24.11.12

Desses dezembros e travessias mais

24.11.12
Imagem: Ed Holub
Vou te falar dessas histórias, meio filme, meio rock'n roll, meio jazz, meio faz de conta que ninguém contou mas também não desacreditou.
Vou te contar, dessas linhas desavisadas que me escorrem pelas pernas como palavras alinhavadas - entrelinhando-me a nudez do verso.
Te contarei dessa nossa história, meio ficção, meio doce novembro, mensagem pra você, meio sem querer contar.
Vou te contar desse algo que você já sabe tão bem. Que conhece o gosto e o calor. O perfume, o cheiro, o abraço guardado; transferindo mares pros olhos com um punhado de sonhos inteiros.
Vou te contar desses dezembros, desses (re)encontros, desses acontecimentos sem que possamos esperar. Desse jeito livre de você ter me chegado, de ter me acompanhado por tantos dezembros mais.
Vou te contar daquela surpresa bem vinda, daquelas palavras benditas que eu te li sem você dizer. Te descontar os beijos de todos os dias que não te conheci, de todos as vezes que não te recebi. Das vezes que meus olhos permaneceram abertos, sem você chegar.
Amor, vou te contar também, que os dias são tão brancos e mais brandos como as  nuvens que você já me contou o perfume. Como aquela lua vestida de lume, num lugar virtual, meio etéreo, meio sem ter nome em que abraços quando são pra ser, sempre se acontecem, sem lugar nem hora. Sem pontos cardeais.


[mas você sabe que meu coração é bússola, sem te precisar contar]


Daquele dezembro perto do anoitecer e dos universos brotando sem querer, do reencontro no mesmo dezembro sem a gente combinar o canto, o encanto. Sem a gente escrever na palma da mão os horários nem os endereços. E como se já estivesse escrito, floresceu o que hoje não comporta medidas.
Vou te contar do nosso enlace de outras vidas, de outros dezembros e dos próximos mais.
Daquela espera na multidão desgovernada, atropelando meus olhos enquanto os teus, abriam caminhos pra me encontrar... 


[nos teus].


Daquela certeza que certeira, resiste até o hoje do amanhã e que desde sempre acontece nos ontens;  sem a gente reter nos olhos uma faísca de brilho. Nem golpe de ar assim, como um solavanco bem aqui no mediastino onde o amor resolveu fazer lar definitivo.
E o abraço foi maior que esse mundo inteiro que a gente carrega no peito como se coubesse, como se soubesse o real tamanho.
E enquanto os dias correm como o metrô naqueles trilhos tão negros quanto os fios dos meus cabelos em que teus dedos se suicidaram e pousaram no toque, um retoque manso de fazer sentido; te contarei depois, das cartas mil vezes lidas, da voz fazendo c(h)ama ao pé do nosso ouvido. Dos passos fazendo par com os teus naquelas ruas do centro da cidade e que nem o cinza birrento do céu fez escurecer. Das mãos dadas e do primeiro beijo - antes e após tantos beijos mais, desses tantos dezembros atrás.

Foi muito além de um encontro pupilar, meu bem. E vou te contar mil vezes que não há ninguém mais que dê jeito nisso, não. 

Vou te contar ainda, que desse livro escrito sem pressa, sem se despedir, sem desmentir os dias; continuarei a te contar a estrada dos próximos dezembros: desse te amar sem folga no meu calendário, desse plantio diário de te fazer gérmen, te fazer frutificar um cais imenso como quem inventa um bem querer que já existe só pra contrariar as crenças que ninguém acredita e que não nos importa mais. 
Dessa tua morada em mim, por um sim ou não. Dessa nossa comunhão sem precisar de altar.

Vou te contar até dez, até dezembro, até você adormecer e eu te proteger sem que você perceba.
Porque entre janeiro e janeiro, todos os outros meses são contigo, os mesmos e outros dezembros mais.
Desses dez(embros). Desses de perder a conta.
Desses tão nossos, só nossos.
Desses de águar a boca.

│Samara Bassi│

4 comentários:

Filha do Rei disse...

Samara, lindoooo, encantador,um desfile maravilhoso de palavras. Bjss

Vivian disse...

...entro aqui e fico
de boca aberta...

por que será?

'cepodemexplicá'?

bjs, ALMA LINDA!

ValCruz disse...

'Dessa tua morada em mim, por um sim ou não. Dessa nossa comunhão sem precisar de altar.'


=> Que seja Doce!

Mas andas escrevendo cartas de amor que me fazem suspirar também... rs!

Te gosto muito minha amiga.


Cheiro.

André disse...

Salve, Samara!

que maravilhosa declaração de amor, querida amiga! dessas que saem de um mês e entram no outro como se o sentimento fosse um só continuum, entrando e saindo de uma mesma estação.

Com bem disse o Marcio, feliz daquele que é o destinatário não apenas de tão belas palavras e imagens, como, sobretudo, desse sentimento maior que jorra de ti. Uma declaração em forma de prosa-poema, e impregnada de intensidade e de ternura.

Que maravilhoso, minha amiga, saber que teu espírito balouça por entre estrelas e nuvens cor-de-rosa, é tão inspirador...

Perdoa-me as visitas bissextas, como diz aquela canção, "os meus dias são assim". Mas é sempre um imenso prazer vir aqui te ler, assim como descobrir teus generosos comentários às minhas letrinhas de macarrão, e sou-te muito grato.

Viva este amor e escreva, sempre, sempre, para grande deleite de nós, teus leitores.

Um bom fim de semana, querida amiga, um forte abraço, meu carinho.

André

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