22.8.12

(over)Dose de quase morte

22.8.12
Imagem: Bruno Ehrs
Sudorese. Taquicardia. Taquipnéia. Síndrome da desilusão.
Passava horas ensaiando as palavras e não saia do lugar, como gato que persegue o próprio rabo. Era mais que um dilúvio um dia após o outro, enquanto rostos anônimos e ainda assim, daquele mesmo grupo, sorriam, se entendiam, se contornavam nas suas próprias dificuldades. Pior que estar, sentia-se em uma bolha. Perdida, desentendendo teu próprio caminho. Guardou no peito sua respiração mais funda e ainda que a fotoreação das tuas pupilas lhe pudessem gravar alguma coisa na retina de forma isocórica, menina teimosa que era, desencadeou uma passo desgovernado tentando justificar sua própria disritmia de seguir nas curvas e trombar destinos, como traças que não compreendem o que são, mas apenas sabem que tem que "roer". Buracos no mediastino ou deveriam ser, cavernas tuberculínicas(?) por tentar tossir, tossir suas próprias indagações e nem assim, cuspir teus reversos num único golpe de ar.
Teus ouvidos queriam ensurdecer-se por entre os teus próprios murmúrios vesiculares, num som claro e, quando não se dava jeito às tuas creptações, delirava como quem descobre os olhos por entre as mãos e ainda assim, tua cianótica maneira de tocar nas coisas, era mais que um azul cinzento de céu sem chove nem molha, mas digamos assim, sedado e mesmo atento, desmarchando tua ausculta cardíaca, digo, teu ouvir o coração, sem mais terapêutica alguma.


│ Samara Bassi │

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