20.10.13

Eu te sei

20.10.13
Weheartit

Fazemos assim: enquanto eu rego as flores, você constrói a casa e o telhado pro nosso amanhã morar.
Eu germino as sementes e você balança o berço onde nosso riso vez ou outra dorme. 
Eu lavo a louça e você me guarda no abraço.
Você me beija com sabores de peraltices, enquanto deságuo meus rios inteiros na palma das tuas mãos rendadas, rendidas, desaprendidas da volta.
Você me olha com ares de não sei o quê, enquanto te sorrio com meu restinho de felicidade domingueira no canto da boca, o meu bigode de groselha. 
E vem, enquanto eu lavo a calçada que nossos passos usam, você repousa a flor de laranjeira do nosso quintal na curva que o vento fez no meu cabelo. Extrai da lavanda nos pulsos, apenas o essencial.
Enquanto eu me atiro na pretensão de te dizer qualquer coisa vertida na ponta da minha língua, você me olha, me decifra, me lê.
Enquanto eu não sei por que, você me beija num verso, me prova, se atreve a dizer:
— Eu te sei!

│Samara Bassi│

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Um comentário:

Crônicas de Areia disse...

E se eu te pedir pro bigode ser de groselha amarela? Para que as flores de laranjeira nasçam nos cipós de tamarindo amarrados nos esticados pés rasteiros de fruta-pão?

Se eu te pedir cafuné, enquanto te acaricio os pés, você me deixa dengoso na ponta arteira de teus cabelos?

E se eu ficar com ciúmes desse vento abobado? Claro! Ele tá muito folgado, te soprando o beijo que te deixei no pescoço... e foi durante o almoço, aquele que fizemos a quatro mãos, que te pedi os olhos em namoro, namoro preguiçoso, pra depois da sobremesa que comemos ali, no gramado do quintal do nosso ninho.

Tem espinhos por lá, bem pertinho do nosso ninho. Tem sim. Tem espinhos nas roseiras, pra proteger a beleza da rosa arteira das mãos das formigas carregadeiras. Mas são espinhos que enfeitam, quase como as luzes do natal da nossa floreira, carregada de sementes de janela. Logo essas janelas florescem, e a gente pode transplantar pras paredes do nosso cantininho.

Você me sabe, e eu te sei tão gostoso, te provo a cada instante, me delicio com cada um de teus sabores e odores.

Fico até receoso, pois já vi algumas árvores comentando com as flores, que de odor e sabor elas perdem feio pra você. Mas é assim, não é? Cheiro bom é aquele que sentimos quando amamos. Gosto bom tem que ficar na língua, depois do beijo. Frutas e flores não sabem beijar. Que bobas elas são.

E eu te sei, menina. Mas quero te aprender cada vez mais. E sei, principalmente, que te amo. Te amo, te amo, te amo.

Sam, amor meu, que SHOOOOW. Amei.

Marcio.

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