19.9.13

Da cidade suspensa, um coração

19.9.13
Weheartit
Veneza nos remete a pinturas florais, pitorescas e beijos cinematográficos. E fico eu a imaginar com que ares de solidão tal observador desembrulhou dedo a dedo os contornos da moça em sua regalia repleta de concentração ou teria sido, distração?

Filmes que nos esboçam fumaças de cigarros fumegando os pensamentos e duas xícaras de chá. Ora, deixe pra lá essa famosa rebeldia de piscar com ares de sutileza e tome-as pelos braços, os abraços de tantas épocas distribuídas nas colunas sociais, nas enquetes dos jornais, respingados desse café.

Tal piano, tal sol a pino essa "ragazza" se fez semblante emoldurando sua sinfonia desconcertada, desconsertante, desconexa, anexa à outras gôndolas sem rumo, fez- se o rumo por entre os "scripts" e possíveis beijos sazonais.

Quando me vi afoita com teus olhos envidraçados nessa narração desfeita pelos passos (a)diante de "Florinda" pela vinda que nem desfez, nem desatou nós, essa autoria embebecida de verniz e outros vinhos, em falsetes musicais e respingados na camisa, com toda essa sua maestria.

│Samara Bassi│

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2 comentários:

Crônicas de Areia disse...

É bastante simples divisar a réstia de sol entrando pelo quarto. Passos curtos levam pelos espaços apertados entre os móveis, e o olhar para no ombro da moça à mesa, que absorta, dedilha palavras faladas pelas pontas dos dedos.

Ela, entregue aos devaneios de sua leitura, perdura nos olhos a ânsia em mergulhar naquele cenário que desvenda ante aos termos ditados pelo escritor. Ela transpassa a barreira do real e aterriza em Veneza, naquele café, em meio ao flerte daqueles enamorados que sequer se conhecem.

Talvez ela se encante pela cena presenciada unicamente por acreditar no amor. Acredita, também, nas palavras apaixonantes do autor. E ela mal sabe que eu, ali naquele quarto, a amei por tanto tempo sem sequer ela imaginar.

Ah! E como eu amei. Eternizei palavras, exatamente como fez o autor. E precise sentar ao reparar a ânsia dela, ao ler aquelas palavras, em ser amada, acarinhada. Sim, ela estava pronta para o amor. Receber e prover.

Aos poucos, enquanto ela escrevia seus pensamentos, me retirei dos sonhos para entrar nos olhos e no peito daquela moça.

Venezianas se abriram, e por elas, vislumbrei não uma italiana, mas sim a mulher que embalaria meus anseios. Olhos, mãos e desejos, todos arremessados na aragem do outono. Veneziana? Sim, mas por passearmos de gôndola em outra época, pelos canais abertos em seu coração de água-viva.

Samara, eu fico atordoado. Já conhecia esse texto, que vou guardar a origem, mas já "babei" por ele quando o li pela primeira vez.
Amei. FANTÁSTICO.

Marcio

Bessa disse...

Que posso dizer de um texto que, tal um "rio" veneziano, penetra pelos canais de um outro que me parece tão familiar? que posso dizer de um texto que nasceu de uma sensibilidade rara ao se associar à delicadeza de sentimento ainda mais rara? sim, uma cidade suspensa não apenas em troncos milenários, já fossilizados, mas também nas colunas mais etéreas da nossa fantasia, as imortais.

Pensei na "Florinda" citada aqui e alhures, tão distante de nossas letras e, portanto, tão viva em nosso imaginário. Impossível de tê-la tocado, de tê-la abraçado, mesmo de tê-la beijado, "Florinda-Valeria" não passou de um sonho, de uma visão, de uma quimera, de um desejo, apenas. Assim como a Veneza em que o narrador a via, mas não aquela na qual ele estava. Filme, música, poesia, outonos venezianos, tempo... nada mais que sonho, que ilusões.

Um texto ao mesmo tempo lírico e misterioso, minha querida amiga, assim como a Cidade dos Doges. Poemas que se entrelaçam a crônicas, crônicas que se entrelaçam a poemas.... que maravilha certos dons que nos derma, não é mesmo? e, coisa inédita para mim que jamais leio comentário em outros sites, "curiosei-me" todavia a ler o comentário do Marcio aqui, e descubro neste um outro belo poema, desta feita em forma de comentário.

O que posso dizer de vocês, cujos textos me sensibilizam sobremaneira? que a amizade é também um dom, assim como escrever crônicas e poemas? talvez bem mais que isso pois, para mim, vocês são raros, tão queridos amigos meus!

Abençoados sejam, para sempre!

André

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