10.4.13

À margem da mão

10.4.13
Imagem: Weheartit
Havia um engasgo orbitando o centro da garganta. Uma trilha desconexa atrelada ao ventre daquela menina sem eira, nem beira. Um sapato desabotoando os passos que de tão lentos, já não caminhavam mais, nem descalços. Do que havia, não havia mais. Mas (tão) só o amor fica. Todo e tanto amor que há.
Uma margem de rio congestionado e fazendo leito no vão de cada dedo trêmulo, como quem convulsiona nas lembranças perenes, um aceno e um adeus.

[ mas então, ela disse adeus? ]

'a.d.e.u.s.'

[ despedidas são como lagos mornos no coração ]

Entenda, ela só disse adeus. À Deus.
Para Deus, o que não depende mais do teu zelo.
Para Deus, tudo aquilo que não pode mais cuidar. Nem descuidar.

Não houve entrelinhas. Não há!

│Samara Bassi │

One Last Cry by Marina Elali on Grooveshark

5 comentários:

J. disse...

Pode não haver entrelinhas, mas me vi morando em cada linha descrita - tudo aqui me soa tão familiar !..

Obrigada por versejar o sentimento que estava aqui preso.

Adorei seu blog, vou passear por aqui mais vezes,

:*

Jessica


www.umgostodechuva.blogspot.com.br

Be Lins disse...

Sam,
sua escrita é MARAVILHOSA,
fico sem palavras com o inédito do que você transmite,
sou muito fã da sua forma de se expressar,
com entrelinhas ou não!, pura poesia.

Beijos.

Crônicas de Areia disse...

E então, num certo dia, paramos e fazemos um balanço de tudo aquilo que foi vivido até aquele momento. Nessa hora é que passamos a entender que nem toda a bagagem amealhada pelo caminho pode ser carregada. Algumas coisas precisam ser deixadas para trás. Sim, deixadas, mas jamais esquecidas.
Aprendemos nesse instante a preservar a essência daquilo que foi bom, pois essa essência (e não serão raras as vezes) iluminará caminhos escuros.
O que fica em nós é o sagrado dos dias, a semente das flores belas e perfumadas que plantamos nos jardins que visitamos, ou daquelas que foram plantadas em nossos quintais.
Pouco importa se o velho sapato desbotou. Duas coisas me foram ensinadas nessa vida. Roupa velha é muito mais confortável, e para a falta de cor trazida pelo desbotada sempre existirá uma caixa de lápis de cor guardada num sorriso.
Compartilhe suas dúvidas com o infinito, mas desprenda-se da dor para poder voar novamente. Desse jeito, as asas pesam menos. Então, aquilo que deve ser feito será um nó menor na garganta.

Sam, que saudades daqui desse teu quintal.

Beijos, menina. E uma ótima semana.

Marcio

Isa E. disse...

Sou sua leitora pra sempre!
Porque você sabe plantar flores como ninguém.
Beijos

Noslen ed azuos disse...

leio todas suas poesias numa alegria perdida, onde estais, sei q a distancia ñ merece importância, mas é cruel o esquecimento.

no skipe sou chamado de nelsonsou ou pelo e-mail nelson1964@uol.com.br

bjs querida e ñ se esqueça de me achar!

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