2.6.13

Autogestação

2.6.13
Ventre exposto. Consciencial. Esculpindo caminhos abreviados. Confecção do ser. Inervação. Plexo solar. Solaris. Ventre "húmido", húmus enraizado. Da terra, para a terra. (h)um(an)idade . Gérmen, idade, germe, geme sua casualidade gênia e imposta de acontecer. Expansão da mente, ser mente, semente somente. Somente ser. Fluxo emergente. Voltar ao centro, dentro da gente. Entre. Seja um ente de si mesmo. Reconstruir com energias telúricas o reconstituir-se nas impressões anímicas. Expressão da alma. Calma. Cintilante inspeção da vida. E para a vida. Torna-te então a eternidade etérea do coração que pulsa duplamente esse teu ventre sagrado. Tua essencialidade regressa e em expansão. Desmorone o ato falho. Desabite o hostil que te fincam as vestes na lama e na cama, seja a morada adormecida sem desalinhar caminhos já tecidos sem você saber. Intua o próximo passo. Descalce tua obra inacabada e perfeita na tua rasura. Não seja a ranhura dos que sangraram nesse corpo, esse sopro abortado. Não seja o abortivo das tuas próximas vi(n)das. 

Desviei o caminho que meu centro atribuiu ao sol, sua explosão incandescente para dentro do peito. Fecundei a parte mais intrínseca do meu eu numa abertura estelar, confeccionando estradas venosas, venenosas que o mundo dispersou. Calei-me por entre as estrelas. Cordão de prata que me nutre e simula a vida nesse plano interno, tens a minha maquete nessa terra desiludida de tantos que nascem, garimpam e (aparentemente) morrem sem se conhecer.

│ Samara Bassi │

Dreamer by Terry Oldfield on Grooveshark

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7 comentários:

Crônicas de Areia disse...

É incrível como certas palavras e imagens despertam faíscas em nossas mentes.
Não faz muito tempo, eu e você discutíamos (conversávamos) sobre a vida ser um ciclo, e especialmente sobre renascer em cada primavera da alma.

A imagem que ilustra essa postagem me prende desde que a vi pela primeira vez. Me faz sentir até uma certa agonia premente. Mas, ao mesmo tempo, me acalma, pois mostra exatamente do que somos capazes. Renascer em nós mesmos.

E cada palavra que você deixou aqui, Sam, é uma pequena semente para este renascimento. É um alento. É quase um caminho para uma mensuração interna, aquela que deveríamos fazer de tempos em tempos mas que, por desculpas das mais estapafúrdias, acabamos relegando em troca de atos nem tão importantes.

Então, deixe-se brotar do chão. Alinhe suas dores com a terra mais seca do outono mas, sempre, espere pela chuva da primavera. E então, deixe-se energizar por essa parábola mágica chamada vida. Ela jamais se esvai, mas sempre se recicla.

Faça a gestão de você mesma, e se ver que está difícil, não pense duas vezes. Busque sua auto-gestação. Você existe dentro de você mesma. Está lá, num lugar chamado essência. E a tua, eu sei, é linda.

Bjs, Sam. Você é alguém muito especial.

Marcio.

Noslen ed azuos disse...

Palavras q cabem em qualquer peito e nele grita uma esperança Samara, a vida consiste em estar sempre alerta e dando "oitavas acima", sempre penso: no minimo tenho o milagre da vida que é o máximo, e tenho o Sol q me aquece e na falta do Sol tenho amigos como vc, mesmo distante, tbm aquece nos dias frios.

Obrigado pelas suas palavras no meu coração.

bjs.

Parole disse...

A vida é essa eterna auto gestação e é bom que assim seja, pois podemos ir nos aprimorando cada vez mais.

O seu texto é enorme, Samara e também belíssimo.Por coincidência, esse também foi assunto do meu último poema.

Boa semana.Beijos.

Crônicas de Areia disse...

Há que se entender o caminho e a real necessidade em trilhar o desabitado da vivência. É num vazio, talvez por vezes existencial, que descobrimos o valor que se tem essa ânsia de compartilhamento. Só entenderemos de vez o sentido de ter algo quando, de fato, necessitarmos desse algo.

Os braços somente saberão abraçar quando o corpo pressentir a virtuosidade que outro abraço pode realizar em num coração. A necessidade de existir em outro alguém, como também a vontade de acolher ao colo, farão de qualquer angustia uma vontade de renascimento. E então, ausente de medos, a respiração arfará em tons conjuntos, num dueto não ensaiado, mas afinado por dentro, da alma para o peito, num leito da mais pura água cristalina de rio. E nesse leito, pedras espelhadas (sejam pedras de rio ou quartzo), co-existiram muito mais do que em harmonia. Elas viverão lado a lado, como se fossem feitas de uma mesma essência.

Estranho é pensar que a única diferença entre nós e uma pedra é, meramente, a densidade. É uma diferença física, não espiritual. Mas não pense em dureza do corpo, mas sim na simplicidade da humildade de uma pedra, e na ausência de maldade que ela emana.

Seja, então, um quartzo, que diferente dos diamantes, tem a pureza cristalina da simplicidade.

Se busque. Busque aquilo que te faz sorrir. Sempre. Junto. Dentro.

De um fã, não apenas de tuas letras, mas do ser humano fantástico que você é, Samara Bassi. Adoro você.

Marcio

Be Lins disse...

Bonita esta poesia que seu texto indica:
_ estarmos em estado interessante,
onde nos nutrimos, à nós mesmos, de vida.

Conhecer-se,
sempre este é
o maior de todos os desafios.

Beijo, Sam


*

Antônio LaCarne disse...

gente, simplesmente estupefato com o texto. extremamente inspirador, sensível e digno de aplausos.

parabéns!

Will disse...

Olá, Samara.

Que caminho bonito de intensas sensações construíste com teu bom gosto, como se percorresse um mapa sem ponto de chegada, só de ida, pois as pétalas estão esparramadas pelo caminho.

Amei tua expressão, parabéns!

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