21.9.13

Maternidade literária

21.9.13
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Como toda mãe que tem ciúmes do filho, eu também tenho ciúmes do que escrevo. Sim, porque eu também sou mãe, não do modo convencional, mas sou.
Palavra é igual a filho que a gente cria, gesta, dá a forma, alimenta, empresta a essência. Que chora junto, sorri, acumula saudades, conhece de longe, conta histórias, sente dor. Pari.
Pega na mão, literalmente.
Que quer saber por onde anda, com quem anda e fazendo o quê.
Filho e palavra a gente cria pro mundo, é verdade. Mas não se iluda acreditando que a gente que é mãe, quando solta-os, faz com que eles percam o endereço e suas origens. Ambos possuem as semelhanças do seu genitor, os traços, a genética do berço, o DNA mas, diferentes na maioridade, palavra é um tipo de filho que a gente continua a ter autoridade, sobre e em qualquer ângulo.
E por mais que nos rotulem de "mães chatas", só a gente tem o direito de dar a última palavra pra palavra da gente, tendo isso que ser respeitado sim, principalmente por quem não é de casa.
Também é verdade que nem sempre se tem o controle sobre cada um, embora o zelo, o cuidado, a "guarda" jamais deixarão de existir. 
E dentre mil etecéteras, de um você pode ter certeza: onde filho da gente está, a gente está indo atrás.
E entra na briga, se assim precisar.

│Samara Bassi│

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7 comentários:

Crônicas de Areia disse...

"...só a gente tem o direito de dar a última palavra pra palavra da gente...".

Ponto e pronto. Acredito que nada mais precise ser dito.

O que li aqui, e que alguns não vão entender porque são preguiçosos no exercício da interpretação ou, meramente, porque não querem entender, foi um tapa com luva de pelica. Uma das broncas mais elegantes que vi na minha vida. E você, Samara, está coberta de razão. Faço minhas as suas palavras, mas porque elas me representam, e não por questões de plágio.

Sou mais adepto a falar abertamente, então, para aqueles que não entenderam o que Samara deixou como mensagem, eu explico. Tem muita gente se apropriando e se utilizando dos famosos "compartilhamentos" que existem nas redes sociais, mas esquecendo do mínimo de respeito que se deve ter ao autor, que é dar o crédito devido quando da publicação nesses famigerados compartilhamentos.

O que tenho visto é a mais deslavada falta de vergonha na cara. Plágio não é apenas copiar textos inteiros e não creditar a autoria. É, também, copiar trechos. E tem mais. Não adianta "apenas" citar os créditos. Quem escreve porque gosta, e tem EDUCAÇÃO, pede autorização até mesmo quando faz citações com créditos de autoria.

Não sou tão educado quanto a Samara, e ABOMINO essa questão dos compartilhamentos desmedidos. Um ou outro até vai, mas o que alguns fazem é unicamente TENTAR APARECER usando somente o que os outros produzem. E o pior, SEM AUTORIZAÇÃO.

Espero, torço, cruzo os dedos para que a nova lei dos direitos autorais coloque fim nisso, porque se depender da EDUCAÇÃO de nosso povo, vai ficar cada vez pior. Chega a ser irritante quando navegando pela vastidão da web, começamos a encontrar trechos (ou textos inteiros) de nossa autoria espalhados por todos os cantos. Permissão? Esqueça. A pouca vergonha de quem plagia não permite que essa palavra, permissão, faça parte do vocabulário.

Rogo a ti, Samara, que me perdoe por este desabafo meu. Mas você sabe o quanto esse assunto me tira do sério. Teu texto foi um desabafo e uma crítica extremamente elegante. Mas penso que a elegância nossa já não basta para reclamar contra aqueles que sequer sabem o que significa a palavra respeito, quem dirá o que significa a expressão "pedir permissão".

Outro show em palavras, mocinha.
Amo você, Samara. Dengo meu.

