tudo isso, pois mesmo quando achamos que conseguimos entender um ínfimo que seja, dúvidas e mais dúvidas reverberam de algum nosso fosso desconhecido.

E assim vamos, caminhando e aprendendo, para tentar SeMpre caminhar mais. Melhor é quando temos quem nos acompanhe ou, no meu caso, que me deixa seguir junto, como você faz comigo. Tua paciência, sabedoria e generosidade me ajudam muito nessa jornada.

Grato, SeMpre, meu amor. Você é a mulher dos meus dia e noites, sejam os passados, presentes ou vindouros.
Nossa união foi causa do destino? Não sei, mas tenho certeza de que se for algo assim, tem alguém lá em cima que me adora.

Bjs, minha querida. Te amo SeMpre.

Marcio.

Bessa disse...

Um texto quase-um-comentário sobre um outro texto quase-um-ensaio, complementando-se na convergência de idéias e conceitos, pressuposições e descobertas advindas das experiências mais pessoais de um autor e do outro.

E, o que encanta o leitor, intuições e conceitos encontram-se aqui permeados da mais saborosa linguagem poética, entremeados de alusões líricas e de um candor literário que, não apenas enriquecem bastante a qualidade do texto, como não deixa de transportar aquele que o lê, a páramos elevados de reflexão.

Tanto tu, querida amiga Samara, quanto o meu querido Marcio estão de parabéns por nos trazer a esse pequeno universo de letrinhas virtuais, textos de uma qualidade assim. São palavras saídas de verificações do espírito de cada um, todavia, que encontram acolhida junto à compreensão mais universal de todos os seres humanos.

Obrigado pela dádiva, querida amiga, e continue sempre nos dando textos iluminados assim: eles espantarão as trevas que, cada vez mais, nos circundam.

Um carinhoso abraço, muita paz.
André

Be Lins disse...

Só vejo luz na tua escrita, nenhum medo, nenhum risco, nenhum excesso, uma luz esverdeada que não define nada de absoluto, só amansa. Quanta beleza, Sam.

Lendo este teu texto aqui, no escuro, não tive medo, haviam velas perfumadas no ar.

Encantadas palavras.

p.s.
não sei se fui clara, mas tem vezes que é muito bom falar.

Moacir Willmondes disse...

Perfeito e irrecusável convite à reflexão, Samara.

Dito de uma forma envolvente, como a dar a mão para pensarmos.

O escuro que me dói é o desaprender a abrir os olhos para tantos escuros que me permitem sonhar.

Meu abraço!

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