24.7.12

Pra quando você chegar

24.7.12
Imagem: Drew Myers
Menina, eu já sei que você me ronda, me ancora nessa espera que não tem hora pra acontecer, não. E que já algum tempo, me canta suspiros de embalar segredos por entre as horas que o meu sonho se deslancha e se esparrama, sem abandono algum, no meu travesseiro ao lado. Eu sei ainda, que essa vi(n)da florescerá por toda essa (e)ternidade do meu sorriso brando - o que já acontece. Antes mesmo de acontecer, você. 
Te confesso de que é estranho tentar te explicar sobre algumas coisas desse mundo de cá e sobre essas incertezas da vida que já são e estão sim, tão enraizadamente certas no coração da gente - esse coração que atropela quase tudo pra se sentir inteiro, mas que um dia querida,  você ainda entenderá e melhor, saberá que há coisas que não carecem de explicação alguma. Como essas.
Veja só: eu, não sei por quantas vezes mais me peguei a te sentir vibrar por dentro desse meu peito já falho de rir e chorar, as tuas canções de ninar que perambulam em pensamentos avulsos, vez ou outra. E, mesmo que eu te (a)guarde ainda, um pouco sem jeito, por entre a palma de minhas mãos tal qual semente abrigada na terra mãe, só esperando a hora de germinar todo o seu esplendor, te tenho ainda, nessas tantas e bonitas horas que te conto histórias, sem nem mesmo saber teu nome. Só desconfio.
Se soubesse, minha menina, o tanto que me clareia os olhos com a (c)alma diante de todas as vezes em que te recebo nessa minha sina de te ancorar por infinitas vezes, as nossas possibilidades de te sentir assim, já tão parte de nós, em mim. E dessa maneira tão mansa e tão possivelmente... Clara.
Clara?
Claro!
Ei menina, venha tão logo se a(con)chegando aqui em meu colo e cole teu coração em meu ventre como tão singela caixinha de música e ouça, ouça esse pouco de palavras que tenho pra te dizer.
Não, não é canção de ninar, não agora. Mas de viver.
Sabe, não prometo te oferecer um mundo perfeito porque esse mundo daqui, (que um dia você verá com esses teus próprios olhos) tantas vezes parece estar virado do avesso. E as pessoas, muitas delas (nos) fazem sofrer, enquanto outras virão e partirão sem  que respondam tuas perguntas. Mas uma coisa é certa: sempre deixarão lições e caminhos que, na ilusão de parecer completos, você ainda se dará conta de que precisará descobrir muitas coisas mais, mesmo que não entenda no mesmo momento nada sobre elas. E mais, o caminho bom e aquele não tão bom assim, é só você quem faz.
Muitas vezes, não poderei impedir do teu choro desaguar rios de lágrimas em tua face, mas poderei sempre secar o teu semblante pra um sorriso desapontar curioso quando te embalar nos braços, um abraço pra te fazer casa.
Zelarei tuas noites, por noites e dias e o teu sono, será o consolo dos anjos pra quando os meus olhos desejarem te acariciar sem toque.
Não largarei as minhas mãos das tuas, nem mesmo quando for a hora de seguir os teus próprios passos. E, mesmo que crie asas pra esse mundo te contemplar, saberá que é preciso ter ancoragem pra quando um dia cair, em pleno voo.
Os machucados, meu bem, você aprenderá que o tempo trata logo de cicatrizar, de curar. As dores ele também abranda e de que, não é muito mentira não essa história de que os problemas desafios são nossos melhores amigos.
Aprenderá que maturidade, não se alcança com a idade, nem é proporcional aos dias vividos. E não, conhecimento não vem de berço, mas que sabedoria, meu bem, você sempre encontrará quando parar pra ouvir o seu coração.
Muitas vezes, você meterá os pés pelas mãos e não saberá nem por onde recomeçar. Se apaixonará perdidamente, ou não. Terá os seus próprios sonhos e aqueles rumos, embolorados nas malas de viagens, tomarão sol quando precisar seguir adiante, sempre de cabeça erguida e mesmo que desvie por um segundo e um motivo qualquer.
Um dia ainda, minha pequena, você irá crescer como uma árvore frondosa e florescerá tuas belezas como exuberância aos olhos alheios e precisará querida, saber distinguir entre futilidades e utilidades pra si mesma. Conhecerá suas prioridades e mesmo assim, se perderá n'algumas escolhas, mesmo aquelas feitas com o coração porque, infelizmente, o mundo devora e cedo ou tarde, te cobrará uma coisa que você não poderá ser. E se magoará com isso.
Bem minha menina, como esperta que você será, quando você chegar, daí você já deve ter percebido de que não sou muito boa para contar histórias e de que é melhor mesmo deixá-las pra lá, pra quando você chegar. Eu então, prefiro ficar aqui te namorando e te preparar para fazer morada nessa alegria tão imensa que se instala sempre tão sem segredo algum por uma causa bonita, assim como você. E, mesmo que nem sempre as minhas horas estejam coincidindo com a sua chegada, saiba sempre que o meu corpo é teu amparo e feliz, nele e dele te recebo, como há tempos já te recebi e há muito já te (re)conheci no meu coração.  
Sem desespero, nem desesperança.
São coisas da alma. São questões de amor. E isso, meu bem, faço questão de dizer que você, conhecerá também.
Mas por enquanto, só pra quando você chegar. 
E só entre nós.

                                               │Samara Bassi                                      

5 comentários:

Aleatoriamente disse...

Uau!!! Minha flor apaixonei de novo aqui. Sam esse texto é uma dádiva.Lindo, bem escrito, paraece que o sentimento está brotando tão cheio de força que a semente pula na gente como criança pedindo colo.

Bom dia querida

Filha do Rei disse...

Como sempre, lindo! :)

PS:No meu blog tem uma homenagem a todos os meus amigos que me dão o privilégio de "lê-los", um deles és tu. Confira.

André disse...

Minha querida amiga Samara, com que texto sensível e amoroso você nos presenteia aqui, a nós, seus leitores. Um texto-carta prenhe de ternura, de sabedoria e de amor, de amor de verdade. Um texto apaixonado.

Confesso que o tratamento na segunda pessoa do feminino me fez ler e reler esse belo texto para tentar melhor compreendê-lo. Não sei se consegui. Afinal, os poetas e escritores com um tal talento, sempre foram livres para usar e abusar das licenças poéticas mais livres à sua guisa, como bem entenderam.

Texto de rara sensibilidade e impregnado de carinho, uma declaração de amor como pouco, muito pouco se vê, atualmente. Minha admiração às suas letras, querida amiga, continua cada vez maior. Meus parabéns!

Passando apenas de passagem (*rs) por algumas poucas letras, aproveito para lhe agradecer o carinho da visita e do comentário à minha modesta crônica.

Tenha um dia luminoso e muito inspirado, minha amiga. Fique bem. Um grande abraço do

André

Isa E. disse...

Sam,
Voltei para ler esse texto novamente.
Há tanta beleza nessas palavras...
Fico cada vez mais encantada com os seus textos.
Um beijo!

:.tossan® disse...

Lindo demais! Sofro do coração, mas depois de ler isso fiquei curado. Beijo moça

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