30.7.13

(amar)Elo

30.7.13
Havia flores por todo lado. Por todo o caminho e além dos olhos.
Havia perfume nas mãos de um homem com riso familiar e feliz.
Havia ali, risos pueris de quem colhia ramalhetes açucarados para construir buquês para bonecas.
Um aroma de Deus sentava-se a mesa para apreciar a vida simples, semeada em terras férteis.
Flores pequeninas coroavam uma pequena flor.
Cores lavandais e trilhas amarelas repousavam nas mãos daquele homem, fazendo curva no vão de cada dedo seu.
Havia ali, aqui, não sei dizer... um "quê" de bem querer fazendo casa e varanda e no balanço, um riso futuro mas que eu (re)conhecia bem.
Um incenso de nuvem e paz por todos os lados, em todos os quartos. Havia uma luz que me guiava, de olhos abertos.
Aquele perfume continuava perto, me incensando pela vida inteira, sem saber ao certo, sua fonte e origem.
Havia um sol púrpura correndo no peito, por dentro da sala com perfume primaveril.
Pétalas minúsculas e um sol central em suas mãos.
Um arrebol de amanhã me contando no hoje alguma história que eu não entendia bem, mas havia. Eu via.
E sem saber, eu sabia.

[e me reconheci ali, quanto te (vi)vi a me azular a visão nos teus olhos de céu]

│ Samara Bassi │

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3 comentários:

Crônicas de Areia disse...

Não poderei falar das sensações no acordar ou no amanhecer, assim como não poderei descrever o perfume sentido nesse instante. Também não saberei descrever a paz sentida, ou o bem-estar instalado no peito ao acordar. Sequer a impressão de se encaixar em olhares eu não possa fazer referência, ou ainda descrever essa Clara existência de mais alguém, que já está ao lado mas que ainda não veio, porém que está muito, muito, muito presente mesmo.

Não saberei falar disso tudo.

Mas, posso falar da camomila. Posso enfeitar o caminho com o perfume que sei que estava lá, mesmo sem tê-lo sentido como você sentiu. Posso também garantir a presença Clara de alguém, que me abraça mesmo sem estar entre nós AINDA.

Não sei do gosto do bolo, mas ele também estava lá, e feito por você, Samara. Também sei do jardim e do gramado, e até de minha própria presença nesse jardim. Sim. Eu sei.

Muito além disso, posso dizer com propriedade da hora do adormecer, das palavras carinhosas e delicadas, faladas diretamente ao ouvido e ao coração. De como se faz pra te ninar, pra te fazer sonhar e libertar esses desejos guardados a tanto tempo nesse teu peito. Disso tudo, sou mais do que testemunha. sou cúmplice.

Somos cúmplices. E de um jeito ou de outro, mesmo sem ter as sensações no amanhecer ou o perfume sentido, pressentido e cristalizado na face, eu estava lá. Nós estávamos. Nós três.

E se sonhar um sonho sem perfume, desconfie. Ou você está gripada no sonho, ou então ele é em dou ou três capítulos. Neste caso, continue sonhando amanhã, pois quando nós estamos no sonho, pode ter certeza de que ao menos um incenso nós carregamos junto, isso quando não carregamos um jardim inteiro conosco.

Minha querida, que espetáculo. E que sensação fantástica você me trouxe. Amei. Bjs, Sam.

Marcio.

ValCruz disse...

Sam, minha fada do quintal. Sempre!!
E cada verso teu, me faz fechar os olhos e sentir toda essa magia.

Tenho um bem querer danado por ti.

Bj!

Denise disse...

Senti-me andando num tapete bordado com flores e folhas, sentindo o cheiro, a textura e a temperatura que parecia soprar na varanda o frescor do amor... senti um pouco mais de vc, Sam....e gostei demais!!

Um beijo encantado!

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