13.9.13

Do fragmento, a lição

13.9.13
Weheartit
Te recebo num vulto da tarde onde meu olhar descansa. Teu abraço me balança num frenesi de quem enfrenta os dias como água que cai do penhasco sem perder a majestade. 
Sabe, menino, tuas rédeas me sucumbiram o choro, me mostraram uma verdade que estava enroscada aos dentes e que eu precisava mastigar pra sentir o gosto com minha própria língua.
Esse mundo, às vezes, soa tão manso que amansa demais a coragem da gente. Ficamos como quem morre ou se arrepende daquilo que os erros insistiram em redimir e não raras as vezes, a gente mede as forças por migalhas e acaba se acostumando a construir pontes com palitos de fósforo. O mundo se torna pequeno demais por dentro do peito da gente, menino, e não é por covardia que a gente atrasa o riso, não. Eu sei e te agradeço, pois foi preciso vir você pra me desencabular o riso e fazer o caminho inverso. Tentar cada dia me despedir das águas e fundo de rio onde não da pé nem fé - lugar que parece tantas vezes querer afogar o peito e o coração da gente só pra depois enterrar na movediça é tarefa bem comprida e dolorosa.
Meu coração ainda pouco entende dessas minhas temperanças e do que realmente aflige o meu passo firme. A minha lágrima fora de hora ainda é mistério e aos poucos que me cercam, é chuva boba, sempre sem razão de ser. É andorinha sem verão.
Deita então, o teu braço sobre meu colo quieto, repleto de saudades suas e me aquieta por dentro, como sempre faz quando tenta me bagunçar na tentativa de me recuperar no gosto que os dias possam ainda ter. E eu sei que têm. Porque não é de hoje que as nossas lonjuras são costuras que se entendem nos olhos e nos olhos estendem nossos caminhos fartos, ecoando tão alto que ensurdece tudo ao redor. Não há ninguém que me tire do seu lado nem medo insano que destrua o elo que você me ensinou a desenhar.
Tua força sempre foi maior que a minha e não que eu não saiba me encontrar. Eu só não sei ainda te dizer, menino meu, se meu temp(l)o é pequeno e apertado demais, ou se minha implosão corriqueira é que é metida a não me dar ouvidos, que por tão pouco não me cabe.
Aprendo todo dia a rabiscar desatinos sem mais culpa alguma, nem remorso. Vou aprendendo a não me render por tanto tempo mais, às dores que já maltrataram demais só porque a gente nunca soube e nem sabe ao certo, encontrar a raiz pra cortar de vez.
Vou. E você comigo por mais um dia me rendeu a força que eu havia esquecido em mim. A minha força. E é contigo que aprendo além: a ver insultos como somente esterco pro meu jardim.
│Samara Bassi│

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5 comentários:

Crônicas de Areia disse...

Por vezes somos assim, não é? Acostumamos a levar lambadas daqueles que acostumaram a bater mesmo sem ter razão aparente. Tudo vira uma rotina, e assim vamos, achando que não temos força para reagir. Mas temos sim, só não temos ciência disso.

Alguns descobriram como oprimir. E a opressão é uma das mais cruéis atitudes do ser humano. Una a opressão com a mesquinhez do sentimento (ou ausência dele) das pessoas, mais a ganância, e você terá seu maior algoz. Aquele que muitas vezes te desdenha unicamente pelo prazer de fazer isso.

Te sou honesto em dizer, menina. Prefiro afundar brigando, mas não sei aceitar atitudes de pessoas assim, que corroem os bons sentimentos dos outros. E fico indignado quando vejo pessoas oprimindo outras pessoas.

Você tem uma força enorme adormecida nesse teu peito. No entanto, te minaram de tal jeito, que você não sabe divisar onde ela está ou como despertá-la. Meu Deus, por pouco não te fazem desacreditar da felicidade, do "se querer" bem e daquele habito risonho e salutar que é dar bom dia pra passarinho.

"Dar bom dia pra passarinho é besteira". Será? Será mesmo? Bom, eu digo que quem afirma tal coisa é, pura e simplesmente, um $%%¨#$#$#$. Pessoas que te espezinham, sequer merecem respirar o mesmo ar que você respira.

Sonhe. Voe. Sonhe e voe, para sonhar lá do alto e cada vez mais alto. Você pode. E jamais deixe que te empurrem pra baixo, ou que digam que o sonho não vale a pena. Vale sim.

Digo mais. Você não está sozinha. Juntos, eu e você, somos um exército. Talvez digam que somos um exército de borboletas. Quem sabe sim. Mas borboletas são ágeis, e vão onde um elefante não pode ir se apenas carregado por sua força.

O tempo de entregar a outra face já passou. Apanhar? Apanhamos da vida sim, mas há que se aprender que somos capazes de superar toda e qualquer dor. Apanhar? Até aceito, desde que seja por causa justa. Mas injustamente? Nem eu e nem ninguém que esteja perto, principalmente você, menina.

Juntos, SeMpre. E se a gente não der conta de dar uns cascudos e precisarmos correr... corremos juntos. Mas permanecemos unidos.

Amo você, Samara. E essa última frase do teu texto foi um tapa na cara daqueles que tanto espezinharam. Show.

Marcio.

O tempo das maçãs disse...

Há pessoas que chegam e nos apresentam um olhar diferente e mais belo para as mesmas coisas de sempre. São como anjos...

Sua prosa é linda.

Beijo.

Cadinho RoCo disse...

Intenso e gracioso.
Cadinho RoCo

Be Lins disse...

Fabuloso texto, Sam,
matáforas que tocam o coração,
não tenho palavras para descrever o quanto sua escrita é tocante.

É um prazer saber que o amor pode ser tão belamente exposto.

*

Denise disse...

Eu nem sei dizer onde termina um e outro começa... teu texto, engatado nas palavras firmes do Marcio fazem uma seqüência tão harmônica e lógica que se fundem - pelo menos pra mim...

Ler é sentir o que possa significar "A minha lágrima fora de hora ainda é mistério e aos poucos que me cercam, é chuva boba, sempre sem razão de ser..." é tocante Sam, o teu sentir, o teu despertar, a tua rebelião interna eclodindo na beira das palavras aparentemente despejadas, jorrando o agravo, anunciando a esperança... emociona!!

Deus está com Suas mãos sobre ti... caminhe, avance, descubra a força que brota nessa mulher-menina... beijos, encantada e feliz por passar aqui!!

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