18.7.12

Dia menino

18.7.12
Imagem: Tom Grill
Porque agora minha alma verte água de cheiro!

Menino que me alegra os sorrisos,
Há tempos não te canto uma canção
Nem sento com você no chão...
Não te faço um poema
Não te vendo os olhos com as palmas frias das minhas mãos.

Há tempos que a curva feliz da minha face
Não se faz ao som de tua voz de vento
Que brinca de bater palma nas folhas verdes e velhas
Dos galhos estendidos ao sol, ao céu, ao sul.

Mas há tempos se fez bastante as frases respondidas
De palavras que há tempos escrevi em areia de praias frias
E não tão desertas de sonhos ancorados em recifes e águas marinhas
Que há tempos fez pingar uma alegria no lago do meu peito
Quando a esperança invadiu meu coração estreito...

Mas, felicidade diária faz assim - alarga o que está pequeno pra tudo ser mais bem vindo .

Mas menino, há dias ainda que não quero despir meus olhos
Eles se acostumaram e ainda podem querer falar demais
Me entregar de bandeja...
Sem ao menos disfarçar a alegria que causastes
Por somente me lembrar nas horas do relógio
De um tempo em que o dia era como minha infância saltitante e sapeca.

Mas, menino dos meus dias em que os dias meninos moram em meu sorriso,
Saiba que há alguma certeza vaga
De esperança acalentada por frases e palavras
E que muito bem diz esses meus olhos que não se quer mostrar.

Menino! Meu coração não é metálico!
Sei que há tempos não te faço uma ode
Não te acarinho os cabelos
Nem te faço um chamego ...
Muito menos gargalhar

Mas te prometo:

- Cantarei brevemente uma canção. Que te fará colorir o rosto por mim tão lembrado, no tempo em que os dias de minutos mornos eram como resquícios de sol.

Então, o tempo te trará novamente pra perto na chegada dos meus braços
E celebraremos com vinhos e flores a ode carinhosa que há tempos
Te fiz em papel branco, guache e pincel
A aquarela de céu azul, morros, nuvens sobre campos
E sol brilhando um girassol escancarado de frente à janela daquela casinha
Tão gentilmente construída a traços de lápis de cor e giz de cera.....

Só falta, dia menino, dizer que sim
Pegar minha mão e conduzir esse pincel
Colorir meu papel outra vez
Só falta você deixar...
Pois há tempos, menino, guardo outro sorriso pra te dar!

                                              │Samara Bassi                                      

Um comentário:

Crônicas de Areia disse...

Água de cheiro,
aroma de pele,
na mística mente que sente,
que pressente o presente,
e se atira sem medo ao destino.
Um desatino,
um badalar de sino,
um pio de coruja,
uma alma que transpira dores das flores mais diversas.

Pensamento disperso,
um paralelo desconexo,
mas que sequer precisa de motivos.
Os pés são estranhos à montanha,
assim como voar não é dom humano.
E mesmo assim, subimos lá no alto do morro
e com asas imaginadas em delta,
alcançamos o vento soprando no rosto.
Somos assim, nada é impossível quando queremos realizar.

Mocinha, bom dia. E uma lida tarde pra você, Sam. Bjs.

Marcio

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