1.9.12

Sorriso de lápis de cor

1.9.12
Google
Desconfiava de anjos. Não! Desconfiava de gente. Sempre alimentava aquela pulguinha atrás da orelha de que algumas pessoas, assim como a natureza em si, fossem anjos disfarçados pra nos agarrarem pelas mãos para nos guiar pelos caminhos, ora floridos e principalmente, nos espinhosos.
Trazia na bolsa da escolinha, sempre seus desenhos ilustrando asas e cores com luz de sol e às vezes, preferia mesmo era a das estrelas.
Fechava sempre os olhos pra conversar com o seu e germinava por entre os lábios, um sussurro pueril em todas as vezes que queria revelar segredos.
Entardecia as horas breves por debaixo das pálpebras, saltitantes enquanto sonhava tuas ídas de mãos dadas e brincadeiras de perfumar a alma. Inspirava fundo tuas fábulas de adormecer os pássaros enquanto ouvia lá no fundinho da cabeça, teus pensamentos tagarelas fazendo arte das tuas imaginações. Mas sabia, sabia que era teu anjo naquele dedinho de prosa a lhe contar histórias de ninar e recuperar sorrisos, antes desbotados sob chuva e sol constantes nascidos dos olhinhos pretos, tão pretos e doces como jabuticabas.
Adormeceu teus encantos num embrulho de sonho, deslizando tuas mãos pequenas e alvas por debaixo do queixo quando conversou, meio sem saber sabendo, com aquele disfarce de gente e sabia, sabia que era um pedacinho do céu enternecido naquele tão simples momento de trocar bonitezas que a vida trazia, sem precisar manter os olhos abertos pra esse mundo de cá. Ainda sonolenta, pouco guardara daquelas palavras trazidas em nuvens e naquele rabo de cometa gelado num espirrar incontido e sem acordar, estava mais intuitiva que antes, pois, (pres)sentia mesmo, era estar sendo amparada num colo de Deus e com vento sussurrando música pra lhe acalmar teus desesperos.
A fizeram sorrir colorido. Mas não colorido de guache que desmancha a pintura com gota de água.
Foi esse tal riso ancorado numa prece fraseada sem intenção alguma de ser ouvida, mas foi.


'- Sorriso de lápis de cor'


Ah, menina!

Não soube como veio, como sobreviveu às marchas confusas do coração, esse tão delicado afago. Mas sorriu. Sorriu como há tempos não sorria por dentro. Ergueu teu semblante sereno como pérola que transpassa qualquer tempo de grão de areia pra se reluzir no mundo. Aconchegou teu ar profundo dentro do peito, num arco-íris improvisado por entre as temperanças de uma ponta qualquer que pudesse, sem mais pranto algum, traçar sorrisos em cores primárias mesmo que ainda houvesse na face, um preto e branco jeito de acontecer por dentro.
Guardou essa aquarela sussurrada daquela voz tão amiga e tão deliciosamente familiar que decidiu, dali em diante, não mais deixar de colorir sorrisos, nem de mantê-los floridos, em qualquer estação da vida. Nos rabiscos de menina, com batom de mulher. 

│Samara Bassi│

__________________
Nota: É com um imenso carinho e gratidão que ofereço este conto à um grande amigo que, desde sempre e cada vez mais, desconfio ser um anjo nesta terra. Um anjo de colorir sorrisos.

4 comentários:

André disse...

Como já disse em outro comentário, os seus textos, minha amiga Samara, são de uma pureza e de uma delicadeza de imagens e invenção que sensibilizam muito o leitor, são como contos de fadas reais saídos de um cotidiano poético porém adulto.

Como bem escreveu o nosso querido amigo Marcio, é bem possível que os anjos andem por entre nós, voejando por entre letrinhas virtuais e sorrisos de lápis de cor, desenhando arco-íris de aquarelas no rabo de algum cometa.... quem sabe?...

Um texto pleno de ternura porém com a lucidez de uma poetisa-cronista que se firma cada dia mais no universo das nossas mais belas letras.

Um grande abraço, minha querida amiga, muita paz e as melhores inspirações, sempre.

André

Aleatoriamente disse...

olá minha flor.
Como vai você?
Sam. te ler é um privilégio.
Você consegue nos levar pelo lado puro e encontrar no soerguer das meninas dos olhos o brilho da terra do nunca. Magia, encanto poesia.Essa é você Sam.

A menina do "dedinho verde".

Beijinho e obrigada.

ValCruz disse...

Sam, sua linda! Só poderia escrever coisas belas feito essa...

Um cheiro flor!

Sertaneja disse...

Olá, adorei seu blog.
Anjos com certeza existem e que bom quando encontramos um.
Beijo
Sertaneja

Copyright - Quintal de Om © 2012 - 2017. All Rights Reserved to Samara Bassi.