Marcio.

Bessa disse...

Minha querida Samara,

para uma mãe não do modo convencional" e ciumenta das palavras que escreve, este teu belo texto é de uma ousada lucidez, se ouso dizer. Ousada pela tua condição, lúcido pela extrapolação que fazes da primeira idéia da crônica.

No vale dos meus sessenta anos, eu estimo que a imagem da mãe alia-se aos conteúdos culturais de cada região do mundo. Um amigo tibetano me dizia, tempos atrás, estranhar o desapêgo – no melhor dos casos – de certas mães ocidentais para com seus filhos e vice-versa. Isto porque, na região do Himalaya, a mãe é algo de realmente sagrado em uma família. Esse amigo não compreendia que um filho não pudesse amar sua mãe, e que uma mãe pudesse mesmo tirar a vida de seu filho, ou filhos.

Bem, falo de casos extremos aqui, mas no continente onde vivo, infelizmente, a relação mãe-filho, posso lhe afirmar, é muito diferente da asiática.

Na Europa do sul, ou Europa católica, muito parecida com o Brasil, a figura da mãe se aproxima mais da imagem tibetana daquela que nos traz à vida e vela sempre pelos seus rebentos, a mãe devotada, afetuosa, presente. Mas, como todo ser humano, essa "mãe católica" está também sujeita a imperfeições.

Volto ao teu belo texto, onde a figura de uma mãe sempiternamente atada a seus filhos, mesmo por laços de DNA, é desenhada em traços claros, uma mãe zelosa, protetora, que os seguirá sempre, carinhosamente, até o fim dos dias. Oxalá!

Se nem sempre a realidade corresponde ao desejado, resta-nos, contudo, a lição que edifica consciências. E esta, por sua vez, gera comportamentos que poderão modificar para melhor a relação mãe-filhos na nossa sociedade. Porque, quase sempre, à origem de um ser violento e socialmente desajustado, há sempre a falta dessa mãe de que tu, admiravelmente, falas nesta pequena mas lúcida crônica. E amorosa.

Continua gerando textos assim, minha doce amiga, e o mundo será melhor, bem melhor.

Um abraço com muito carinho, fica bem.

André

Bessa disse...

Querida Samara,

minha passagem aqui é para te agradecer o carinho que teve em formular votos quando do meu aniversário. Muito obrigado, querida amiga, sensibilizaram-me.

Perdoa-me o atraso de 26 dias mas é que só hoje, passando no meu antigo blog, é que vi a tua carinhosa lembrança.

Um grande abraço com carinho, um bom domingo pra ti..
André

Be Lins disse...

Olá, Sam!

Interessante essa quetão, da maternidade literária, né?

Uma vez considerando-se palavras como filhos nossos, saídos de um amor feito com o vento, não há como não ter amor por elas, e ainda considerá-las muito nossas, especiais, belas, (qual mãe não terá seu filho no mais lato conceito?),

mas como filhos, as palavras saem para a vida, e esbarram nas mais variadas intenções. Resta-nos torcer para que seus caminhso não sejam tortuosos, e que onde fizerem parada, sejam amadas,

mas que não aja esquecimento de onde foram paridas, porque houve dor, e toda dor há que ser respeitada.

Você é uma querida,
obrigada por me visitar,
e por sua vizinhança sensível.

Beijo

Be

A primeira estrela disse...

Por coincidência hoje escrevo sobre maternidade também, mas a maternidade mal administrada, a maternidade que sufoca. Espero que não sejas assim com teus textos nem com seus filhos de carne, osso, sangue e alma.

Beijo, Sam.

A primeira estrela disse...

Por coincidência hoje eu escrevi sobre a maternidade também, mas sobe outro tipo: sobre a maternidade mal administrada, aquela que sufoca. Espero que não sejas assim com teus filhos, os de papel, ou os de alma e carne.
Beijo no coração.

Flávia disse...

Pois é.

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