14.1.13

Ninho d'alma

14.1.13
Imagem: Mark Hanauer
Um descansar vestido de abraço e o tempo diminui seu ritmo.
Um laço estreito, um respirar e outro, um menino contador de histórias.
A música que canta suas notas, dissemina sua letra em tons de sorrisos lânguidos e acordes em ponta de dedos que ao tocar os cabelos e a face adormecida, pianam os contornos da alma.
Não importa nada lá fora, não se julga nada aqui dentro. Nem o que se deve, nem o que deveria acontecer. A mistura é essa mesma - da conversa sobre a vida ao desejo desembrulhado no lençol.
Do bem querer ao bom demais...
O coração bate ora mansinho, ora acelerado e os pulmões se enchem de ar por vezes incontáveis. A rádio ainda toca baixinho seus clássicos e modernos e os braços se reencontram espreguiçados, fazendo de um novo abraço;  cobertor.
Sono e sonhos se alternam.
Histórias são escritas, contadas e lidas entre um fechar de olhos sorrindo, entre um abrir de sorrisos que brotam mesmo de dentro.

Ah, mas não precisa ser poeta pra entender! Quando se sente, inevitavelmente se sabe.

E o que fica, tem gosto de simplicidade. Mas, não falo da simplicidade das paredes brancas e lisas, do branco dos lençóis, nem daquela mesinha singela refletida no espelho.
E sim desse jeito simples de se viver sentindo cada instante presente, com quem faz parte dele.
Da brancura do ser, do sorriso... não dos dentes.
Da transparência do sentir... a si mesmo e ao próximo.
De gestos que se espalham pelas mãos da sensibilidade e de se perceber por dentro.
Falo dessa busca por encontrar histórias que são contadas principalmente assim, pelo livro que existe sempre num fundo de olhar... e das tantas coisas que se descobre por horas a fio e quando não se tem pressa em descobrir o que quer que seja.
Dessa leitura do ser, quando se está e se permite ser inteiro.
Da calmaria explosivamente branda que mora entre os espaços a serem preenchidos, mesmo que pelas horas que deveriam ficar inertes...

E é isso que deve fazer feliz em qualquer lugar: um sentir puro e simplesmente assim, sem segredo algum. Principalmente quando tiver que ser compartilhado.

│ Samara Bassi │

6 comentários:

Anonymous disse...

texto simplesmente maravilhoso...que descreve como ninguém, o aproveitar da vida , do que ela tem de melhor.

Teresa Cristina Martins disse...

Samara, estou aqui, conhecendo a sua casa! Senti uma imensa vontade de aceitar o convite e me aconchegar por aqui, entre essas palavras que aquecem a alma. Adorei o seu blog, estou seguindo e já está na lista dos meus preferidos. Obrigada pelo carinho no acolher com amor. Beijos!

Toninho disse...

Gente que vive da sensibilidade e faz do olhar sua maquina de fotografar alma de gente das coisas que nos cercam.Gente que sabe o sentir da terra alem da materia.Gosto de gente assim, assim como voce belamente descreve e estimula.
Parabens Sam,voce brilha como aquele ouro no fundo da bateia, que faz os olhos do garimpeiro brilharem na solidão.
Meu carinhoso abraço amiga.
Bjo de paz e luz.
Linda semana a voce.

mfc disse...

Saio daqui com um sorriso enorme depois desta leitura linda!
Beijinhos,

Filha do Rei disse...

Simplesmente assim.
Samara, bjs e tenha uma linda semana.

Augusta Martins disse...

Simplesmente maravilhoso!
Beijos

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