3.8.12

Canção para um grande amor

3.8.12
Imagem: Steve Hix
Manhã de sol entardeceu por entre as cordas do meu violão que, já não desentrelaçava as notas e já não abria as portas praquele canto rasteiro entrar, adormecendo ainda mais as horas faltosas em cada vão da sala e esvoaçando as cortinas amareladas do tempo.
Eu, que não aprendi amor, a me desencontrar de mim por um segundo sequer, debrucei tantos destes acordes em cima da cama ainda desarrumada e levemente desajeitada, cruzei as pernas como quem destranca a alma pra desaguar esse (in)verso, ainda tão imaturo e desafinado por dentro, na chance de se tornar inteiro.
Então que desatei os nós, um a um, por entre os dedos e os medos germinados no peito, desvencilhei no timbre dessa tua voz, tão rouca e dengosa de todas as nossas manhãs e secretos amanhãs, o nutrir dos meus sorrisos todos. E, confesso que não entendi o motivo do teu som ter feito dom por entre as minhas palavras que já adormecidas em qualquer fresta das janelas, floriram músicas aos meus ouvidos dessa tua respiração que se tornara a minha preferida canção de ninar. Essa mágica que tua vida guarda na minha é tão esclarecedora que, contraditoriamente, nos cega para encontrar qualquer explicação.
Acertei o tom da vida quando encontrei você. No tom das cores, no tom que o correr dos dias tem, no do sorriso, no tom da música cantada, tocada e da dança acompanhada de teus passos largos e diários de acontecer. Parece estranho dizer mas, acertei até o tom da lágrima.
Quis como ninguém, fazer nascer uma partitura inteira e um tanto quanto decifrável só por nós e percebi, que ela já existia há muito tempo dentro dos teus olhos porque mais uma vez eu repito: ninguém precisa me ensinar a te ler. Nem a reler, nem a te cantar. É que te sinto meu bem, muito além da ponta dos dedos.
Despejei a minha letra em cada acorde dedilhado do sentimento quando descobri que, por mais que o sol aqueça e forre a nossa cama e a nossa vida com os sons mais lindos, era preciso mais que uma vida inteira pra compor uma canção que falasse de amor. Mas não de qualquer amor, não. Nem em qualquer tom.
Mas do nosso, no nosso tom e "cor(a).som".
Só nosso e, só por nós.
                                                   │Samara Bassi                                      

2 comentários:

Filha do Rei disse...

Cada amor tem o seu tom, o seu som, a sua partitura. Q lindo, Sam!
Tenha um abençoado fim-de-semana! Bjs

Parole disse...

Samara, seu blog é lindo, a começar pelo nome dele... poesia pura, mas hoje vim apenas agradecer a sua visita e comentário.Venho depois com mais tempo para ler.

Beijinhos e ótimo fds.

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