6.10.12

Meu jeito enamorado de te bem querer

6.10.12
Imagem: Sean De Burca
por ser exato
o amor não cabe em si
por ser encantado
o amor revela-se
por ser amor
invade
e fim
[Djavan]

Veraneio morno quando me descobriu ou, terá sido minha essa tal descoberta?
E não havia nenhuma palavra, nenhuma estratégia, nenhuma rota traçada naquela sala de espera. Havia apenas um desespero vestindo seu olhar curioso que aos poucos me contornava inteira numa clareira já instalada por tua causa - a alma. E sabia. Sabia que me tinha e isso nunca foi questão de tempo, simplesmente porque o tempo quase nunca é generoso conosco.
Tudo que sei é que essa coisa de afinidade é mesmo uma corda que enlaça dois olhares por entre toques de mãos, enquanto algo de bom sempre acontece por dentro e algo maior, parece mesmo reencontrar o seu caminho de volta pra casa. Sem nunca ter deixado de ser asa, de ser livre e presente, antes e depois de tantas vidas atrás. Sintonia nossa que nunca foi rasa, nem escassa demais.
Lembras, naquele fim de tarde de outono, quando a calada dos versos debruçaram na curva quente dos teus ombros e como quem degusta o seu paladar sorvendo-o doce e sal pelo canto dos lábios, foi assim sua certeza na minha?
E que mesmo nas precocidades da vida, sempre foi tarde demais pra se ver escapar do real sentimento?
Bem feito (feliz) pra mim, que já sabia desse seu feitio de me reter inteira.
Mas te falo além, falo dessas esperanças fora (ou não) do comum de sempre ter pra quem voltar no fim do dia, pra quem guardar um abraço inteiro, pra quem recebe o nosso corpo, mesmo exausto e o repousa como o melhor aconchego e delírio escaldante que essas entregas possuem.
Eu sei, sei da sua vida ter virado uma ou duas vezes de ponta cabeça e nem mesmo assim, você deixou de garimpar nos dias, aqueles tesouros mínimos que somente esse teu olhar atento poderia enxergar.
E meu bem, te quero sempre perto, sempre dentro, sempre eterno. Porque de todos os amores catalogados por aí, você faz parte de todos.
Porque simplesmente, não adianta eu querer fechar os olhos e respirar três vezes profundas pra tentar compassar o peito nessa espera árdua, que ele se enfeita ainda mais com a tua chegada e birrento que é, se veste de confete e purpurina só pra espelhar teus olhos que nunca se desviaram dos meus. Nem mesmo quando os passos foram outros e os espaços também.
Te quero perto. Te quero passeio no parque, algodão-doce, pipoca, roda gigante. Quero a toalha jogada na cama, molhada com água bem vinda desse corpo teu, quero teu riso preenchido de beiradas floridas e suas bobagens mais lindas também.
As malas e toda a bagagem daquelas viagens intermináveis espalhadas na porta de entrada e esquecidas lá.
Das estradas seguidas de ontens, quero que jogues toda a poeira dos teus sapatos na soleira da minha porta porque agora, eu só quero te cobrir de pó de estrelas.
Beijo, abraço, compasso, laço.
Quero Mc Donald (que nem gosto), cinema, fila do supermercado no fim do mês, fim do dia ancorada no teu peito e a briga pela pasta de dente, eu quero também.
Quero o teu jeito mais travesso de me sorrir sacana e me virar do avesso, sem antes perguntar.
Café da manhã e o jornal noticiando o amor que sempre se estendeu de qualquer relato passional dessas páginas de jornais amanhecidos no nosso quintal e revistas teens.
Quero as cartas por entre as folhas do meu caderno e os presentes vividos que todos os dias aliviam sempre um aperto saudoso quando se despedes de mim.

[e foram nessas pausas todas que (pres)senti o teu perfume me rondar, me rodear numa latência ora mansa, ora pungente]

Ei, as rosas que vieram com o a cartão são mesmo lindas e, enquanto olhava para o teu porta retrato ocupando o lugar mais visível da minha estante, todo e qualquer instante que me acompanha logo se completa nesses teus detalhes que cabem tão miletricamente calculados pra estes olhos meus e que nem mesmo você desconfia existir. Tudo porque te amo. E amo esse teu jeito marrento e o teu Om tatuado no braço que aparece quando me envolve forte num solavanco de peito com peito. Amo quando verte dos olhos um riacho breve e leve de regar lembranças que nunca se descoloriram no tempo. Amo quando me cobre de beijos e desalinha fios do meu cabelo por entre os dedos, como quem quer tecer pensamentos pra além dos agoras e vidas depois.
Te quero dentro. Porque te amo saliva, desejo, cheiro, calor e pele em brasa. Amo quando me vens incendiando o colchão de urgências para serem sorvidas no leito dos poros e dos gemidos dispostos pra minha pele inteira ouvir e sem nem precisar decifrar, sorve no ato. Amo teus inversos que me toma inteira e num puxar de mão, me cobre, me descobre caminhos pra tua gostosa recompensa.
Estás nesses desajustes todos, nesses sentires submersos desse meu mediastino afoito, nesses desatinos aguardando respostas e mais do que nunca, nesses embriagados ecos me riscando pedidos ao pé do ouvido, sem temor, nem pudor algum.

E despida de regras, amo os teus pelos nos meus apelos todos, baby.

Meu bem querer, te tenho ainda no mais bonito de mim. Te tenho até naqueles resmungos que você nem chegou a pronunciar ainda e te guardarei de todos os pesadelos que assolarem teu meio dia, tua meia noite, tuas inteiras metades e medos que ficarem de espreita no vão da porta ou pendurados na cortina do quarto.
Te protejo porque te amo. E esse meu amor, meu bem, é mais que uma prece - é uma oração que guia palavras pro teu coração sentir e guardar sempre que você precisar. É salmo que nos mantém a salvo das nossas próprias mesquinharias, vez ou outra.
És o meu amor velado em todas as nomenclaturas que possam existir, embora nenhuma delas possa reter e traduzir essa boniteza sem medida. Nem que faças mil voltas, nem que tenhas mil e uma ídas.
É que a liberdade sempre nos trouxe sorrisos porque sempre foi flor guardada de verdade, na qual sempre garantimos o cultivo.
Meu amigo, melhor abrigo.
És aquele por quem me enamoro cada dia mais, desde o primeiro momento, o primeiro instante que te percebi no meu caminho. Te recebo em mim.
Porque, (n)AMOR(ado) da minha vida, todo ponto nunca será o final e todo minuto sempre será o penúltimo. Afinal, és esse clarão dos meus olhos todos, por inteiro e sem cura em toda a medicina.
Ainda bem.
│Samara Bassi│

Um comentário:

ValCruz disse...

Que texto gostoso Sam! Li cada linha com uma intensidade. Super envolvente. Só poderia vir de uma pessoa enamorada da vida... Do Amor feito você! E esse início com Djavan... Ah, tudo de bom!!


Pessoa de alma perfumada, meu carinho por ti.



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