4.10.12

A outra margem

4.10.12
Imagem: Alessandra Benedetti
O caminho é um laborioso pouso nas incertezas do próprio caminho, no esmurrar as pontiagudas facas como se fossem dores a verter do âmago.
É um estado de inércia a divisão dos eixos da cidade nos olhos da criança, entardecida de sonhos vãos e regados com água de chuva e concreto das ruas que pisam seus pés.
Desmedimos o amor como quem colhe migalhas e as semeiam para pombos, tão mais esfomeados de algum sentimentos, naquele canto de praça, enquanto que o badalar dos sinos da pequena igreja convida os homens a alinharem-se por dentro (de seus (e)ternos), mesmo que num fechar abrupto de olhos.
E que não seja breve, a persistência de se continuar indo, indo... como rio que segue, sem abandonar suas águas, um tanto quanto barrentas, é verdade. Mas suas!

│Samara Bassi│

2 comentários:

Filha do Rei disse...

O prosseguir é essencial para chegarmos do outro lado mesmo que possamos ver só o barro, mas depois virá a água límpida como um espelho.
Só não podemos abandonar.

Lindo texto como sempre.
Tenha lindos dias.Bjss

André disse...

Um texto que, embora descreva e narre, indaga também. E de forma das mais lúcidas. Uma janela que se abre para o existencial e faz espelho da mente aquilo que o olho vê e, quem sabe, vice-versa.

As pontas de faca sempre existirão. Os murros nelas talvez menos. A percepção; a reflexão; e, por fim, a consciência, nos levará não apenas a atravessar os rios que devam ser atravessados, com também evitar os percalços pelo caminho. Ou, se por falta de opção, aceitá-los como lição.

Teu texto é de uma riqueza e um simbolismo muito grande, querida Samara, fico feliz em ver que teu talento com as letras segue de mãos dadas em direção às estrelas. Parabéns!

E muito obrigado pelas carinhosas palavras que sempre deixas ao meus esporádicos textos, elas os tornam menos opacos.

Um grande abraços, minha querida amiga, e muitas felicidades em tua vida, sempre.

André

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